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Escondido sob a vegetação densa do México, assentamento maia revela 80 construções, mural colorido, praça monumental e estruturas de até 14 metros que podem ser apenas o começo de uma cidade ancestral ainda maior

Escrito por Ana Alice
Publicado em 07/06/2026 às 23:09
Atualizado em 07/06/2026 às 23:14
Assista o vídeoSítio maia El Jefeciño revela 80 construções, mural colorido e estruturas monumentais sob a selva mexicana. (Imagem: Ilustrativa)
Sítio maia El Jefeciño revela 80 construções, mural colorido e estruturas monumentais sob a selva mexicana. (Imagem: Ilustrativa)
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Sítio maia registrado no sul de Quintana Roo reúne construções monumentais, pintura mural, abóbadas preservadas e vestígios humanos em uma área de selva ainda em fase preliminar de investigação arqueológica.

Um assentamento maia com 80 construções, edifícios monumentais, vestígios de pintura mural e estruturas de até 14 metros de altura foi registrado no sul de Quintana Roo, no México, em uma área de selva que ainda pode preservar setores não mapeados da antiga ocupação.

O sítio, chamado El Jefeciño, fica no município de Othón P. Blanco e ocupa, segundo dados preliminares do Instituto Nacional de Antropologia e História do México, o INAH, pelo menos 100 hectares.

A extensão real ainda depende de estudos complementares.

O conjunto reúne uma praça em forma de “C”, cinco edifícios principais, ao menos três abóbadas maias preservadas, restos de estuque com pintura decorativa e fragmentos de ossos humanos que podem estar ligados a um contexto funerário, conforme informou o INAH.

As informações divulgadas até agora fazem parte de um registro arqueológico inicial, sem escavação ampla ou retirada sistemática de materiais do local.

Moradores da região informaram a existência da área às autoridades durante ações do Projeto de Salvamento Arqueológico do Trem Maia, no trecho 7 da obra.

A partir desse aviso, equipes do INAH realizaram trabalhos de reconhecimento para documentar as estruturas, avaliar o estado de conservação e estimar a dimensão do assentamento.

O que há dentro de El Jefeciño

As primeiras análises associam El Jefeciño ao período Clássico maia, entre 250 e 900 d.C., fase em que diferentes regiões da área maia desenvolveram formas próprias de ocupação, arquitetura e organização urbana.

No sítio recém-registrado, os arqueólogos identificaram elementos provavelmente ligados ao estilo Petén, como edifícios abobadados de grande porte, esquinas arredondadas e remetidas, além de molduras em delantal.

Essas características ajudam a diferenciar o achado de estruturas isoladas cobertas pela vegetação.

A disposição dos edifícios indica a existência de uma área central organizada, com monumentos distribuídos em torno de uma praça.

Segundo os pesquisadores envolvidos no registro, esse arranjo permite tratar o local como um núcleo arquitetônico, embora ainda não haja dados suficientes para definir sua função política ou administrativa.

A arqueóloga Diana Blancas Olvera, responsável pela Zona Arqueológica de Kohunlich, afirmou que “foi possível observar o que corresponderia à área nuclear” do assentamento.

Essa área concentra cinco edifícios com alturas entre 11 e 14 metros e comprimentos que variam de 16 a 40 metros.

O conjunto forma uma praça em “C”, configuração citada pelo INAH na descrição preliminar do sítio.

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Pintura mural e possíveis vestígios funerários

Um dos pontos descritos no registro aparece no edifício identificado como 53035, no setor nordeste da área.

Nesse local, os pesquisadores observaram restos de estuque com pintura mural decorativa.

As cores identificadas incluem branco e laranja, além de faixas vermelhas, conforme a descrição atribuída à equipe arqueológica.

De acordo com Sonny Moisés Ojeda González, responsável pela Zona Arqueológica de Dzibanché-Kinichná, a pintura tem caráter decorativo, não narrativo.

A informação limita a interpretação do achado ao que foi observado em campo, sem indicar, por enquanto, a existência de cenas, personagens ou episódios representados no mural.

No mesmo edifício, foram localizados fragmentos de ossos humanos.

O INAH informou que esses vestígios podem corresponder a um contexto de enterramento, mas essa leitura ainda depende de análises específicas.

Como o levantamento permanece em fase preliminar, não há confirmação pública sobre a identidade, a datação ou as circunstâncias associadas aos restos encontrados.

