Segundo o Universe Today e um pré-print de pesquisadores do NASA Ames, satélites deixaram rastros em 73,3% das imagens do SPHEREx entre maio e setembro de 2025; simulações indicam que, com grandes constelações propostas, a contaminação poderia atingir 100% das exposições do telescópio espacial da NASA em órbita baixa terrestre.
Os satélites em órbita baixa da Terra já não afetam apenas observatórios instalados no solo. Um novo estudo citado pelo Universe Today mostra que o telescópio espacial SPHEREx, da NASA, teve 73,3% de suas imagens contaminadas por pelo menos um rastro de satélite artificial entre maio e setembro de 2025.
A constatação chama atenção porque o SPHEREx também está no espaço, a cerca de 700 km acima da superfície terrestre. Mesmo assim, segundo o pré-print de pesquisadores ligados ao NASA Ames Research Center, as trilhas luminosas aparecem com frequência nas exposições e podem piorar se megaconstelações com centenas de milhares ou milhões de objetos avançarem na órbita baixa.
Telescópio da NASA foi atingido em plena órbita baixa
O SPHEREx, sigla para Spectro-Photometer for the History of the Universe, Epoch of Reionization, and Ices Explorer, foi projetado para mapear todo o céu em luz infravermelha próxima. A NASA descreve a missão como um levantamento espectral capaz de observar centenas de milhões de galáxias e estrelas.
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Esse tipo de observação exige ampla cobertura do céu e exposições sensíveis. O mesmo desenho que permite mapear o universo também torna o telescópio vulnerável aos satélites brilhantes que cruzam seu campo de visão. O problema, antes associado sobretudo a telescópios terrestres, agora aparece dentro da própria órbita.
Rastros apareceram em 73,3% das imagens
O estudo analisou imagens coletadas pelo SPHEREx entre maio e setembro de 2025. O resultado foi que 73,3% das exposições já mostravam contaminação por pelo menos um rastro de satélite artificial.
Em média, os pesquisadores encontraram 2,18 trilhas por exposição. O padrão observado se concentra em uma espécie de “X”, acompanhando trajetórias associadas às órbitas das megaconstelações de satélites. Isso indica que o problema não é aleatório: ele segue a geometria dos objetos lançados ao redor da Terra.
Imagens ganham marcas parecidas com trilhos
A reportagem do Universe Today descreve um efeito visual chamado pelos autores de “railroad tracks”, ou trilhos de ferrovia. O centro muito brilhante do rastro pode ser apagado por sistemas automáticos, mas linhas paralelas permanecem gravadas na imagem científica.
Esse detalhe é importante porque não se trata apenas de uma mancha feia em uma foto. Quando um rastro passa sobre uma fonte astronômica, os dados fotométricos escondidos sob aquela marca podem ser perdidos. A imagem continua existindo, mas parte da informação científica deixa de ser recuperável.
Sistema criado contra raios cósmicos também é acionado
O SPHEREx usa um algoritmo automatizado chamado sample up-the-ramp para se proteger de eventos súbitos, como raios cósmicos atingindo pixels do detector. Quando há um pico inesperado de energia, o sistema interrompe a coleta naquele pixel para evitar saturação.
O problema é que satélites comerciais muito brilhantes também podem acionar esse mecanismo. Assim, um recurso criado para proteger os dados contra interferências naturais acaba reagindo à poluição luminosa artificial causada por objetos em órbita.
Hubble também já sentiu o avanço dos satélites
O SPHEREx não é o único telescópio espacial afetado. O Universe Today lembra um estudo anterior liderado por Sandor Kruk, que identificou aumento na fração de imagens do Hubble cruzadas por satélites.
Segundo essa pesquisa citada na reportagem, a contaminação em imagens do Hubble subiu de 2,8% no início dos anos 2000 para 5,9% em 2021. A comparação precisa ser feita com cautela, porque o Hubble não fotografa faixas tão amplas do céu quanto o SPHEREx. Mesmo assim, o sinal de alerta é claro.
Megaconstelações aumentam pressão sobre a astronomia
O avanço das megaconstelações torna o cenário mais difícil. Satélites de comunicação, internet, conexão direta com celulares e novas infraestruturas em órbita podem ampliar muito o número de objetos cruzando o céu observado por instrumentos científicos.
Algumas empresas testaram revestimentos escuros e visores para reduzir brilho. Porém, segundo o Universe Today, novos sistemas maiores podem anular parte desse benefício. Se os satélites ficam maiores, mais numerosos e mais refletivos, o céu se torna um ambiente cada vez menos limpo para observação astronômica.
Cenário extremo pode contaminar todas as imagens
A reportagem cita pedidos recentes apresentados à FCC, nos Estados Unidos, que poderiam permitir até 2 milhões de satélites em órbita baixa. Esse número contrasta com a população atual de objetos orbitais, muito menor, e aparece como cenário de alerta.
De acordo com as simulações mencionadas no estudo, se esses projetos forem aprovados e lançados, 100% das imagens do SPHEREx poderiam ser contaminadas por rastros de satélites. A média projetada chegaria a 189 trilhas por exposição, um salto enorme em relação às 2,18 trilhas observadas no período analisado.
Problema não fica restrito às fotos bonitas do espaço
Para o público geral, rastros de satélites podem parecer apenas riscos em fotografias. Para a ciência, porém, a consequência é mais profunda. Telescópios espaciais medem brilho, cor, posição e espectro de objetos muito distantes, e qualquer contaminação pode afetar essas medições.
O SPHEREx foi planejado para responder perguntas sobre a história do universo, a época da reionização e a distribuição de gelo e moléculas em nossa galáxia. Quando satélites cruzam as imagens, eles podem reduzir a qualidade dos dados usados para investigar temas que vão muito além da aparência do céu.
Falta de acordo internacional preocupa pesquisadores
Grupos ligados à astronomia vêm alertando há anos para os impactos das megaconstelações. O problema envolve empresas privadas, agências reguladoras nacionais, interesses comerciais, conectividade global e preservação do céu como recurso científico.
Até agora, segundo a reportagem, não há um acordo internacional capaz de conter ou organizar o problema de forma ampla. A preocupação é que decisões tomadas por poucos países e empresas alterem a capacidade de observação do céu para toda a comunidade científica mundial.
Céu moderno entra em disputa silenciosa
O caso do SPHEREx mostra que a poluição luminosa orbital deixou de ser um problema distante. Mesmo telescópios espaciais, posicionados acima da atmosfera, já enfrentam rastros de satélites em grande parte das imagens.
A questão agora é decidir até onde a órbita baixa da Terra pode ser ocupada sem comprometer a astronomia. Você acha que o avanço de satélites para internet e comunicação justifica esse impacto nos telescópios, ou deveria haver um limite internacional para proteger o céu científico? Deixe sua opinião nos comentários.


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