1. Início
  2. / Construção
  3. / Itália liga tuneladora de 4 mil toneladas e 130 metros de comprimento para devorar 3 km de montanha, com cabeça de corte de 13,46 metros e potência de 10 MW em obra ferroviária de alta velocidade no sul do país
Tempo de leitura 4 min de leitura Comentários 0 comentários

Itália liga tuneladora de 4 mil toneladas e 130 metros de comprimento para devorar 3 km de montanha, com cabeça de corte de 13,46 metros e potência de 10 MW em obra ferroviária de alta velocidade no sul do país

Escrito por Ana Alice
Publicado em 28/05/2026 às 23:18
Assista o vídeoItália aciona tuneladora Partenope para escavar túnel de 3 km em obra de alta velocidade no sul do país. (Imagem: Ilustrativa)
Itália aciona tuneladora Partenope para escavar túnel de 3 km em obra de alta velocidade no sul do país. (Imagem: Ilustrativa)
  • Reação
  • Reação
  • Reação
  • Reação
  • Reação
  • Reação
57 pessoas reagiram a isso.
Reagir ao artigo

Uma das maiores tuneladoras usadas pela Webuild na Europa começou a atuar em uma obra ferroviária no sul da Itália, reunindo engenharia subterrânea, alta velocidade e equipamentos de grande porte em um trecho estratégico.

A Itália colocou em operação a Partenope, tuneladora de cerca de 4 mil toneladas e 130 metros de comprimento, para escavar a galeria Saginara, um túnel ferroviário de 3 quilômetros no trecho Battipaglia–Romagnano da futura linha de alta velocidade Salerno–Reggio Calabria, no sul do país.

De acordo com a Webuild, a máquina tem cabeça de corte de 13,46 metros de diâmetro e 18 motores elétricos que somam 10 MW de potência.

Partenope entra em operação na ferrovia Salerno–Reggio Calabria

A obra é executada por um consórcio liderado pela Webuild para a RFI, empresa do grupo estatal FS Italiane.

Segundo a construtora, a Partenope é a maior tuneladora já usada pela companhia na Itália e na Europa e a primeira a entrar em operação nesse trecho da linha Salerno–Reggio Calabria.

Com operação prevista de forma contínua, a máquina avançará pelas colinas do Vale do Sele, na província de Salerno.

O túnel Saginara ficará entre os municípios de Campagna e Contursi Terme e terá tubo único com via dupla, ou seja, a mesma galeria subterrânea receberá os dois trilhos da ferrovia.

Tuneladora Partenope - Imagem: Reprodução/Webuild
Tuneladora Partenope – Imagem: Reprodução/Webuild

Como funciona uma tuneladora de 4 mil toneladas

Em obras desse tipo, a cabeça de corte funciona como a parte frontal da tuneladora.

Ela gira contra o maciço, fragmenta solo e rocha e permite a retirada do material escavado por sistemas internos.

Conforme o método construtivo adotado, a máquina também trabalha de forma integrada à instalação ou preparação do revestimento que dá sustentação ao túnel.

O porte da Partenope está ligado às características do traçado.

Uma galeria de via dupla exige escavação de grande diâmetro, além de controle técnico sobre estabilidade, ventilação, retirada de material e segurança operacional.

Segundo a Webuild, mais de 100 técnicos especializados participam da operação e da manutenção do equipamento.

A potência instalada, de 10 MW, é usada para mover a estrutura e acionar a cabeça de corte durante a perfuração.

O ritmo de avanço pode variar conforme as condições geológicas encontradas, como dureza da rocha, presença de água, comportamento do terreno e necessidades de revestimento.

O trecho Battipaglia–Romagnano e os túneis da obra

No lote 1A Battipaglia–Romagnano, a escavação mecanizada terá quatro tuneladoras.

Elas serão usadas para abrir oito túneis ao longo de um trecho de 35 quilômetros da nova ferrovia, que também prevê viadutos, túneis artificiais e conexão com linhas já existentes.

A Partenope é a primeira dessas máquinas em atividade no projeto.

Outras duas tuneladoras de grande porte foram programadas para escavar os túneis Serra Lunga, Acerra, Petrolla, Caterina e Sicignano.

Uma quarta máquina, já utilizada anteriormente no Grand Paris Express, na França, foi reformada para atuar nos túneis Piano Grassi e Contursi, segundo informações divulgadas pela Webuild.

O reaproveitamento dessa quarta tuneladora foi feito em uma unidade industrial da Webuild em Terni, criada para regenerar tuneladoras e outros equipamentos pesados.

O procedimento envolve desmontagem, inspeção, substituição de componentes e adequação da máquina às características do novo canteiro.

Assista o vídeo
Vídeo do YouTube

Alta velocidade no sul da Itália

A linha Salerno–Reggio Calabria integra o plano de ampliação da infraestrutura ferroviária de alta velocidade e alta capacidade no sul da Itália.

A FS Italiane classifica o corredor como estratégico para passageiros e cargas por conectar regiões do norte e do sul do país.

No lote 1A, o Consórcio Xenia é responsável pelos trabalhos.

O grupo é liderado pela Webuild e tem participação de Pizzarotti, Ghella e Tunnel Pro.

O trecho inclui a ligação entre Battipaglia e Romagnano e um entroncamento em Romagnano, projetado para permitir conexão com a linha existente Battipaglia–Metaponto–Potenza.

Engenharia subterrânea em obras ferroviárias

A engenharia envolvida na obra ilustra o uso de equipamentos de grande escala em projetos subterrâneos.

Diferentemente de métodos convencionais de escavação, uma tuneladora concentra perfuração, remoção de material e apoio ao revestimento em um processo contínuo, reduzindo a exposição direta de trabalhadores à frente de escavação.

Mesmo com alto grau de mecanização, a operação depende de equipes técnicas.

Profissionais acompanham parâmetros de avanço, pressão, torque, desgaste da cabeça de corte, retirada de material e resposta do terreno.

Esses dados orientam ajustes durante a perfuração e ajudam a manter o controle da escavação.

Túneis e viadutos também têm papel central em linhas ferroviárias de alta velocidade porque permitem traçados mais regulares em áreas de relevo complexo.

No caso do lote Battipaglia–Romagnano, a Webuild informa que o trecho terá 35 quilômetros de extensão, 19 viadutos e cerca de 18 quilômetros em percurso subterrâneo.

A Ghella informa que a linha foi projetada para permitir velocidades de até 300 km/h nesse trecho.

A entrada da Partenope em operação marca uma etapa técnica da construção da linha Salerno–Reggio Calabria.

A partir da escavação do túnel Saginara, a obra passa a depender do desempenho da máquina no subsolo e das condições encontradas ao longo dos 3 quilômetros de galeria.

Inscreva-se
Notificar de
guest
0 Comentários
Mais recente
Mais antigos Mais votado
Ana Alice

Redatora e analista de conteúdo. Escreve para o site Click Petróleo e Gás (CPG) desde 2024 e é especialista em criar textos sobre temas diversos como economia, empregos e forças armadas.

Compartilhar em aplicativos
Baixar aplicativo
Ir para o vídeo em destaque
0
Adoraríamos sua opnião sobre esse assunto, comente!x