O reservatório raso da Reykjanes ultrapassou o volume que historicamente dispara fissuras. O Icelandic Met Office mede 2 centímetros de elevação do solo por mês desde o fim da última erupção.
O magma sob Svartsengi, no oeste da península islandesa de Reykjanes, atingiu mais de 25 milhões de metros cúbicos em abril de 2026, segundo a Icelandic Meteorological Office.
É o maior estoque registrado desde que a série de erupções de Sundhnúkur começou em dezembro de 2023.
Em 30 de abril, a Watchers.news publicou a medição com base em modelagem de GPS e deformação do solo na região de Grindavík.
-
99Food entra na mira da Senacon por não detalhar os preços dos pedidos, terá 20 dias para explicar a divisão dos valores e ainda pode receber multa de até R$ 14 milhões
-
Hélio da Silva não desistiu de plantar árvores numa várzea degradada de São Paulo mesmo vendo tudo arrancado, e criou uma floresta urbana de 40 mil árvores no Parque Linear Tiquatira
-
Uma cidade brasileira decidiu comprar um pedaço da Mata Atlântica com mais de 153 mil metros quadrados, e proprietários de áreas preservadas poderão apresentar propostas para transformar a floresta em unidade de conservação
-
Anvisa barra lote de antibiótico após descoberta inesperada em frasco lacrado e ainda suspende clindamicina com impurezas e soro fisiológico usado em aplicação intravenosa
Segundo o relatório, a câmara magmática a 4-5 km de profundidade recebe entre 1 e 2 milhões de metros cúbicos de rocha derretida por semana.
Em março de 2025, o pico anterior da série marcou cerca de 23 milhões de m³ antes da nona erupção.
De fato, o atual ciclo de recarga já é o mais longo desde 2023.
Em outras palavras, o limite empírico que dispara uma intrusão de dique já atravessou a marca histórica sem que a fenda abrisse.
Por isso, equipes do Icelandic Met Office mantêm o nível de alerta laranja para toda a península. Os mapas de risco da agência se estendem até 30 de junho de 2026.
Nove erupções em vinte meses redesenharam a Reykjanes
A série de Sundhnúkur começou em 18 de dezembro de 2023. O evento veio depois de um enxame sísmico de mais de 22 mil tremores em outubro e novembro daquele ano.
Desde então, foram nove erupções efusivas. A mais longa, iniciada em 16 de março de 2024, durou 54 dias e produziu o maior campo de lava da sequência.
Conforme registros do Volcano Express, a mais recente terminou em 5 de agosto de 2025 com 21 dias de atividade.

De acordo com a mesma fonte, essa nona erupção cobriu 3,3 km² com 26,8 milhões de m³ de basalto. Posteriormente, o vulcão entrou em fase de recarga prolongada.
A sequência interrompeu cerca de 800 anos de dormência geológica na península. O ciclo retomou em 2021 com o sistema vizinho Fagradalsfjall.
Para entender a escala, a Reykjanes responde por três quartos da infraestrutura turística internacional do país. Além disso, fica a 25 quilômetros da capital, Reykjavík.
Na prática, o eixo Sundhnúkur–Svartsengi virou o laboratório mais bem instrumentado do mundo para erupções fissurais ativas. Por outro lado, a frequência dos eventos transformou a costa sudoeste islandesa numa zona de evacuação intermitente.
Grindavík: 3.600 evacuados, 230 imóveis comprometidos e US$ 71 milhões em prejuízo
Grindavík tinha 3.600 moradores antes da escalada de novembro de 2023. Desde então, a Defesa Civil islandesa ordenou evacuações repetidas.
Conforme o Instituto Nacional de Catástrofes da Islândia, mais de 230 imóveis sofreram danos diretos por sismos, abertura de fendas e fluxo de lava.
O prejuízo total chega a 10 bilhões de coroas islandesas, equivalentes a aproximadamente US$ 71 milhões.
Além disso, o Blue Lagoon, principal balneário geotérmico do país, suspendeu operações várias vezes para reavaliação de risco. Em seguida, retomou as atividades sob protocolo de evacuação rápida.

Conforme registros do operador, a central de Svartsengi gera 75 megawatts elétricos e abastece o resort e o aquecimento regional.
A planta conta hoje com barreiras de lava de até 20 metros de altura, construídas durante a série.
Por consequência, o sistema de barreiras passou por reforços a cada erupção. Hoje inclui canais de desvio, plataformas de monitoramento e bombas capazes de resfriar a frente da lava com água do mar.
Além disso, autoridades de Reykjavík ainda não definiram se trechos de Grindavík voltarão a ser habitáveis em caráter permanente.
Dois centímetros por mês: a assinatura geofísica do magma sob Svartsengi
A deformação do solo medida na bacia de Svartsengi vem subindo a 2 cm por mês.
Em comparação, a velocidade normal de uplift em zonas vulcânicas inativas costuma ser de poucos milímetros por ano.
Segundo a equipe de monitoramento da Icelandic Met Office, esse padrão é a mesma assinatura do magma sob Svartsengi que precedeu cada uma das nove erupções da série atual.

