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James Webb fotografa pela primeira vez na história a superfície de um exoplaneta e revela mundo de rocha negra a 48 anos-luz da Terra

Escrito por Douglas Avila
Publicado em 11/05/2026 às 11:30
Atualizado em 11/05/2026 às 11:34
Renderização do exoplaneta LHS 3844 b, super-Terra rochosa estudada pelo James Webb
Renderização artística do exoplaneta LHS 3844 b, super-Terra rochosa a 48,5 anos-luz da Terra. Imagem: NASA / ESA / CSA.
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Pela primeira vez na história, o telescópio espacial James Webb fotografou diretamente a superfície de um exoplaneta em vez de só sondar sua atmosfera. O alvo foi LHS 3844 b, uma super-Terra rochosa a 48,5 anos-luz, no estudo publicado em 4 de maio de 2026 na revista Nature Astronomy.

Conforme a Space.com, a equipe internacional liderada por Sebastian Zieba (Center for Astrophysics Harvard & Smithsonian) e Laura Kreidberg (diretora do Max Planck Institute for Astronomy) usou três eclipses secundários captados em 2023 e 2024 para obter o espectro térmico do hemisfério iluminado.

O resultado é dramático: planeta sem atmosfera, lado quente a quase 1.000 Kelvin, superfície basáltica e olivina-rica, escura, parecida com Mercúrio ou a Lua. Em paralelo, é a primeira vez que se descreve a geologia de um exoplaneta diretamente, sem precisar inferir a partir de modelo atmosférico.

Os números do estudo da superfície do LHS 3844 b, conforme NASA, MPIA e Nature Astronomy, contam a história em cinco pontos:

  • 48,5 anos-luz da Terra, na constelação Indus, em torno de uma anã vermelha
  • 1,3 raio terrestre e 2,3 massas terrestres, super-Terra rochosa típica
  • 11 horas de período orbital, planeta acoplado por maré com lado quente permanente
  • 1.000 Kelvin no hemisfério dia, temperatura suficiente para derreter chumbo
  • 5 a 12 mícrons de espectro térmico capturado pelo instrumento MIRI do JWST
Telescópio espacial James Webb (JWST) com seu espelho dourado hexagonal e escudo solar prateado em órbita
Telescópio espacial James Webb. O instrumento MIRI captou diretamente o espectro térmico da superfície do LHS 3844 b. Foto: NASA.

Como o JWST captou a superfície do LHS 3844 b sem precisar de atmosfera

O instrumento MIRI (Mid-Infrared Instrument) do James Webb opera no infravermelho médio. Conforme a NASA, essa faixa é ideal para capturar a radiação térmica que rochas quentes emitem mesmo sem atmosfera ao redor.

Em paralelo, a técnica usada chama-se “secondary eclipse spectroscopy”. Quando o planeta passa atrás da estrela (eclipse secundário), o brilho total do sistema cai. Já a diferença entre o brilho com e sem o planeta dá o espectro emitido apenas pela superfície planetária.

A equipe captou três eclipses entre 2023 e 2024. Em paralelo, esses três eventos somados deram resolução espectral suficiente para distinguir composições minerais distintas no espectro de 5 a 12 mícrons.

O resultado mostrou linhas espectrais consistentes com basalto e olivina, sem traços de CO₂, SO₂ ou outros gases voláteis. Por isso, a equipe descartou atmosfera densa, e a leitura direta da superfície virou possível.

Conforme Sebastian Zieba, o achado é “uma janela completamente nova para estudar planetas rochosos”. Já antes do JWST, exoplanetas rochosos só podiam ser caracterizados via massa, raio e densidade média, sem detalhe geológico.

Superfície de Mercúrio fotografada pela sonda Messenger, similar à superfície do LHS 3844 b
Superfície de Mercúrio. O LHS 3844 b mostra composição basáltica e tom escuro semelhantes, com sinais de space weathering. Foto: NASA Messenger.

Por que o LHS 3844 b virou Mercúrio em forno cósmico

O sistema LHS 3844 fica em torno de uma anã vermelha, estrela do tipo M com 15% da massa do Sol e 19% do raio. Conforme a NASA Exoplanet Catalog, o planeta orbita a apenas 0,00624 unidade astronômica, três diâmetros estelares acima da superfície da estrela.

Em paralelo, essa proximidade extrema produz acoplamento de maré: o mesmo lado do planeta sempre fica voltado para a estrela. Por isso, há lado dia permanente e lado noite permanente, sem dia e noite alternados.

O lado dia esquenta a 800 ou 1.000 Kelvin, conforme o estudo. Já o lado noite, sem atmosfera para distribuir calor, fica drasticamente mais frio. Em paralelo, essa diferença térmica enorme dificulta qualquer química líquida estável.

Conforme a equipe, a superfície escura sugere duas hipóteses. Em paralelo, pode ser basalto fresco vindo de vulcanismo recente, ou rocha antiquíssima envelhecida por bilhões de anos de exposição à radiação estelar e impactos de micrometeoritos.

A ausência de gases vulcânicos como SO₂ ou CO₂ pesa contra vulcanismo ativo. Por isso, a hipótese mais provável é space weathering: rocha antiga escurecida por exposição prolongada, mesmo processo que escureceu a Lua e Mercúrio.

