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Interior de SP acelera revolução da tilápia com sistema que transforma resíduos dos tanques em ‘ouro verde’, gera receita extra e impulsiona expansão da piscicultura

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Escrito por Romário Pereira de Carvalho Publicado em 04/12/2025 às 21:04
Tilápia, Piscicultura. Interior de São Paulo
Imagem: Divulgação
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A Big Fish Piscicultura ampliou tanques suspensos, adotou manejo orgânico, verticalizou etapas de produção e integrou aquaponia para gerar tilápias e hortaliças com maior controle, escala produtiva e previsibilidade operacional no interior paulista

A Big Fish Piscicultura opera entre lavouras e estradas de Santa Rosa de Viterbo, perto de Ribeirão Preto, e ganhou destaque regional porque uniu sustentabilidade, escala e controle técnico. O projeto começou pequeno, mas acelerou em poucos anos.

Os sócios Gustavo Bendazolli e Bruno Souza aplicaram R$ 4 milhões na montagem de um parque com 42 tanques suspensos.

Cada tanque comporta até 5 mil tilápias, permitindo um processo controlado que difere do modelo escavado comum na região.

A adoção desse sistema garante densidade maior e reduz mortalidade. Além disso, cria ambiente previsível e facilita correções rápidas durante o manejo diário.

O resultado aparece na carne, considerada mais uniforme porque os peixes se alimentam apenas do essencial.

Gustavo afirma que o método minimiza interferências externas, portanto melhora qualidade e reduz perdas.

Manejo rígido e rastreabilidade completa

A operação segue protocolos sanitários rigorosos. Redes e utensílios passam por esterilização antes de entrar em qualquer tanque.

Essa regra impede contaminação cruzada e mantém cada unidade produtiva independente.

A independência facilita rastrear falhas. Além disso, reduz riscos que comprometeriam o desempenho do lote.

O ciclo da tilápia leva de 6 a 7 meses, do alevino ao abate. A Big Fish produz seus próprios alevinos, garantindo padrão genético e controle de origem.

A prática oferece previsibilidade e evita depender de fornecedores externos.

Gustavo reforça que dominar a fase inicial garante regularidade do plantel. Ele diz que saber como cada lote foi tratado dá segurança ao processo e evita surpresa indesejadas.

Produção orgânica e uso inteligente da água

Outro pilar da operação é o manejo orgânico. O sistema não usa agrotóxicos e segue padrões que reduzem impacto ambiental.

A água dos tanques contém 12 nutrientes essenciais e chamou atenção da equipe após análises sucessivas.

Essa descoberta levou à criação da aquaponia. A água de descarte irriga hortaliças, principalmente alface, e acelera o desenvolvimento das plantas com mínima suplementação de ferro.

O primeiro ciclo começou com 1 mil pés. Depois avançou para 4 mil. Hoje os sócios pretendem atingir 30 mil pés mensais e incluir salsão e cebolinha.

A integração entre peixe e vegetal reforça sustentabilidade. Gustavo destaca que o modelo valida o manejo e gera impacto positivo. Além disso, cria nova fonte de receita e fortalece a estrutura financeira.

Um dos objetivos é que as hortaliças paguem os custos fixos. Assim, o peixe chega ao mercado com valor mais competitivo. O custo atual de produção varia entre R$ 6 e R$ 6,50 por unidade.

O avanço da tilápia: crescimento motivado pela demanda

A Big Fish começou com dois tanques e produzia até quatro toneladas por ano. Tudo mudou quando um frigorífico informou que buscava 100 toneladas de tilápia por semana.

Essa informação mostrou o tamanho da oportunidade. A partir daí, Bruno e Gustavo decidiram escalar o projeto. Eles implantaram tanques escalonados e criaram calendário de despescas mensais.

Hoje retiram entre 40 e 45 toneladas por mês. Isso garante receita contínua e reduz oscilação do fluxo financeiro.

Verticalização e novos mercados

O próximo passo é verticalizar tudo. A construção do frigorífico próprio permitirá produzir filé de tilápia, item com valor agregado maior. O movimento também facilita entrada em novos mercados.

A empresa planeja expandir de 42 para 200 tanques suspensos. A meta é chegar a 28 toneladas de filé por mês.

Esse volume abre portas para exportações porque atende padrões exigidos por clientes internacionais.

Os sócios identificaram mercados na China e em países asiáticos. A expansão mira esses destinos e reforça a estratégia de longo prazo.

Rentabilidade e ambiente favorável

Bruno afirma que a Big Fish opera com rentabilidade de cerca de 30%. Ele comenta que o índice é elevado, porque o setor cresce rápido, mas nem sempre alcança margens altas.

A aquicultura vive momento de destaque nacional. O consumo interno aumenta porque a tilápia se adaptou ao clima brasileiro e oferece sabor suave. Além disso, o setor investiu em genética, nutrição e processamento.

Esses fatores criam ambiente favorável para novos empreendimentos. A Big Fish aproveitou esse cenário e construiu um modelo baseado em eficiência.

Ação educativa e impacto social

Além das vendas, a empresa recebe crianças e adolescentes de projetos sociais da região. Gustavo explica conceitos de aquaponia, manejo e sustentabilidade. Ele comenta que a atividade vira aprendizado e mostra novas formas de renda.

Essa aproximação reforça o elo da piscicultura com a comunidade. A equipe acredita que conhecimento compartilhado gera consciência ambiental.

Modelo integrado para o futuro

A combinação de tecnologia, produção orgânica e verticalização transformou a Big Fish em referência. O projeto demonstra que é possível aumentar escala sem deixar de lado responsabilidade ambiental.

O sistema controlado reduz riscos e amplia qualidade. Além disso, cria ambiente propício para novas etapas de expansão.

No interior paulista, o avanço da Big Fish mostra que a tilápia do futuro deve ser limpa, rastreável e produzida em modelos inteligentes.

Piscicultura brasileira em ascensão

O Brasil vive fase de crescimento na piscicultura. A tilápia responde por mais da metade da produção nacional.

A espécie se adaptou bem ao país. Além disso, apresenta ciclo rápido e boa conversão alimentar.

O sabor suave ampliou consumo. O produto tornou-se comum no mercado interno e ganhou espaço em cozinhas de todo o país.

Com investimentos constantes e processamento mais moderno, a tilápia se fortalece como proteína de potencial internacional.

Com informações de Compre Rural.

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Romário Pereira de Carvalho

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