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Estudantes indianos criam “filtro solar para bueiros” que prende lixo, óleo, metais pesados e microplásticos antes que a enxurrada chegue aos lagos urbanos e transforma redes de drenagem em barreira contra poluição invisível

Escrito por Ana Alice
Publicado em 07/06/2026 às 22:51
Atualizado em 07/06/2026 às 23:02
Estudantes indianos criam filtro para bueiros capaz de reter lixo, óleo, metais pesados e microplásticos antes dos lagos. (Imagem: Ilustrativa)
Estudantes indianos criam filtro para bueiros capaz de reter lixo, óleo, metais pesados e microplásticos antes dos lagos. (Imagem: Ilustrativa)
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Protótipo criado por estudantes na Índia usa filtragem em múltiplas etapas e energia solar para tentar conter poluentes urbanos antes que eles cheguem a lagos e outros corpos d’água.

Estudantes da Excel Public School, em Mysuru, no sul da Índia, desenvolveram um protótipo modular de filtragem para redes de drenagem urbana com o objetivo de reduzir a chegada de poluentes a lagos e outros corpos d’água.

Batizado de Project Shudhi, o sistema foi pensado para ser instalado em pontos da rede pluvial e reter resíduos sólidos, sedimentos, óleos, metais pesados e microplásticos transportados pela água da chuva.

O projeto foi criado por Dishaa Arjun, do 9º ano, e por Saanvi Bojamma K. M. e Amritha Biligiri Prashanth, do 10º ano, sob orientação do mentor Akhil Sasankan.

A iniciativa recebeu o primeiro lugar na final do Vision Mysuru-2050, evento organizado pelo SDM Institute for Management Development, em uma disputa que reuniu 317 inscrições, segundo publicação do jornal indiano Star of Mysore.

A proposta parte de um problema comum em centros urbanos: a água da chuva, ao escorrer por ruas, calçadas, áreas pavimentadas e pontos de descarte irregular, pode carregar diferentes tipos de resíduos para galerias pluviais.

Esse material, quando não é retido no caminho, chega a lagos, córregos e reservatórios, afetando a qualidade da água e aumentando a pressão sobre os sistemas de limpeza e manejo urbano.

No caso de Mysuru, os estudantes relataram que a ideia surgiu após observarem a situação de lagos da cidade, incluindo o Koorgalli, e o uso de canais de drenagem como pontos de descarte de lixo.

A partir dessa constatação, a equipe passou quase um ano pesquisando formas de interceptar os poluentes ainda na origem, antes que fossem levados pela enxurrada até os corpos d’água.

Como funciona o filtro criado pelos estudantes

O Project Shudhi foi concebido como uma unidade de filtragem em múltiplas etapas.

Em vez de usar apenas uma grade ou barreira física, o protótipo reúne processos diferentes para lidar com materiais de tamanhos e composições variadas.

A descrição divulgada pelos responsáveis aponta o uso de aeração, separação por vórtice, captura de sedimentos e meios de adsorção.

Cada etapa tem uma função específica dentro do sistema.

A separação por vórtice ajuda a direcionar partículas conforme peso e movimento da água.

A captura de sedimentos retém terra, areia e detritos menores.

Já os meios de adsorção são empregados para prender contaminantes que não seriam removidos apenas por filtragem simples.

Segundo a equipe, o protótipo foi construído com materiais acessíveis e de baixo custo, incluindo componentes reaproveitados.

A intenção declarada é facilitar a instalação em redes já existentes e reduzir a necessidade de manutenção complexa.

O sistema também foi descrito como alimentado por energia solar, característica que pode permitir operação em pontos da drenagem sem depender diretamente da rede elétrica.

A estrutura modular é outro aspecto apresentado pelos estudantes.

Esse formato permite adaptar a unidade a diferentes pontos da cidade, já que nem todos os bueiros ou canais recebem o mesmo volume de água, a mesma quantidade de resíduos ou o mesmo tipo de poluição.

Em áreas de maior acúmulo de lixo, por exemplo, a etapa de retenção física tende a ser mais exigida; em outras, sedimentos e resíduos oleosos podem ser o principal problema.

Imagem ilustrativa do Project Shudhi
Imagem ilustrativa do Project Shudhi

Poluição urbana levada pela água da chuva

A poluição carregada pela enxurrada nem sempre aparece na superfície da água.

Garrafas, sacolas e embalagens são facilmente identificadas, mas partículas menores, resíduos de óleo, fragmentos plásticos e materiais associados ao desgaste urbano podem seguir misturados ao fluxo da drenagem.