Astrônomos no Max Planck Institute for Astronomy analisando dados do JWST
Equipe astronômica analisa dados do JWST. O paper foi liderado por Sebastian Zieba (CfA) e Laura Kreidberg (MPIA). Foto: MPIA.

O que muda na busca por planetas habitáveis

O LHS 3844 b não é habitável e nem candidato a vida. Em paralelo, ele serve como referência crítica: até estrelas anãs M, as mais comuns da galáxia, mantêm planetas rochosos sem atmosfera quando ficam próximas demais.

Conforme análise comparativa, os exoplanetas TRAPPIST-1 b e c, observados pelo JWST anteriormente, mostraram padrão térmico parecido. Em paralelo, ambos parecem também ter perdido suas atmosferas pela radiação intensa da estrela hospedeira.

Já o K2-18 b, observado pelo JWST em 2023, mostrou o oposto: presença de moléculas com carbono no espectro atmosférico, sugerindo possível atmosfera espessa. Por isso, a galeria de exoplanetas continua diversa, com casos de retenção e perda atmosférica.

O TRAPPIST-1 e, mais distante de sua estrela, segue como melhor candidato à habitabilidade na zona temperada de uma anã M. Em paralelo, observações JWST direcionadas a ele continuam em curso.

Esse esforço de mapear quais planetas mantêm atmosfera define os alvos da próxima década. Conforme Laura Kreidberg, “agora podemos olhar para a rocha em si, não só para o gás”, ampliando o leque de inferência geológica.

Telescópio SOAR no Cerro Pachón, no Chile, do qual o Brasil é sócio para observação astronômica
Telescópio SOAR no Cerro Pachón (Chile). O Brasil é sócio do SOAR e participa também do Vera Rubin Observatory e do CTA. Foto: NOIRLab / NSF.

O Brasil dentro do mapa global de exoplanetas

O Brasil tem participação direta em alguns dos principais consórcios internacionais de astronomia. Conforme o IAG-USP, o país é sócio do telescópio SOAR no Chile, com tempo de observação garantido e infraestrutura compartilhada.

Em paralelo, o LSST/Vera Rubin Observatory também conta com participação brasileira via 170 profissionais distribuídos em 26 instituições. Esse esforço integra o Brasil ao maior survey de varredura de céu até hoje.

Conforme o INPE e a USP, o país também tem participação no programa SPARC4 do telescópio Pico dos Dias, em Minas Gerais, que faz monitoramento de exoplanetas em colaboração com a NASA.

Em paralelo, o CTA (Cherenkov Telescope Array) tem nó brasileiro previsto na rede internacional de detecção de raios gama. Esse projeto não foca exoplanetas diretamente, mas constrói capacidade técnica nacional em astrofísica de altas energias.

Conforme cobertura do CPG sobre arqueologia avançada usando varredura por partículas cósmicas, o padrão de detecção indireta via radiação tem aplicação ampla. Em paralelo, o JWST mostra como esse princípio chega ao mapeamento de superfícies planetárias a anos-luz.

Próximos alvos do JWST e o futuro do mapeamento de superfícies

Conforme a equipe, o método aplicado ao LHS 3844 b será replicado em outros exoplanetas rochosos próximos a estrelas anãs M. Em paralelo, alvos prioritários incluem GJ 1214 b, GJ 486 b e os planetas internos do sistema TRAPPIST-1.

O JWST tem cerca de 9 anos restantes de combustível operacional, conforme estimativa da NASA. Por isso, o cronograma de observações está sendo otimizado para extrair máximo retorno científico em cada ciclo.

Já o Habitable Worlds Observatory (HWO), telescópio sucessor previsto para a década de 2040, vai assumir o papel de buscar atmosferas em exoplanetas a até 50 anos-luz. Em paralelo, ele combina os ganhos do JWST com tecnologia de coronógrafo para suprimir luz estelar.

Conforme a NASA, a estratégia geral é triagem progressiva. Primeiro, identificar planetas rochosos. Depois, medir se mantêm atmosfera. Por fim, buscar biossinais nas atmosferas que sobreviverem.

O LHS 3844 b é exemplo importante da segunda etapa, com resposta clara: rocha nua, sem atmosfera, sem química complexa. Em paralelo, esse “não” é tão informativo quanto um “sim” para guiar onde a busca deve focar.

Vale ressaltar, contudo, que a interpretação da superfície basáltica versus space weathering depende de modelos espectrais ainda em refinamento. A matéria será atualizada conforme novos dados do JWST sobre LHS 3844 b e exoplanetas similares sejam publicados.

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Gdaowin
Gdaowin
13/05/2026 05:18

Provavelmente é um planeta em formação

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Douglas Avila

Trabalho com tecnologia há 16 anos, hoje 100% focado em IA. Atuo como CAIO (Chief AI Officer) em São Paulo, com foco em receita. Formado em Sistemas para Internet pelo Senac. No Click Petróleo e Gás escrevo sobre tecnologia e inovação aplicadas aos setores estratégicos da economia brasileira: energia, indústria, transporte marítimo, automotivo, ciência e engenharia

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