Usina de dessalinização de Sorek produz 624 mil m³ por dia e vende água a US$ 0,58/m³, tornando Israel líder mundial em dessalinização economicamente viável.
A usina de dessalinização de Sorek se ergue sobre terreno arenoso a cerca de 15 quilômetros ao sul de Tel Aviv, na costa do Mar Mediterrâneo. Inaugurada em 2013 após investimento de US$ 500 milhões, ela produz 624 mil metros cúbicos de água potável por dia — equivalente a 624 milhões de litros diários ou 7,23 metros cúbicos por segundo. Essa capacidade é suficiente para abastecer uma cidade com mais de 2 milhões de habitantes e representa sozinha cerca de 20% do consumo doméstico de todo Israel.
Mas o feito mais impressionante não é apenas o volume: Sorek conseguiu quebrar a barreira econômica que historicamente tornava a dessalinização proibitiva. A planta vende água ao governo israelense por US$ 0,58 por metro cúbico — ou aproximadamente US$ 0,70 por mil litros quando se incluem custos de distribuição. Esse valor representa metade do custo praticado uma década antes e coloca Israel na vanguarda mundial da dessalinização economicamente viável.
Raphael Semiat, engenheiro químico e especialista em dessalinização do Instituto de Tecnologia de Israel (Technion) em Haifa, resume: “Esta é realmente a água mais barata da dessalinização da água do mar produzida no mundo. Não temos que lutar pela água, como fizemos no passado.”
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Inovação tecnológica na osmose reversa que reduziu o custo da dessalinização em 50%
A revolução de custo alcançada por Sorek resulta de uma série de inovações tecnológicas implementadas pela IDE Technologies, empresa israelense responsável pelo projeto. A mais significativa foi o uso de vasos de pressão com o dobro do tamanho dos modelos convencionais.
Na osmose reversa, tecnologia empregada por Sorek, a água do mar é forçada sob alta pressão através de membranas semipermeáveis que retêm sal e impurezas. Quanto maiores os vasos de pressão que abrigam essas membranas, mais eficiente se torna o processo por unidade de energia consumida. A IDE desenvolveu vasos de 16 polegadas de diâmetro, dispostos verticalmente, contra os 8-12 polegadas padrão em plantas anteriores.
Essa mudança geométrica teve impacto dramático: os vasos maiores permitem instalar mais membranas por unidade, reduzem perdas de carga e otimizam o fluxo hidráulico. O resultado é um dos menores consumos energéticos do mundo para usinas de dessalinização em larga escala.
Além dos vasos ampliados, Sorek incorpora bombas altamente eficientes e dispositivos avançados de recuperação de energia.
Quando a água salgada concentrada (salmoura) é rejeitada após passar pelas membranas, ela ainda está sob alta pressão. Sistemas de recuperação capturam essa pressão residual e a transferem para a água do mar entrante. Em Sorek, a taxa de recuperação energética supera 90%.
Modelo de Parceria Público-Privada (PPP) que transformou o financiamento da água em Israel
Sorek não pertence ao governo israelense. Foi construída e é operada pela IDE Technologies por meio de um modelo de Parceria Público-Privada (PPP).
O Estado não investiu os US$ 500 milhões de construção; assinou contrato de longo prazo comprometendo-se a comprar toda a água produzida por preço fixo de US$ 0,58 por metro cúbico.
Após 25 anos de operação, a propriedade da usina será transferida ao Estado israelense. Durante esse período, a IDE assume todos os riscos de construção, operação, manutenção e financiamento, enquanto o governo garante demanda estável por meio de contratos do tipo take-or-pay.
Esse modelo reduziu o risco fiscal, atraiu capital privado e criou incentivos para eficiência máxima. A experiência foi replicada nas demais plantas do país.
Cinco usinas de dessalinização garantem até 80% do consumo doméstico de Israel
Sorek foi a terceira grande planta de dessalinização construída em Israel, após Ashkelon (2005) e Hadera (2009). Posteriormente vieram Palmachim e Ashdod (2015), e está em construção Sorek 2.