Quando chegam a lagos ou córregos, tornam a remoção mais difícil.

No relato divulgado sobre o Project Shudhi, a equipe afirma ter identificado tanto resíduos visíveis quanto contaminantes em escala menor durante a fase de pesquisa.

Essa observação orientou a criação de um sistema que não se limita a bloquear lixo grande, mas também busca reduzir a entrada de materiais finos e substâncias associadas à degradação da água.

A retenção próxima à fonte é uma estratégia adotada em diferentes modelos de gestão de águas pluviais.

Ela não substitui saneamento básico, fiscalização contra descarte irregular nem limpeza urbana, mas pode funcionar como uma camada adicional de controle.

Quando parte do resíduo é recolhida antes de atingir canais maiores, a retirada tende a ser operacionalmente mais simples.

Em cidades com crescimento acelerado, as redes de drenagem são frequentemente pressionadas por volumes maiores de água e por descarte inadequado de resíduos.

Nessas condições, bueiros e galerias deixam de transportar apenas água da chuva e passam a conduzir também lixo e contaminantes.

O protótipo indiano foi desenvolvido justamente para atuar nesse ponto intermediário entre a rua e o corpo d’água.

Projeto escolar mira aplicação em redes de drenagem

Embora tenha sido desenvolvido por estudantes da educação básica, o Project Shudhi foi apresentado como uma solução voltada ao manejo urbano.

A proposta combina observação de campo, pesquisa sobre poluentes e aplicação de princípios de física e química em um protótipo funcional.

O trabalho também foi enquadrado no contexto de planejamento de longo prazo de Mysuru, tema central do Vision Mysuru-2050.

De acordo com a divulgação do projeto, a unidade foi pensada para apoiar autoridades locais e comunidades na gestão sustentável da água.

A expectativa dos estudantes é que, com uso contínuo, o sistema ajude a reduzir a carga de poluentes, proteger organismos aquáticos e diminuir condições associadas à proliferação de algas.

Esses pontos, porém, foram apresentados como objetivos do projeto, e não como resultados já comprovados em operação em larga escala.

Até o momento, não foram encontrados dados públicos independentes sobre percentuais de remoção de microplásticos, metais pesados, óleos ou sedimentos pelo protótipo.

Também não há confirmação de aplicação ampla em uma rede municipal de drenagem.

Por esse motivo, a iniciativa deve ser tratada como um modelo experimental premiado, e não como tecnologia já validada por testes urbanos de longo prazo.

A proposta, ainda assim, mostra como estruturas comuns da cidade podem ser usadas para reduzir a chegada de resíduos aos corpos d’água.

Bueiros costumam ser lembrados apenas durante alagamentos ou entupimentos, mas, quando recebem dispositivos de retenção e filtragem, podem atuar como pontos de interceptação de poluentes no trajeto da enxurrada.

Premiação Vision Mysuru 2050 (Imagem: Reprodução/Star of Mysore)
Premiação Vision Mysuru 2050 (Imagem: Reprodução/Star of Mysore)

Bueiros como barreira contra microplásticos e resíduos

A água pluvial percorre um caminho curto entre as ruas e os corpos d’água.

Em muitos casos, esse percurso não passa por tratamento antes de chegar a lagos ou córregos.

Por isso, soluções instaladas na própria rede de drenagem são estudadas como forma de reduzir a poluição difusa, nome dado à contaminação que não vem de uma única fonte identificável, mas de várias superfícies urbanas.

No caso do Project Shudhi, a escolha do bueiro como ponto de atuação permite reter parte do material antes que ele se espalhe.

Uma embalagem presa em uma unidade de filtragem pode ser retirada durante a manutenção.

O mesmo resíduo, quando chega a um lago, pode se fragmentar, afundar ou circular por áreas maiores, dificultando a limpeza.

A lógica também se aplica a sedimentos e partículas pequenas.

Quando esses materiais entram em corpos d’água, podem se depositar no fundo ou permanecer em suspensão.

Em ambos os casos, o controle se torna mais complexo do que a retenção em uma estrutura de drenagem acessível por equipes de manutenção.

O prêmio recebido pelos estudantes coloca o Project Shudhi entre as propostas de inovação voltadas à conservação de lagos urbanos em Mysuru.

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Ana Alice

Redatora e analista de conteúdo. Escreve para o site Click Petróleo e Gás (CPG) desde 2024 e é especialista em criar textos sobre temas diversos como economia, empregos e forças armadas.

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