Uma startup do Texas está chocando o mundo com o lançamento de satélites gigantes, e há indícios de que o pior ainda está por vir. Saiba como esses lançamentos podem impactar o espaço e a Terra
Uma startup do Texas está revolucionando a indústria espacial com o lançamento de satélites de comunicação de tamanhos nunca vistos, e isso está gerando polêmica entre astrônomos e especialistas.
A AST SpaceMobile lançou recentemente cinco satélites chamados BlueBirds a bordo de um foguete SpaceX Falcon 9. Esses satélites impressionam pelo tamanho: quando desdobrados, possuem um conjunto de comunicações de 64 metros quadrados, o maior já implantado em órbita baixa da Terra.

A empresa não está apenas expandindo suas capacidades tecnológicas, mas também tentando criar a primeira rede de banda larga celular acessível diretamente por celulares, independentemente de onde os usuários estejam.
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Em setembro de 2023, a AST SpaceMobile alcançou um marco importante ao realizar a primeira chamada telefônica 5G via satélite entre seu protótipo e um Samsung Galaxy S22. Abel Avellan, presidente e CEO da empresa, afirma que essa inovação pode transformar a conectividade global, promovendo o desenvolvimento econômico e fortalecendo comunidades em áreas remotas.
Muitas preocupações a respeito do projeto

Contudo, o sucesso técnico da AST SpaceMobile vem acompanhado de preocupações. Os satélites BlueBirds têm um impacto significativo na observação do espaço. O protótipo, BlueWalker 3, lançado em setembro de 2022, chamou a atenção não apenas pelo tamanho, mas também pelo brilho que ofusca várias estrelas visíveis no céu.
Em um estudo publicado em outubro de 2023 pela revista Nature, astrônomos relataram que o brilho do BlueWalker 3 era comparável ao de estrelas como Procyon e Achernar, tornando-o visível a olho nu e interferindo em observações astronômicas.
A questão do brilho dos satélites não tem regulamentação específica, o que intensifica a preocupação entre cientistas. E o cenário pode piorar. Avellan revelou que futuros satélites serão ainda maiores, até três vezes e meia o tamanho dos atuais BlueBirds, o que pode agravar o problema da poluição luminosa espacial.
A AST SpaceMobile não está sozinha nessa corrida para conectar o mundo através do espaço. Empresas como SpaceX, Amazon, OneWeb e Lynk Global também estão lançando constelações de satélites.
A SpaceX, por exemplo, já colocou mais de 7.000 satélites Starlink em órbita. Essa corrida tecnológica está mudando rapidamente o panorama do céu noturno, transformando a observação dos astros em um desafio crescente.
Enquanto a inovação promete conectividade global e avanços tecnológicos, a comunidade científica questiona os impactos a longo prazo. À medida que mais satélites são lançados, o céu noturno — que durante milênios inspirou civilizações — começa a ser alterado de forma drástica pela luz artificial dessas novas tecnologias. E o futuro promete ser ainda mais brilhante, para o bem e para o mal.

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