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Para conter as tempestades de sal que assolam a Ásia Central, cientistas da China e do Uzbequistão uniram forças no antigo leito do Mar de Aral, plantando espécies tolerantes ao sal e usando energia solar para tentar trazer vida de volta a uma terra que virou deserto

Escrito por Bruno Teles
Publicado em 05/06/2026 às 22:18
Atualizado em 05/06/2026 às 22:24
Assista o vídeoChina e Uzbequistão plantam espécies tolerantes ao sal e usam energia solar no leito seco do Mar de Aral para conter tempestades de sal e recuperar a região.
China e Uzbequistão plantam espécies tolerantes ao sal e usam energia solar no leito seco do Mar de Aral para conter tempestades de sal e recuperar a região.
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Onde antes havia o quarto maior lago do planeta, hoje sobram navios encalhados na areia e nuvens de poeira salgada que adoecem populações inteiras. A aposta agora são plantas capazes de crescer em solo salino e bombas movidas a sol, embora os próprios cientistas admitam que o mar jamais voltará ao tamanho de antes.

Um dos maiores desastres ambientais da história ganhou uma nova frente de combate. Para conter as tempestades de sal que assolam a Ásia Central, cientistas da China e do Uzbequistão uniram forças no antigo leito do Mar de Aral, plantando espécies tolerantes ao sal e usando energia solar para tentar trazer vida de volta a uma terra que virou deserto, num esforço que mistura ciência, cooperação internacional e realismo sobre os limites do que é possível recuperar.

O Mar de Aral, na verdade um grande lago de água salgada situado entre o Uzbequistão e o Cazaquistão, já foi o quarto maior do mundo, mas perdeu mais de 90% de sua área desde a década de 1960, quando começou a secar. O processo, considerado uma catástrofe causada pelo homem, deixou para trás um vasto deserto salgado. A seguir, explicamos o que aconteceu com esse lago, como funciona a iniciativa de recuperação conduzida desde os últimos anos e por que, apesar do avanço, especialistas pregam cautela sobre os resultados.

Como o quarto maior lago do mundo virou deserto

China e Uzbequistão plantam espécies tolerantes ao sal e usam energia solar no leito seco do Mar de Aral para conter tempestades de sal e recuperar a região.
A tragédia do Mar de Aral tem origem em decisões humanas. 

Durante a era soviética, os dois grandes rios que alimentavam o lago foram desviados para irrigar lavouras, sobretudo de algodão, no meio do deserto da Ásia Central, e essa retirada maciça de água fez o Mar de Aral encolher de forma acelerada a partir dos anos 1960, até perder a maior parte de sua superfície original.

O que restou foi o deserto de Aralkum, uma extensão de cerca de 60 mil quilômetros quadrados de solo coberto de sal e resíduos.

Cidades que viviam da pesca, como Moynaq, no Uzbequistão, ficaram a dezenas de quilômetros da água, e hoje exibem navios enferrujados encalhados na areia, num cenário que se tornou símbolo do desastre e atrai pesquisadores e visitantes de todo o mundo.

As tempestades de sal que adoecem a região

China e Uzbequistão plantam espécies tolerantes ao sal e usam energia solar no leito seco do Mar de Aral para conter tempestades de sal e recuperar a região.
O leito seco não é um problema apenas paisagístico. 

O fundo exposto do antigo Mar de Aral se transformou em uma das principais fontes de tempestades de areia e poeira da região, que carregam sal e substâncias tóxicas por centenas de quilômetros, prejudicando a saúde das populações, a qualidade do ar e a economia local do Uzbequistão e dos países vizinhos.

Essas tempestades agravam problemas respiratórios, contaminam o solo agrícola e tornam a vida ainda mais difícil em uma região já castigada pela perda do lago.

É justamente para tentar conter esse fenômeno que entram em cena as iniciativas de recuperação, que buscam estabilizar o solo e reduzir a quantidade de poeira salgada lançada no ar, mesmo sem a expectativa de devolver o mar ao seu tamanho original.

A parceria entre China e Uzbequistão

É nesse ponto que a cooperação internacional ganha protagonismo. 