Juntas, as cinco plantas convertem aproximadamente 2 milhões de metros cúbicos de água do mar em água doce diariamente, mais de 700 milhões de m³ por ano. Isso representa 70-80% do consumo doméstico de Israel.
O país produz atualmente 20% mais água do que necessita, criando margem de segurança para períodos de seca.
Custo da dessalinização versus água natural: segurança hídrica acima do preço
Grandes plantas de osmose reversa em Israel produzem água por cerca de US$ 0,54 por metro cúbico, valor superior à água doce natural estimada em US$ 0,10, mas competitivo internacionalmente.
Israel paga mais por metro cúbico, mas compra segurança de abastecimento mesmo durante secas severas, em uma região cada vez mais impactada pelas mudanças climáticas.
Sorek 2 estabeleceu novo recorde com preço de US$ 0,41 por metro cúbico, redução adicional de 30%.
Reúso de água: 87% do esgoto tratado retorna para a agricultura
A dessalinização é apenas parte da estratégia hídrica israelense. Aproximadamente 94% do esgoto é coletado e tratado, e 87% é reutilizado, principalmente na agricultura — a maior taxa de reúso do mundo.
A planta Shafdan, próxima a Tel Aviv, processa cerca de 370 milhões de litros por dia. Essa água é tratada e enviada ao deserto do Negev para irrigação.
Israel também desenvolveu o sistema de irrigação por gotejamento, que fornece água diretamente às raízes com desperdício mínimo. O controle rigoroso de perdas na rede mantém desperdícios em apenas 7%, uma das taxas mais baixas do planeta.
Da crise hídrica de 2005 à autossuficiência e bombeamento reverso do Mar da Galileia
A grande virada ocorreu após a seca iniciada em 2005. O Mar da Galileia (Lago Kinneret) atingiu níveis críticos históricos. Israel enfrentava colapso hídrico iminente.
Com a expansão da dessalinização e o comissionamento de Sorek em 2013, o país reduziu o consumo de fontes naturais de 513 milhões de m³ por ano para apenas 25 milhões — queda de 95%.
Em 2023, Israel inaugurou sistema de bombeamento reverso que permite encher o Mar da Galileia com água dessalinizada excedente. Pela primeira vez, o país reabastece seu principal reservatório natural.
Exportação da tecnologia israelense de dessalinização e gestão hídrica
O modelo israelense combina dessalinização em larga escala, reúso massivo, irrigação eficiente e controle rigoroso de perdas.
Israel ofereceu parceria ao Brasil para instalar usina piloto no Nordeste, região que sofreu seca severa entre 2012-2015.
Delegações internacionais visitam regularmente Sorek para estudar o modelo.
Impactos ambientais da dessalinização e desafios energéticos
A salmoura hipersalina descartada pode afetar ecossistemas marinhos. Israel trabalha com diluição controlada, monitoramento ambiental e pesquisa para extração de minerais como lítio, magnésio e bromo.
O consumo energético das plantas gira entre 3 e 4 kWh por metro cúbico, totalizando milhões de kWh diários. Israel integra gradualmente energia solar para reduzir a pegada de carbono.
A ONU prevê que quase 2 bilhões de pessoas viverão em regiões com escassez de água em 10 anos. Relatórios alertam para possível déficit global de 40% até 2030.
Israel demonstrou que, combinando tecnologia de ponta, modelo financeiro inovador, gestão integrada e planejamento de longo prazo, é possível transformar um país árido em referência mundial de segurança hídrica.


Apenas uma observação: os produtores desta “água” não bebem dela nenhuma gota. Mas, bem, para que serve a palavra “importação”? Vou comprar água importada que é melhor.
Leia atentamente e saiba para que tipo de utilização serve esta “agua”. Não se transforma em água potável!!!ou melhor água para beber .