Por consequência, o Volcanic Alert Level System (VALS), escala criada justamente para a crise de Reykjanes, mantém o estágio laranja. O sistema classifica sete ameaças físicas no mapa atual.
De acordo com o IMO, as ameaças incluem deformação e abertura de fendas, sumidouros, falhamento de superfície, abertura de fissuras eruptivas, fluxo de lava, tefra e contaminação por gases vulcânicos.
Na prática, o tempo entre o início do sismo precursor e o rompimento da fenda fica entre 20 minutos e 4 horas. Técnicos mediram esse intervalo em cada uma das nove erupções anteriores.
Por que ninguém consegue dizer o dia exato
A localização do próximo rompimento aparece nos modelos com erro de poucos metros. Mesmo assim, o instante exato segue imprevisível.
Em entrevista à Quanta Magazine em maio de 2026, o sismólogo Tom Winder, da Universidade da Islândia, descreveu a previsão espacial atual como “relativamente incomum no mundo”.
Ainda assim, Winder reforçou que cravar o dia exato segue como tarefa para décadas de pesquisa.
Conforme o pesquisador, as forças que decidem se a câmara cede hoje ou em três meses envolvem pressão do magma, estresse da crosta e propriedades de fluxo da rocha.

Por outro lado, mesmo com a rede islandesa de GPS, sismógrafos e sensores de gás, esse limite continua opaco.
Em paralelo, comportamento parecido aparece no submarino Kolumbo, ao norte de Santorini, que registrou 28 mil tremores no último mês.
Por sua vez, a sequência de Sundhnúkur já produziu nove eventos com curvas de recarga semelhantes. Isso sustenta a expectativa de que a próxima fenda abra nas próximas semanas.
O atual acúmulo já passa de 210 dias diretos sob a península, segundo a contagem do Met Office.
Energia geotérmica continua, e a Islândia ainda quer perfurar magma de propósito
Apesar do risco, o setor geotérmico islandês não interrompeu a operação durante a série.
Conforme o operador, a central de Svartsengi gera energia ininterrupta há 47 anos. O excedente vai para a rede nacional e o calor abastece o aquecimento urbano.
Em paralelo, a Islândia segue com o projeto Krafla Magma Testbed. A iniciativa pretende perfurar magma diretamente para extrair energia geotérmica até dez vezes mais potente que a convencional.
O primeiro poço dedicado começa a ser cavado em 2026. Conforme a equipe responsável, a tecnologia transformaria a curva de recarga atual em insumo industrial direto.
Por outro lado, Keflavík, principal aeroporto do país a 12 km de Sundhnúkur, não interrompeu voos em nenhuma das nove erupções.
Diferente do evento de 2010 em Eyjafjallajökull, as fissuras de Reykjanes produzem fontes de lava e fluxos basálticos, sem cinza capaz de paralisar tráfego aéreo europeu.
Limites da previsão sobre o magma sob Svartsengi
- 25,5 milhões de m³ de magma sob Svartsengi (medição IMO, 30/abr/2026)
- 2 cm/mês de elevação contínua do solo na bacia geotérmica
- 9 erupções consecutivas desde dezembro de 2023 ao longo do eixo Sundhnúkur
- 20 minutos a 4 horas de antecedência entre sismo precursor e abertura de fenda
- 3.600 evacuados e 230 imóveis danificados em Grindavík
Será que o Brasil teria capacidade de monitorar com a mesma precisão um vulcão ativo no quintal de uma capital?
A Islândia mostra o que dá pra fazer quando a rede de sismógrafos cobre cada quilômetro quadrado da zona de risco.
Por outro lado, mostra também que nenhum modelo crava ainda o dia em que a fenda vai abrir.
Conforme a Icelandic Met Office, o cenário mais provável aponta para uma nova fissura ao longo da fileira de crateras de Sundhnúkur.
Ainda assim, parte do magma pode permanecer represado por mais semanas antes de irromper. Em cenário menos provável, pode gerar uma intrusão de dique sem chegar à superfície.
De fato, a Defesa Civil mantém o protocolo de evacuação em prontidão até pelo menos 30 de junho de 2026. Vale lembrar que o reservatório não dá sinais de estabilização nesse ritmo de recarga.
