INMET prevê chuva até 100 mm acima da média no norte do Amapá e nordeste do Pará, com risco de doenças fúngicas, colheita difícil e seca no Norte a partir de julho.
Segundo o INMET, o Boletim Agroclimatológico Mensal, divulgado em 11 de maio de 2026, projeta que o norte do Amapá e o nordeste do Pará podem registrar acumulados de chuva até 100 milímetros acima da normal climatológica entre maio e julho. Na mesma região, a umidade do solo deve permanecer acima de 70% durante maio e junho.
Essa condição favorece o desenvolvimento inicial das lavouras, mas também cria um ambiente de risco para doenças fúngicas, atraso na colheita e dificuldade de tráfego em estradas rurais. O problema se agrava em áreas onde o solo permanece saturado por vários dias seguidos.
No sudeste do Pará e no Tocantins, onde o milho de segunda safra está em fase reprodutiva e de maturação, a combinação de chuva persistente e alta umidade pode afetar qualidade dos grãos e aumentar a incidência de doenças. A partir de julho, porém, o cenário muda: sul do Amazonas, Acre, Rondônia, sul do Pará e Tocantins podem ter umidade do solo abaixo de 30%.
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Chuva acima da média no Amapá e Pará pode passar de 100 mm
O norte do Amapá já costuma registrar volumes elevados de chuva em maio, no fim do período mais chuvoso do ano. Em condições normais, a região pode receber entre 250 mm e 350 mm no mês.
Quando o INMET projeta até 100 mm acima da média, o acumulado mensal pode ultrapassar 400 mm em algumas áreas. Esse volume é suficiente para comprometer estradas vicinais, operações de colheita e transporte de grãos.
O excesso de chuva não causa o mesmo impacto em todos os pontos. Para comunidades ribeirinhas, rios mais cheios podem facilitar a navegação; para lavouras de sequeiro, o solo encharcado pode atrasar colheita e reduzir qualidade.
Umidade do solo acima de 70% favorece lavouras, mas aumenta risco agrícola
A umidade do solo acima de 70% pode ajudar culturas em fase de crescimento, especialmente quando não há falta de água. O problema aparece quando esse excesso se combina com chuva frequente, calor e baixa janela de secagem.

Nessas condições, máquinas pesadas têm dificuldade para entrar nas áreas de produção. Colheitadeiras e caminhões graneleiros podem afundar em lavouras com solo saturado, compactar o terreno e causar danos estruturais ao solo.
O produtor que tem milho, arroz ou outra cultura pronta para colher enfrenta perda progressiva de qualidade. Grãos maduros expostos à chuva contínua podem absorver umidade, germinar antes da colheita ou desenvolver fungos.
Doenças fúngicas ameaçam milho, feijão e soja no Pará e Tocantins
O risco fitossanitário é um dos pontos mais importantes do boletim. Alta umidade, temperatura elevada e folhas molhadas por muitas horas criam ambiente favorável à proliferação de fungos nas lavouras.
Doenças como ferrugem-polissora do milho, mofo-branco do feijão e mancha de phytophthora da soja se desenvolvem com mais força quando a umidade relativa permanece elevada por períodos prolongados.
No milho de segunda safra em enchimento de grãos, uma infecção fúngica intensa pode reduzir produtividade e comprometer qualidade comercial. O risco aumenta porque a chuva frequente dificulta a aplicação eficiente de fungicidas.
Solo encharcado reduz janela para aplicação de fungicidas
Mesmo quando o produtor identifica sintomas de doença, a intervenção nem sempre é simples. Com solo saturado, a entrada de pulverizadores pode causar compactação, criar trilhas e danificar plantas.
Além disso, pancadas de chuva podem lavar os produtos aplicados antes do tempo necessário para ação adequada. Isso reduz a eficiência do manejo e aumenta o custo operacional.
O desafio é escolher a janela correta entre uma chuva e outra. No cenário previsto pelo INMET, o controle fitossanitário depende de monitoramento diário e resposta rápida, não apenas de calendário agrícola tradicional.
Seca no Norte pode avançar em julho após excesso de chuva
O ponto mais complexo da previsão é a transição rápida entre excesso de umidade e queda acentuada dos estoques de água no solo. Segundo o boletim, sul do Amazonas, Acre, Rondônia, sul do Pará e Tocantins podem registrar umidade inferior a 30% em julho.
Essa mudança em poucas semanas dificulta o planejamento agrícola. O produtor precisa lidar primeiro com solo encharcado, atraso de colheita e risco de fungos; depois, com déficit hídrico, maior evapotranspiração e perda de vigor das pastagens.
A transição é especialmente crítica para culturas ainda em campo. Quando a seca chega durante florescimento ou enchimento de grãos, o impacto sobre produtividade pode ser muito maior.
Milho segunda safra pode perder produtividade com estresse hídrico
No Tocantins e em partes do sudeste do Pará, o milho segunda safra ainda pode estar em fases sensíveis entre maio e julho. A falta de água no florescimento e no enchimento de grãos é uma das condições mais prejudiciais para a cultura.
Estudos da Embrapa citados no texto-base indicam que o estresse hídrico nessas fases pode cortar até 50% da produtividade. Isso torna a previsão de queda da umidade do solo em julho um ponto de atenção para produtores que plantaram mais tarde.
O risco é maior quando o planejamento foi feito com base apenas na média histórica. Em ano com maior probabilidade de El Niño, a janela agrícola pode se deslocar e deixar lavouras em fase crítica no início da seca.
El Niño pode ampliar extremos de chuva e seca no Norte
O boletim cita probabilidade de 88% de El Niño no trimestre maio-junho-julho, segundo o International Research Institute for Climate and Society. Esse fator aumenta a preocupação porque pode amplificar extremos regionais.
Na prática, o El Niño pode favorecer mais chuva onde a atmosfera já está úmida e reforçar a seca em áreas que entram no período de redução hídrica. Por isso, o Norte pode enfrentar excesso de chuva em uma faixa e perda rápida de umidade em outra.
O resultado é um cenário de gestão difícil. Não se trata apenas de chover muito ou chover pouco, mas de alternar rapidamente entre excesso hídrico, doença fúngica, solo saturado e seca agrícola.
INMET recomenda antecipar colheita e monitorar previsão diariamente
O boletim aponta prioridades operacionais claras para produtores. A primeira é antecipar a colheita onde milho e arroz já atingiram maturação fisiológica, evitando esperar uma condição ideal de solo seco se o grão já está pronto.
Cada dia adicional de chuva aumenta risco de germinação na espiga, deterioração e fungos. A segunda prioridade é acompanhar previsões de curto prazo para aproveitar janelas entre frentes de chuva.
A terceira é documentar eventuais perdas. Imagens, mapas, laudos técnicos e comunicação rápida ao seguro rural ou ao Proagro podem ser decisivos para validar danos em caso de sinistro.
Produtor deve notificar seguro rural em até 72 horas após dano
O texto-base destaca a importância de notificar sinistro ao seguro rural nas primeiras 72 horas após qualquer evento de dano documentado. Esse prazo pode ser contratual e, se perdido, comprometer a cobertura.
A recomendação vale especialmente para lavouras atingidas por excesso de chuva, perda de qualidade, impossibilidade de colheita, alagamento, vento, doença ou seca subsequente. Quanto melhor a documentação, maior a chance de comprovar o impacto.
O registro deve incluir fotos, datas, localização, mapas de talhão e laudos técnicos quando possível. Em um período de extremos climáticos, a gestão documental passa a ser parte da gestão agrícola.


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