Alerta de Keir Starmer aponta risco de ataque russo à Otan já em 2030, enquanto Reino Unido prepara plano de defesa após drones violarem espaço aéreo no leste europeu
O primeiro-ministro do Reino Unido, Keir Starmer, afirmou nesta sexta-feira, 5, que dados da inteligência britânica e de outros países da Otan indicam a possibilidade de um ataque russo à aliança militar já em 2030. O alerta ocorre após incursões de drones atribuídos a Moscou no flanco leste europeu.
“Caso fosse necessário algum lembrete sobre a importância disso, nossa avaliação de inteligência, e a avaliação de outros países da OTAN, indica que pode haver um ataque da Rússia à Otan já em 2030. Assim, vocês podem perceber a urgência e a prioridade que estamos dando a isso”, disse Starmer a repórteres.
“Esse plano de investimento em defesa será realmente importante, pois estará muito focado na capacidade que precisaremos para defender nosso país no futuro“, disse.
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Alerta sobre a Otan eleva pressão por investimento militar
A declaração foi feita durante visita a Wiltshire, no sudoeste da Inglaterra. Starmer disse que o Reino Unido publicará, nas próximas semanas, um plano de investimento em defesa.
O documento é tratado pelo governo britânico como peça central para definir as capacidades militares necessárias à defesa do país nos próximos anos.
A proposta foi adiada várias vezes, mesmo diante de alertas sobre um déficit de financiamento de 28 bilhões de libras, cerca de R$ 191 bilhões, nas Forças Armadas britânicas pelos próximos quatro anos.
Starmer afirmou que a avaliação de inteligência mostra a urgência do tema. Segundo ele, os dados indicam que a Rússia pode atacar a Otan já em 2030, o que reforça a prioridade dada ao plano de defesa.
Drones atribuídos à Rússia atingem flanco leste da aliança
O alerta britânico ocorre depois de uma sequência de violações do espaço aéreo em países do flanco leste da Otan, como Romênia, Finlândia, Letônia, Lituânia e Estônia. Na Romênia, um prédio residencial foi atingido na semana passada e duas pessoas ficaram feridas.
O caso ocorreu em Galati, cidade próxima à fronteira com a Ucrânia. Bucareste vinculou o drone à Rússia.
Após o episódio, o secretário-geral da Otan, Mark Rutte, telefonou para o presidente romeno, Nicușor Dan, e afirmou que a aliança está pronta para defender cada centímetro de seu território.
Rutte também disse que o comportamento da Rússia representa perigo para todos e citou ataques contra civis e infraestrutura civil na Ucrânia.
Para ele, o episódio mostrou que as consequências da guerra não ficam limitadas à fronteira ucraniana.
Reino Unido vê ameaças além do campo militar
Antes da fala de Starmer, o chefe do Estado-Maior da Defesa do Reino Unido, Richard Knighton, havia dito à BBC que a Rússia estava “sondando, desafiando e testando” as defesas britânicas.
Knighton citou ataques cibernéticos, tentativas de contrabando de tecnologia, sabotagens e tentativas de assassinato.
Ele classificou o momento como o período mais perigoso de sua vida profissional e afirmou que a Grã-Bretanha precisa se preparar para conflitos mais longos.
Putin nega ameaça e pede investigação sobre drone
O presidente russo, Vladimir Putin, negou que Moscou ameace países europeus. Ele afirmou que a Rússia “nunca ameaçou e não está ameaçando os países europeus”.
Putin também declarou que a origem do drone só poderia ser definida após análise especializada. Segundo ele, o armamento poderia ser ucraniano.
O presidente russo pediu que os destroços fossem entregues à Rússia para uma investigação própria.
Esta matéria foi elaborada com base em informações do material-base fornecido, com dados, números e declarações preservados conforme o material consultado.

