A BYD confirmou que desenvolve robôs humanoides e estuda vendê-los nas suas concessionárias pelo mundo. A fabricante chinesa quer aproveitar as mesmas baterias, motores e a inteligência artificial dos seus carros para criar as máquinas, mas ainda não há data nem preço de lançamento.
Imagine entrar em uma concessionária e, em vez de um carro, sair com um robô humanoide. É esse o futuro que a BYD, maior fabricante de carros elétricos da China, está desenhando. A empresa confirmou que desenvolve robôs humanoides e avalia vendê-los na própria rede de concessionárias espalhada pelo mundo.
A informação foi dada por Li Ke, vice-presidente executiva da BYD, em uma entrevista recente. Segundo portal IG, as mesmas baterias, motores elétricos, sensores e sistemas de inteligência artificial dos veículos da marca podem ser aproveitados nos robôs humanoides. Por enquanto, porém, não há data de lançamento, preço nem especificações confirmadas.
Por que a BYD quer vender robôs humanoides nas concessionárias

A grande sacada da estratégia é o canal de vendas. Em vez de criar uma estrutura do zero, a BYD pretende aproveitar sua presença global, principalmente as concessionárias da marca, para transformá-las em pontos de venda, locais de demonstração e serviço de pós-venda dos robôs humanoides.
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Seria o mesmo balcão que hoje vende carros passando a oferecer máquinas autônomas.
Segundo Li Ke, se esses robôs se tornarem produtos para uso doméstico no futuro, a vasta rede de concessionárias da empresa, na China e em outros mercados, seria o caminho natural para chegar ao consumidor.
Com isso, a BYD pode largar na frente de empresas de robótica que dominam a tecnologia, mas ainda esbarram na dificuldade de vender e dar suporte aos produtos pelo mundo.
Baterias, motores e inteligência artificial: a ponte entre carro e robô
A aposta faz sentido porque carro e robô compartilham muita tecnologia. De acordo com Li Ke, a inteligência artificial usada nos automóveis e a da robótica têm a mesma base, já que ambas dependem de percepção, tomada de decisão, controle de movimento e integração entre software e hardware.
Na prática, os robôs humanoides reúnem componentes que já estão nos veículos inteligentes, como sensores, atuadores elétricos, baterias e plataformas de computação.
É aí que entra a vantagem da BYD. Como uma das maiores montadoras do mundo, que vendeu mais de 321 mil veículos só em abril de 2026, a empresa tem escala de produção e domínio da cadeia de fornecimento para fabricar hardware complexo a custo mais baixo.
As baterias, uma das especialidades da casa, e a experiência em inteligência artificial automotiva são justamente os ativos que a companhia pretende transferir para os robôs.
Um projeto que começou em 2022 e uma plataforma aberta
O interesse da BYD por robôs não é de agora. Segundo reportagens da imprensa especializada, a empresa toca um projeto interno de robôs humanoides, com o codinome Yao-Shun-Yu, iniciado em 2022 dentro de uma unidade dedicada a eletrônica e inteligência.
A ideia em estudo é montar uma plataforma aberta, em que a BYD fabrique seus próprios robôs e, ao mesmo tempo, acomode produtos desenvolvidos com parceiros, o que ajudaria a acelerar o desenvolvimento.
Li Ke também fez um diagnóstico do setor para justificar a entrada da empresa. Para ela, os robôs feitos na China ainda carecem de um bom cérebro, enquanto os dos Estados Unidos têm cérebro forte, mas membros fracos, e a meta da BYD é entregar máquinas equilibradas nas duas frentes.
A executiva chegou a comentar que a própria companhia poderia ser uma grande compradora dos robôs, usando as máquinas em suas fábricas.
Sem data de lançamento e numa corrida com Tesla e outras
Apesar do entusiasmo, é preciso separar o plano da realidade. A BYD não confirmou data de lançamento, preço nem ficha técnica dos robôs humanoides, o que mantém o projeto, por ora, no campo das intenções.
O caminho até a prateleira de uma concessionária ainda é longo e cheio de desafios técnicos e de custo.
A empresa também não está sozinha nessa corrida. Companhias como Tesla, Hyundai e XPeng investem em projetos parecidos, voltados a usos no comércio, na indústria e em residências, e a chinesa Chery já chegou a colocar à venda o humanoide Mornine M1.
A maioria desses produtos, assim como o da BYD, ainda está prevista para os próximos anos, o que torna a disputa pela sala de estar do consumidor uma aposta de médio prazo.
Comprar um robô humanoide na mesma concessionária onde se compra um carro elétrico é o tipo de cena que parecia distante e agora entrou nos planos da BYD.
Conte nos comentários se você levaria para casa um robô humanoide da BYD e para que o usaria no dia a dia.

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