A presença de pintura mural em uma construção desse tipo fornece dados sobre técnicas de acabamento, uso de pigmentos e práticas decorativas ligadas à ocupação do espaço.

Ainda assim, sem escavação detalhada e análise laboratorial, não é possível atribuir função ritual, residencial ou administrativa ao edifício apenas com base nos elementos divulgados.

Construções maias indicam etapas de ocupação

Os arqueólogos identificaram, de forma superficial, pelo menos três momentos construtivos em El Jefeciño.

A fase mais antiga apresenta moldura em delantal, associada ao estilo Petén.

Em outro momento, teria sido erguido o edifício com pintura mural.

Uma etapa posterior inclui estruturas com sinais de colapso e possíveis escadarias.

Mesmo com essa divisão inicial, a equipe considera que o assentamento pode ter passado por mais fases de construção.

Ojeda González afirmou que, pelo tamanho dos edifícios, é possível inferir a existência de pelo menos quatro ou cinco etapas construtivas.

A declaração foi apresentada como uma avaliação preliminar dos pesquisadores, não como conclusão definitiva.

As abóbadas maias também integram o conjunto documentado pelo INAH.

Três delas foram identificadas no interior de alguns edifícios, em bom estado de conservação, segundo o instituto.

Esse tipo de cobertura foi construído com o sistema de saledizo, no qual as partes superiores das paredes avançam gradualmente até reduzir o vão e permitir o fechamento do espaço.

A técnica aparece em diferentes áreas da arquitetura maia e permitia a construção de ambientes cobertos sem o uso de arco verdadeiro.

No caso de El Jefeciño, o registro dessas abóbadas contribui para a identificação do padrão arquitetônico do sítio, mas ainda não define a função específica dos edifícios onde foram encontradas.

Selva de Quintana Roo dificulta registro de áreas maias

A vegetação densa de Quintana Roo é um dos fatores que dificultam a identificação de estruturas arqueológicas em campo.

Montículos cobertos por árvores, raízes e sedimentos podem ocultar plataformas, edifícios e outros elementos construídos.

Por esse motivo, levantamentos de superfície, relatos de moradores e tecnologias de mapeamento têm papel importante na documentação de áreas ainda não registradas.

Em El Jefeciño, os pesquisadores ainda não realizaram um salvamento arqueológico completo.

Os materiais permanecem no local, e a análise aprofundada dos vestígios não foi informada como etapa concluída.

O próximo procedimento previsto é o mapeamento com tecnologia LiDAR, recurso usado para registrar alterações no relevo sob a cobertura vegetal e identificar padrões de ocupação.

Esse tipo de levantamento pode ajudar a determinar a extensão real do assentamento, a distribuição dos edifícios e a eventual existência de caminhos, plataformas ou setores ainda não reconhecidos em campo.

No caso de áreas cobertas por floresta tropical, o método permite produzir mapas mais precisos sem depender apenas da observação direta do terreno.

El Jefeciño e os estudos sobre os maias

O registro de El Jefeciño amplia a documentação arqueológica do sul de Quintana Roo e pode contribuir para estudos sobre a distribuição de assentamentos maias no período Clássico.

A região já reúne sítios importantes, e a identificação de um novo conjunto com 80 edifícios acrescenta dados sobre arquitetura, ocupação territorial e possíveis conexões entre comunidades antigas.

A secretária de Cultura do México, Claudia Curiel de Icaza, afirmou que o registro do sítio reforça a proteção do patrimônio arqueológico e amplia o conhecimento sobre a presença maia no sul de Quintana Roo.

Segundo o INAH, o estudo da área pode ajudar a compreender relações sociais entre comunidades da região e a forma como diferentes assentamentos se articulavam.

Os dados disponíveis ainda não permitem estimar a população de El Jefeciño, definir sua hierarquia em relação a outros centros maias ou confirmar vínculos com dinastias conhecidas.

Também não há informação segura sobre a extensão total do sítio, uma vez que o mapeamento com LiDAR ainda é etapa prevista.

Até agora, o registro mostra um assentamento pré-hispânico de grandes dimensões, com arquitetura monumental, pintura mural, abóbadas e indícios de diferentes fases construtivas.

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Ana Alice

Redatora e analista de conteúdo. Escreve para o site Click Petróleo e Gás (CPG) desde 2024 e é especialista em criar textos sobre temas diversos como economia, empregos e forças armadas.

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