Projeto em Batam será desenvolvido com Firmus e DayOne, terá infraestrutura baseada em tecnologia Nvidia e mira atender empresas que precisam de grande capacidade computacional para inteligência artificial.
A corrida global por inteligência artificial acaba de ganhar um novo ponto de pressão no mapa. A Firmus Technologies anunciou um acordo estratégico com a Nvidia para desenvolver um grande campus de data center de IA em Batam, na Indonésia, em parceria com a DayOne.
O projeto terá capacidade de 360 megawatts e poderá receber até 170 mil aceleradores de inteligência artificial da Nvidia entre 2027 e 2028. A previsão coloca Batam, ilha próxima a Singapura, no centro de uma disputa cada vez mais intensa por energia, chips e infraestrutura de computação avançada.
A dimensão financeira também chama atenção. Segundo a Firmus, os contratos de capacidade já projetados podem render entre US$ 25 bilhões e US$ 30 bilhões nos seis primeiros anos da parceria.
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Na prática, o acordo mostra como os data centers deixaram de ser apenas estruturas técnicas escondidas nos bastidores da internet. Agora, eles viraram peças estratégicas da economia da inteligência artificial.
Batam entra na rota dos grandes data centers de IA
O projeto em Batam foi desenhado para atender empresas nativas de inteligência artificial, startups em crescimento, desenvolvedores de modelos avançados e clientes que precisam de acesso rápido a processamento em larga escala.
A escolha da ilha não é aleatória. Batam fica perto de Singapura, um dos principais centros financeiros e tecnológicos da Ásia. Essa proximidade torna a região atraente para empresas que buscam capacidade computacional sem depender apenas de polos já pressionados pela alta demanda.
Com o novo campus, a Indonésia passa a disputar espaço em uma corrida dominada por países que conseguem reunir três fatores ao mesmo tempo: energia disponível, conectividade e capacidade de construir infraestrutura em escala.
O projeto também reforça uma tendência que vem ganhando força no setor. A expansão da inteligência artificial não depende apenas de modelos mais avançados, mas de instalações físicas capazes de alimentar, resfriar e operar milhares de chips trabalhando ao mesmo tempo.
Até 170 mil aceleradores Nvidia estão previstos no acordo
Um dos pontos mais fortes do anúncio é a previsão de até 170 mil aceleradores de IA da Nvidia entre 2027 e 2028. Esse volume ajuda a explicar por que o projeto ganhou peso imediato no mercado.
Os aceleradores são componentes fundamentais para treinar e operar modelos de inteligência artificial. Quanto maior a demanda por sistemas generativos, agentes autônomos e aplicações corporativas de IA, maior também a pressão por chips especializados.
A Firmus afirma que o acordo envolve plataformas Nvidia das gerações Grace-Blackwell, Vera-Rubin e Vera. Essa estrutura foi pensada para oferecer serviços de nuvem com alto poder computacional a empresas que não querem ou não conseguem construir seus próprios data centers.
O modelo também muda a forma como a Nvidia participa desse tipo de expansão. Além da venda de infraestrutura, a companhia passa a se envolver em acordos ligados à oferta de capacidade computacional para clientes finais.
Projeto pode render até US$ 30 bilhões nos primeiros anos
A Firmus estima receber entre US$ 25 bilhões e US$ 30 bilhões em contratos de capacidade contratada durante os seis primeiros anos da parceria. O número mostra o tamanho da aposta em um mercado que continua acelerado, mesmo em meio a dúvidas sobre custos, energia e retorno financeiro da IA.
Essa previsão está ligada à procura por infraestrutura pronta para uso. Para muitas empresas de inteligência artificial, o gargalo não é apenas desenvolver modelos, mas conseguir acesso a máquinas potentes o suficiente para treinar, testar e entregar esses sistemas ao mercado.
O acordo tenta ocupar exatamente esse espaço. Em vez de depender somente dos grandes provedores globais de nuvem, empresas menores e clientes regionais passam a mirar estruturas especializadas em IA, com contratos voltados a alto desempenho.
Batam, nesse cenário, aparece como uma nova peça na disputa por capacidade computacional na Ásia-Pacífico.
Firmus aposta em infraestrutura própria para a nova fase da IA
A Firmus Technologies vem se posicionando como uma empresa de infraestrutura para inteligência artificial. A companhia usa o conceito de “AI Factory”, ou fábrica de IA, para descrever centros de dados projetados especificamente para processar grandes volumes de computação.
Essa lógica tenta diferenciar os novos projetos dos data centers tradicionais. Em vez de apenas armazenar dados ou rodar sistemas corporativos convencionais, essas estruturas são construídas para operar cargas intensivas de IA, com alto consumo de energia e grande densidade de chips.
A parceria com a Nvidia amplia essa estratégia. A Firmus terá acesso a uma quantidade expressiva de aceleradores e poderá vender capacidade computacional baseada nessa infraestrutura para clientes que precisam escalar rapidamente.
A DayOne entra como parceira no desenvolvimento do campus em Batam, reforçando o papel da região como corredor de expansão para novos projetos digitais no Sudeste Asiático.
A disputa por chips virou disputa por território
O acordo mostra uma mudança importante na indústria de tecnologia. A briga por inteligência artificial não acontece apenas dentro dos laboratórios ou nas empresas que criam modelos. Ela também acontece nos terrenos onde serão erguidos os data centers.
Cada novo projeto exige energia, conexão, licenciamento, construção rápida e acesso a equipamentos disputados globalmente. Por isso, países e empresas que conseguem viabilizar grandes centros de computação passam a ter vantagem na próxima etapa da IA.
Batam entra nesse jogo como uma localização estratégica. A ilha pode se beneficiar da proximidade com Singapura e da busca por novas áreas capazes de receber instalações de grande porte.
Ao mesmo tempo, o projeto evidencia a pressão crescente sobre a infraestrutura física da inteligência artificial. Quanto mais empresas adotam IA em produtos, serviços e operações internas, maior fica a necessidade de ampliar a base de processamento.
Indonésia ganha força na corrida pela computação avançada
Com capacidade prevista de 360 MW, até 170 mil aceleradores Nvidia e contratos potenciais de até US$ 30 bilhões, o projeto em Batam coloca a Indonésia em uma posição mais visível na corrida global por data centers de IA.
A aposta da Firmus, da Nvidia e da DayOne mostra que a expansão da inteligência artificial está espalhando novos polos de infraestrutura pelo mundo. O movimento não se limita mais aos Estados Unidos, à Europa ou aos grandes centros asiáticos tradicionais.
Agora, ilhas, zonas industriais e regiões próximas a hubs tecnológicos também passam a disputar espaço nessa nova geografia digital.
Se o cronograma avançar como previsto, Batam poderá deixar de ser apenas uma localização próxima a Singapura para se tornar um dos pontos mais importantes da nova infraestrutura de inteligência artificial na Ásia-Pacífico.ntratar capacidade de forma rápida, sem esperar anos por obras próprias ou depender apenas das grandes nuvens globais.
Com um campus de 360 MW, bilhões de dólares em contratos potenciais e até 170 mil aceleradores previstos, o projeto em Batam coloca Firmus, Nvidia e DayOne em uma disputa cada vez mais agressiva pela próxima geração de data centers. Se a previsão se confirmar, a Indonésia passa a ocupar uma posição relevante nessa corrida por infraestrutura de inteligência artificial na Ásia.
