1. Início
  2. / Ciência e Tecnologia
  3. / Tubarão da Groenlândia pode viver por séculos e agora cientistas sequenciaram 96,7% do genoma do animal, revelando pistas genéticas ligadas ao reparo do DNA, resistência ao câncer e envelhecimento extremo
Tempo de leitura 3 min de leitura Comentários 0 comentários

Tubarão da Groenlândia pode viver por séculos e agora cientistas sequenciaram 96,7% do genoma do animal, revelando pistas genéticas ligadas ao reparo do DNA, resistência ao câncer e envelhecimento extremo

Escrito por Fabio Lucas Carvalho
Publicado em 04/06/2026 às 13:18
Atualizado em 04/06/2026 às 13:33
Genoma do tubarão da Groenlândia revela pistas sobre longevidade, reparo do DNA, imunidade e resistência ao câncer.
Genoma do tubarão da Groenlândia revela pistas sobre longevidade, reparo do DNA, imunidade e resistência ao câncer.
Seja o primeiro a reagir!
Reagir ao artigo

Sequenciamento de 96,7% do genoma do tubarão da Groenlândia revelou alterações ligadas à estabilidade do DNA, reparo celular, imunidade e controle do ferro, oferecendo novas pistas sobre como esse vertebrado pode viver por séculos e evitar doenças associadas ao envelhecimento

O tubarão da Groenlândia, vertebrado mais longevo do mundo, teve 96,7% de seu genoma sequenciado em estudo publicado em 19 de maio na PNAS, revelando pistas genéticas sobre longevidade, resistência ao câncer e reparo do DNA.

Genoma do tubarão da Groenlândia revela pistas sobre vida extrema

A pesquisa foi conduzida por Shigeharu Kinoshita, químico pesqueiro da Universidade de Tóquio, e colegas. O trabalho analisou quase toda a sequência genética de uma espécie pouco conhecida, que vive no Atlântico Norte e nos oceanos Árticos.

Esses tubarões geralmente atingem entre 4 e 5 metros de comprimento e podem habitar profundidades de até 2,65 quilômetros. A vida em águas frias e profundas dificulta a observação, tornando cada nova informação genética relevante.

As estimativas indicam que o tubarão da Groenlândia pode viver cerca de 400 anos e só alcançar a maturidade por volta dos 150 anos. Esse ciclo desperta interesse porque combina crescimento lento, longa sobrevivência e aparente resistência a doenças da idade.

Estabilidade do DNA aparece como peça central

Entre os achados, os pesquisadores identificaram alterações em proteínas chamadas histonas de ligação, que ajudam a enrolar e compactar o DNA. Essas mudanças envolvem substituições únicas de aminoácidos e podem estabilizar a cromatina, estrutura formada por DNA e proteínas nos cromossomos.

Kinoshita explicou à Live Science que essa estabilidade pode ajudar a reduzir o acúmulo de danos no DNA ao longo de uma vida excepcionalmente longa. Em organismos que vivem por séculos, limitar esse desgaste celular é uma possível vantagem biológica.

O estudo também encontrou expansão de famílias de genes ligadas às respostas imunes e ao reparo do DNA. Para Kinoshita, esse resultado sustenta a ideia de que reparo eficiente e regulação imunológica são componentes da longevidade e da resistência ao câncer.

Controle do ferro pode reduzir estresse celular

Outro ponto destacado foi a expansão de genes de ferritina, envolvidos no armazenamento e na regulação do ferro. Essa característica sugere maior capacidade de controlar esse metabolismo e limitar o estresse oxidativo, processo capaz de danificar o DNA e favorecer câncer.

A ampliação desses genes também pode indicar restrição da ferroptose, uma forma de morte celular programada dependente de ferro. O conjunto reforça a hipótese de que a longevidade extrema depende de vários sistemas biológicos atuando de forma coordenada.

Kinoshita afirmou que as análises apontam maior estabilidade genômica e resistência ao estresse. Para ele, a vida longa do tubarão não vem de um único gene, mas de mudanças integradas no genoma, ferro, imunidade e estresse.

Descoberta ainda exige testes funcionais

Dorota Skowronska-Krawczyk, fisiologista e biofísica da Universidade da Califórnia em Irvine, não participou do estudo, mas avaliou que imunidade, reparo do DNA, estabilidade da cromatina e resistência ao câncer podem ajudar a explicar a longevidade da espécie.

Ela destacou, porém, que estudos funcionais serão necessários para testar diretamente essa relação. A pesquisadora já havia mostrado como genes de reparo do DNA na retina podem ajudar a preservar a visão do tubarão da Groenlândia.

Aaron MacNeil, biólogo da Universidade Dalhousie, na Nova Escócia, também não participou da pesquisa e considera que os resultados sustentam a ideia de uma espécie muito longeva. Ainda assim, ele vê com cautela a estimativa de 400 anos.

Essa estimativa vem de traços de radiocarbono deixados por testes nucleares da Guerra Fria nas lentes oculares dos tubarões. Como elas crescem em camadas, a posição do isótopo fixa uma referência temporal.

MacNeil observa que a mistura lenta das camadas oceânicas profundas e frias pode ter atrasado a chegada desse radiocarbono ao ambiente dos tubarões, elevando a estimativa. Mesmo assim, ele afirma que esses animais têm pelo menos 200 anos.

Inscreva-se
Notificar de
guest
0 Comentários
Mais recente
Mais antigos Mais votado
Fabio Lucas Carvalho

Jornalista especializado em uma ampla variedade de temas, como carros, tecnologia, política, indústria naval, geopolítica, energia renovável e economia. Atuo desde 2015 com publicações de destaque em grandes portais de notícias. Minha formação em Gestão em Tecnologia da Informação pela Faculdade de Petrolina (Facape) agrega uma perspectiva técnica única às minhas análises e reportagens. Com mais de 10 mil artigos publicados em veículos de renome, busco sempre trazer informações detalhadas e percepções relevantes para o leitor.

Compartilhar em aplicativos
0
Adoraríamos sua opnião sobre esse assunto, comente!x