Cientistas do Instituto de Ecologia e Geografia de Xinjiang, ligado à Academia Chinesa de Ciências, trabalham com pesquisadores do Uzbequistão aplicando a experiência chinesa no combate à desertificação e à salinização do solo, acumulada em regiões áridas do noroeste da China, com condições semelhantes às da bacia do Mar de Aral.

Segundo a Academia Chinesa de Ciências, no início de 2025 o instituto chinês enviou cerca de 1,5 tonelada de sementes de plantas tolerantes ao sal ao Uzbequistão para a criação de um jardim conjunto de espécies salinas, além de levar mais de 200 variedades resistentes ao sal e à seca.

A ideia é cultivar essas plantas nas margens e, depois, no próprio leito seco do lago, apoiando a restauração do ecossistema e servindo de base para pesquisas de biodiversidade.

Plantas que sobrevivem ao sal e bombas movidas a sol

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A estratégia combina biologia e tecnologia limpa. 

O coração da iniciativa são as chamadas plantas halófitas, espécies tolerantes ao sal, como o arbusto saxaul, cujas raízes profundas ajudam a fixar o solo arenoso, conter as tempestades de poeira e reter água, sendo uma das principais apostas para recuperar o terreno degradado ao redor do Mar de Aral.

À tecnologia das plantas soma-se o uso de energia solar.

De acordo com o instituto chinês, foram instalados na região sistemas de irrigação por gotejamento movidos a painéis fotovoltaicos, incluindo um modelo inteligente voltado ao cultivo de algodão, que, segundo a instituição, teria triplicado a produtividade e reduzido o consumo de água e os custos.

A energia limpa permite levar irrigação eficiente a áreas remotas e secas, onde não há rede elétrica disponível.

Avanços do lado uzbeque e o alerta dos especialistas

O Uzbequistão também conduz seus próprios esforços de recuperação. 

Desde 2021, o país plantou mais de 45 milhões de árvores em cerca de 1,9 milhão de hectares do leito seco na região de Karakalpakstan e criou lagos artificiais abastecidos por um dos rios da bacia, segundo o Ministério da Ecologia, em ações apoiadas também por organismos internacionais como o Banco Mundial e o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento.

Apesar dos avanços, os próprios especialistas fazem questão de não vender ilusões.

Pesquisadores e organizações que acompanham a região alertam que o Mar de Aral dificilmente voltará ao tamanho que tinha, e que plantar árvores e arbustos não é uma solução mágica, mas uma forma de mitigar os danos, estabilizando o solo e reduzindo as tempestades de poeira.

Muitas das espécies em uso, como a planta Arundo donax, ainda estão em fase de testes de campo, e os resultados definitivos dependerão de anos de acompanhamento.

A história do Mar de Aral é, ao mesmo tempo, um alerta sobre o impacto das decisões humanas no meio ambiente e um exemplo de como a ciência e a cooperação entre países podem oferecer respostas, ainda que parciais, a tragédias ecológicas.

O uso de plantas tolerantes ao sal e de energia solar não vai ressuscitar o lago que existia, mas pode tornar a vida mais suportável para quem ficou, reduzindo as tempestades de sal e devolvendo algum verde a uma terra castigada.

É um lembrete de que recuperar o que foi destruído costuma ser muito mais difícil, lento e caro do que preservar.

E você, já conhecia a história do Mar de Aral e do desastre ambiental que o transformou em deserto? O que acha do uso de plantas tolerantes ao sal e de energia solar para recuperar a região? Deixe seu comentário, compartilhe sua opinião e ajude a divulgar a matéria para quem se interessa por meio ambiente, ciência e os grandes desafios ecológicos do planeta.

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Bruno Teles

Falo sobre tecnologia, inovação, petróleo e gás. Atualizo diariamente sobre oportunidades no mercado brasileiro. Com mais de 7.000 artigos publicados nos sites CPG, Naval Porto Estaleiro, Mineração Brasil e Obras Construção Civil. Sugestão de pauta? Manda no brunotelesredator@gmail.com

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