As focas mudanças climáticas já alteram gelo, rotas de alimento e áreas de reprodução em diferentes espécies, com efeitos que vão do Ártico ao Pacífico e ameaçam filhotes, colônias inteiras e comunidades que dependem desses animais.
O avanço das mudanças climáticas já está apertando a sobrevivência de focas e leões-marinhos em diferentes partes do mundo. O alerta vem da NOAA Fisheries, que aponta perda de gelo, mudança nas rotas de alimento e destruição de áreas de reprodução como alguns dos efeitos mais imediatos sobre essas espécies.
Na prática, o problema não fica só para os animais. Em várias regiões, o aquecimento dos oceanos mexe com a cadeia alimentar, ameaça filhotes e pressiona comunidades costeiras e povos tradicionais que também dependem desse ambiente. A própria agência diz que essas mudanças já estão afetando a distribuição e a saúde de muitas espécies marinhas.
Entre os grupos mais vulneráveis estão as focas ligadas ao gelo, que precisam da plataforma congelada para descansar, reproduzir, amamentar e escapar de predadores. Quando o gelo quebra mais cedo ou fica menos confiável, os filhotes podem ser forçados a entrar na água antes de estarem prontos para sobreviver sozinhos.
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O gelo do Ártico está encolhendo e muda a rotina das focas

As focas associadas ao gelo dependem dessas condições por boa parte do ano. É no gelo marinho que elas descansam, criam os filhotes, trocam de pelagem e encontram abrigo contra predadores. Com o aquecimento das temperaturas, essa base começa a falhar.
A NOAA Fisheries destaca que, no Mar de Bering, o gelo marinho diminuiu em média 47 mil quilômetros quadrados por ano entre 2007 e 2018. Nesse período, os cientistas também observaram piora na condição corporal de filhotes de foca-fita e foca-pintada, possivelmente por causa das dificuldades de alimentação das mães durante a gestação e a fase de amamentação.
Quando o gelo some cedo demais, o risco cresce para os filhotes. Sem força suficiente para encarar a água aberta, eles podem morrer afogados ou virar presa de predadores marinhos, como orcas e tubarões.
Mais encalhes e espécies fora da rota habitual
Outro sinal da pressão climática aparece nos resgates. Em anos de pouco gelo, a Marine Mammal Stranding Network registra mais encalhes de focas do gelo, principalmente animais jovens, em áreas mais ao sul do que o esperado para essas espécies.
Isso indica que o deslocamento não é apenas geográfico. Ele mostra um ambiente em transformação, no qual os animais passam a aparecer onde antes não eram comuns, muitas vezes em condição frágil e longe do habitat ideal.
Para comunidades indígenas do Alasca, o impacto também é direto. As focas do gelo fazem parte do ecossistema do Ártico e fornecem recursos importantes, como alimento e materiais para artesanato, sustentando um modo de vida tradicional que depende da estabilidade desses ambientes.
Leões-marinhos e focas do Pacífico também sentem a pressão
Nem só o gelo do norte está em risco. No Havaí, a foca-monge havaiana, uma das mais ameaçadas do mundo, sofre com a perda de habitat terrestre provocada pela elevação do nível do mar, erosão e tempestades mais fortes. A NOAA diz que praias importantes para o nascimento dos filhotes em French Frigate Shoals, no Monumento Marinho Nacional de Papahānaumokuākea, já foram em grande parte ou totalmente perdidas.
A agência também alerta que outros atóis da região podem enfrentar impactos parecidos nos próximos 30 a 50 anos. Para uma espécie que depende de pequenas ilhas baixas para dar à luz e proteger os filhotes de predadores, a conta climática vem rápida e pesada.
No litoral da Califórnia e do México, a foca-de-guadalupe encara outro problema: a mudança nas presas. Águas mais quentes, acidificação dos oceanos e florações nocivas de algas vêm se tornando mais frequentes, enquanto ondas de calor marinhas alteram a distribuição e a abundância do alimento, especialmente lulas.
Escassez de alimento já levou a mais mortes e desnutrição
Segundo a NOAA Fisheries, a foca-de-guadalupe pode ter dificuldade para adaptar a dieta ao que encontra no oceano em transformação. Quando a comida some ou fica mais dispersa, o efeito aparece no corpo dos animais, nos filhotes e na própria sobrevivência da espécie.
Nos últimos anos, o órgão cita o evento de mortalidade incomum entre 2015 e 2021, que envolveu mais de 700 focas, sobretudo jovens, com sinais de desnutrição e sistema imunológico enfraquecido. É uma fotografia dura de um problema que não é futuro: já está em curso.
A mensagem central do alerta é clara. As mudanças climáticas não ameaçam apenas o gelo ou a temperatura do mar. Elas estão redesenhando o habitat, apertando o alimento e deixando focas e leões-marinhos mais expostos em várias frentes. Se esse ritmo continuar, o impacto deve crescer nas próximas décadas. Se você acompanha esse tipo de alerta ambiental, vale compartilhar a matéria e deixar sua visão nos comentários.
