Batizada de Imigrante, a variedade desenvolvida por Alexandre Lemke Belz, em Santa Leopoldina, chega a 145 toneladas por hectare no manejo orgânico, é certificada como livre de doenças e começa a ser vendida em 17 de julho. O gengibre capixaba já desperta o interesse de produtores no exterior.
Um agricultor capixaba criou em 14 anos a primeira cultivar de gengibre registrada no Brasil, com produtividade de 145 toneladas por hectare, mais que o dobro da média estadual, e já recebe pedidos da África do Sul e do Peru. O feito nasceu da observação paciente de um produtor que passou mais de uma década selecionando as suas melhores plantas.
A cultivar foi batizada de Imigrante, em homenagem aos pioneiros que desenvolveram a região serrana do Espírito Santo, maior produtor nacional e exportador de gengibre. Segundo informações divulgadas pelo portal Globo Rural, a variedade começa a ser vendida em 17 de julho no primeiro viveiro de mudas certificadas, que fica no Sítio Hort Belz, em Santa Leopoldina (ES). O autor da façanha é Alexandre Lemke Belz, que em novembro de 2021 recebeu o apoio do Instituto Federal do Espírito Santo (Ifes) para validar cientificamente o seu trabalho e registrar a variedade no Ministério da Agricultura. Segundo o produtor, o quilo das mudas vai custar R$ 9, com vendas limitadas a 1.600 quilos por CPF neste ano.
14 anos de seleção até a primeira cultivar de gengibre do país

A história vem da propriedade do agricultor capixaba Alexandre Lemke Belz, que sempre foi muito curioso e observador. Antes de iniciar o trabalho com o gengibre há 14 anos, ele já havia feito seleção de abelhas, verduras e café, e o objetivo era identificar plantas mais produtivas e mais resistentes a nematoides e a doenças como a fusariose.
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O resultado foi a cultivar chamada de Imigrante, uma homenagem aos pioneiros que desenvolveram a região serrana do Espírito Santo, maior produtor nacional e exportador de gengibre. É a primeira cultivar da espécie registrada no Brasil, fruto da observação paciente de um produtor que passou mais de uma década selecionando as suas melhores plantas no campo.
A ciência do Ifes que validou o conhecimento do produtor
Em novembro de 2021, Alexandre recebeu o apoio do Instituto Federal do Espírito Santo (Ifes), que entrou com os testes científicos na propriedade. A parceria viabilizou, junto ao Ministério da Agricultura, a inscrição de quatro cultivares de gengibre no Registro Nacional de Cultivares (RNC), com a condução da bióloga e melhorista de plantas Ana Paula Candido Gabriel Berilli, pesquisadora do Ifes.
Segundo Ana Paula, a parceria ocorreu por meio do Projeto Fortac, de fortalecimento da agricultura capixaba, que inclui, além do gengibre, culturas como mandioca, banana e pimenta do reino, com investimento de cerca de R$ 500 mil no caso do gengibre. Para ela, a ciência deu base ao que o agricultor já fazia na prática:
“Fizemos ciência aplicada na propriedade para validar o conhecimento empírico do Alexandre.”
Produtividade de 145 toneladas e a venda das mudas
O número que chama a atenção é a produtividade do gengibre. A Imigrante chega a 145 toneladas por hectare no manejo orgânico, mais que o dobro da média estadual de 60 toneladas por hectare, e é certificada como livre de doenças, com o viveiro já oficializado no Registro Nacional de Sementes e Mudas (Renasem).
As vendas começam em 17 de julho no primeiro viveiro de mudas certificadas de gengibre, no Sítio Hort Belz, em Santa Leopoldina (ES). Segundo o produtor, o quilo vai custar R$ 9, com as vendas deste ano limitadas a 1.600 quilos por CPF, e o viveiro deve produzir dez mil caixas, cada uma com 180 a 200 mudas.
Pedidos da África do Sul e do Peru

A produtividade bem maior da cultivar de gengibre já atravessou fronteiras. Alexandre conta que recebeu muitos pedidos, inclusive de agricultores de outros países, como África do Sul e Peru, atraídos pela variedade que ele desenvolveu. Produtor e exportador de gengibre orgânico com o próprio CPF, ele espera que a venda de mudas passe a representar metade da sua renda anual.
O próximo passo é obter no Ministério da Agricultura a proteção da cultivar, que vai lhe garantir o direito exclusivo de comercialização como detentor da genética. Tradicionalmente, o produtor de gengibre no país faz a sua própria muda, mas esse sistema muitas vezes propaga doenças na lavoura ou no solo, um problema que a muda certificada pretende resolver.
Mais variedades e o padrão que faltava no cultivo
Comprar a muda certificada e livre de doenças também dá ao comprador o direito às informações técnicas da cultivar, como o espaçamento ideal, a dose de adubo, o manejo da irrigação e a época de plantio e de colheita. Segundo Ana Paula, isso importa porque, nos ensaios de campo, o Ifes visitou outras 30 propriedades e não encontrou nenhuma padronização no cultivo do gengibre, com cada produtor usando um espaçamento diferente, volumes de adubo muito variados e manejos distintos.
Além da Imigrante, foram registradas as variedades de gengibre Alexandrino, Manzuc e Belz, todas desenvolvidas por Alexandre e com produtividade maior que a média estadual, além de diferenciais na anatomia do rizoma, no DNA e no porte da planta.
Como toda a pesquisa foi feita no manejo orgânico, o Ifes está iniciando testes com a Imigrante no manejo convencional, com químicos, na expectativa de uma produtividade ainda maior, com o apoio do Incaper e das prefeituras de Santa Maria de Jetibá e Santa Leopoldina.
Ao longo de 14 anos de observação paciente, o capixaba Alexandre Lemke Belz transformou a sua curiosidade na primeira cultivar de gengibre registrada no Brasil, a Imigrante, ao lado de outras três variedades, todas com produtividade acima da média estadual.
Validada pela ciência aplicada do Ifes, certificada como livre de doenças e vendida a partir de 17 de julho por R$ 9 o quilo, a muda já desperta pedidos de países como África do Sul e Peru, e o próximo passo é a proteção da cultivar, para garantir ao produtor os direitos exclusivos.
Mais do que um recorde de produtividade, o caso mostra como o conhecimento empírico de um agricultor, somado à ciência, pode colocar o gengibre brasileiro no mapa e oferecer ao setor algo que faltava, uma muda certificada e padronizada.
E você, o que achou da conquista de Alexandre com a cultivar de gengibre? Sabia que o Espírito Santo é o maior produtor de gengibre do Brasil? Comente a sua opinião e troque ideias com outros leitores sobre agricultura e inovação no campo.

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