A startup é a Plantd, criada por Nathan, ex-engenheiro da SpaceX, e já tem contrato com a D.R. Horton para 10 milhões de painéis. O desafio é a escala: a empresa produz 250 mil painéis por ano, e, nesse ritmo, levaria 40 anos para entregar todo o pedido.
Um ex-engenheiro da SpaceX deixou os foguetes para reinventar a construção de casas e fundou uma startup que fabrica os painéis das paredes a partir de uma grama que cresce cerca de 15 centímetros por dia, no lugar da madeira. A empresa se chama Plantd e fica na Carolina do Norte, nos Estados Unidos. A proposta é produzir um painel estrutural equivalente ao de madeira a partir de uma planta que cresce muito mais rápido.
De acordo com o material, o responsável é Nathan, CEO e cofundador da Plantd, que entre 2014 e 2021 ajudou a desenvolver o foguete reutilizável Falcon 9 e a cápsula Crew Dragon, da SpaceX. Os painéis são uma alternativa ao OSB, sigla em inglês para as placas de tiras de madeira orientadas que revestem paredes, pisos e telhados de uma casa. Vale lembrar que a startup ainda está em fase de crescimento, e parte das suas afirmações de desempenho vem de testes internos.
A startup que troca a madeira por grama

A ideia central é substituir a madeira por uma grama de crescimento acelerado. Segundo a Plantd, a startup produz painéis estruturais, uma alternativa ao OSB, a partir de uma grama perene em vez da madeira tradicional. De acordo com a empresa, a planta cresce cerca de 15 centímetros por dia e pode ser colhida duas vezes por ano, enquanto madeiras macias como o pinheiro levam cerca de 40 anos para ficarem prontas, o que, segundo a companhia, daria a essa grama uma taxa de sequestro de carbono nove vezes maior que a das árvores.
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O contexto ajuda a entender por que a aposta surgiu. De acordo com o material, 94% das casas unifamiliares nos Estados Unidos usam estrutura de madeira, mas essa cadeia de suprimentos não é estável nem sustentável, já que uma disputa comercial com o Canadá, um evento climático severo ou a variação de custos podem mudar em milhares de dólares o preço de construir uma casa. Os painéis de OSB são justamente as grandes placas que envolvem as paredes, os pisos e o telhado da residência.
Do foguete à casa, a virada de um ex-engenheiro da SpaceX

A trajetória do fundador explica a origem do projeto. Segundo o material, Nathan, CEO e cofundador da Plantd, é um ex-engenheiro da SpaceX que ajudou a construir o foguete reutilizável Falcon 9 e a cápsula Crew Dragon. Ele relata ter chegado a um ponto em que sentia que os problemas que resolvia ali não ajudavam de fato a humanidade, e por isso, após uma breve aposentadoria em 2021, passou a buscar um problema complexo que pudesse melhorar o planeta, ciente de que os materiais de construção respondem por uma grande fatia das emissões globais de carbono.

O ponto de partida foi uma conversa em um canteiro de obras. De acordo com o relato, o cofundador, também ex-engenheiro da SpaceX, parou em uma obra e perguntou a operários como criar algo melhor, e a ideia avançou a partir daí. O processo inicial, ainda improvisado, chamou a atenção da D.R. Horton, a maior construtora de casas dos Estados Unidos, que encomendou a construção de uma casa real feita com a alternativa e a prova de que ela passaria na aprovação. Foi quando a startup levantou US$ 10 milhões em uma rodada série A e fechou contrato com a construtora.
Como a grama vira painel na mini fábrica elétrica

A escolha da planta levou meses de pesquisa. Segundo Janelle Olets, especialista em solos e diretora de agricultura da Plantd, a empresa passou cerca de seis meses para encontrar a biomassa ideal: uma grama conhecida como gramíneas perene cultivada na América do Norte há séculos, usada para fabricar varas de pesca, cestos e até palhetas de clarinete, e considerada boa para a construção por causa de um composto natural chamado lignina, que lhe dá rigidez parecida com a de um pedaço de pinho do mesmo diâmetro. No processo, a grama é picada em tiras, peneirada e filtrada, seca e separada para garantir a densidade certa, e depois misturada com resina e prensada com calor, em uma receita de dois ingredientes e muito calor.

A escala da produção é o que diferencia a startup das fábricas tradicionais. De acordo com o material, uma planta de OSB tradicional recebe milhares de toneladas de toras por caminhão, queima a casca como combustível e usa máquinas de centenas de metros, enquanto a linha da Plantd é pequena, dimensionada de propósito e totalmente elétrica. Segundo testes internos da própria empresa, o painel resultante é duas vezes mais resistente à umidade e 1,5 vez mais forte que o OSB de madeira macia, e, de forma independente, os painéis foram certificados como alternativa compatível ao OSB padrão, aprovada para uso nos 50 estados americanos.
O desafio de escalar uma startup de hardware
O maior obstáculo não é a demanda, mas a capacidade de produzir. Segundo o material, desde a fundação em 2021 a startup levantou um total de US$ 47,5 milhões, mas cada linha de produção custa cerca de US$ 5 milhões, e a meta de 18 a 20 linhas até 2030 representaria perto de US$ 100 milhões só em equipamentos. Depois do contrato inicial, a D.R. Horton ampliou o pedido em 2024 para 10 milhões de painéis, o suficiente para 90 mil casas, mas, no ritmo atual de 250 mil painéis por ano, a empresa levaria cerca de 40 anos para entregar tudo.
Para fechar essa distância, a aposta é integrar e automatizar. De acordo com o material, a startup fabrica as próprias máquinas, no modelo da SpaceX, miniaturiza e eletrifica o processo e automatiza o plantio com um robô chamado Cutting Edge, que planta cerca de 1.770 mudas por hora, 15 vezes mais rápido que uma pessoa, com meta de 20 milhões de plantas até 2028 e de gerir 440 acres, perto de 178 hectares, ainda neste ano. Mesmo assim, a empresa precisa montar uma cadeia de insumos do zero e convencer agricultores cautelosos, muitos dos quais perderam dinheiro com o cânhamo, e, segundo Nathan, hardware é difícil, porque desenvolver devagar demais pode levar a ficar sem dinheiro.
A startup Plantd, criada por um ex-engenheiro da SpaceX, transformou uma grama de crescimento rápido em painéis estruturais que querem substituir a madeira, com um contrato de 10 milhões de painéis junto à D.R. Horton, US$ 47,5 milhões captados e um produto certificado de forma independente como alternativa ao OSB. Ainda assim, a capacidade atual de 250 mil painéis por ano significaria cerca de 40 anos para cumprir o pedido, de modo que toda a aposta depende de escalar, com dezenas de mini fábricas elétricas, automação e a adesão dos agricultores. É um caminho promissor, mas ainda por provar.
E você, acredita que uma grama pode mesmo substituir a madeira nas paredes das casas, ou ainda confia mais na construção tradicional? Comente a sua opinião e troque ideias com outros leitores sobre o futuro dos materiais de construção, com respeito às diferentes visões.

