Manifestação protocolada nesta segunda-feira, 29 de junho, solicita análise de preços, custos e incentivos comerciais usados pelas plataformas de entrega no Brasil.
Uma nova disputa no mercado brasileiro de delivery chegou ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica, o Cade.
O iFood protocolou, nesta segunda-feira, 29 de junho, uma manifestação relacionada às práticas comerciais da 99Food e da Keeta.
Segundo a plataforma brasileira, as concorrentes poderiam utilizar descontos agressivos, subsídios e absorção prolongada de prejuízos para conquistar clientes rapidamente.
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Esse modelo, conforme o iFood, poderia desequilibrar a concorrência e afetar restaurantes, entregadores, consumidores e outras empresas do setor.
O Cade poderá analisar informações relacionadas aos preços, custos e incentivos comerciais utilizados pelas plataformas mencionadas.
Pedido ao Cade mira estratégias de 99Food e Keeta
A manifestação apresentada pelo iFood concentra-se na atuação da 99Food, controlada pela DiDi, e da Keeta, vinculada à Meituan.
Conforme o documento, as duas companhias teriam capacidade financeira para manter operações com margens negativas durante períodos prolongados.
Descontos elevados, nesse cenário, poderiam ser sustentados mesmo quando as receitas não fossem suficientes para cobrir todos os custos operacionais.
A expansão acelerada das plataformas seria favorecida, segundo o iFood, pela possibilidade de absorver prejuízos durante a conquista de novos mercados.
As alegações ainda precisarão ser examinadas pelo Cade antes de qualquer conclusão sobre possíveis irregularidades.

Apoio à expansão internacional aparece na manifestação
A petição relaciona a capacidade financeira das companhias às políticas de internacionalização de empresas chinesas de tecnologia.
O documento menciona iniciativas governamentais voltadas à expansão global, incluindo a chamada Nova Rota da Seda.
Esse ambiente, conforme a argumentação apresentada, poderia favorecer operações internacionais apoiadas por elevados investimentos.
As empresas teriam, dessa maneira, condições de aceitar prejuízos temporários para ampliar sua presença em mercados estratégicos.
A relação descrita integra os argumentos apresentados pelo iFood e ainda será avaliada pelo órgão antitruste.

Relatórios citados apontariam perdas bilionárias
A manifestação também utiliza análises e relatórios de mercado sobre os resultados financeiros das empresas chinesas.
Segundo o documento, prejuízos relevantes teriam sido registrados durante estratégias recentes de expansão internacional.
Algumas perdas bilionárias seriam associadas a investimentos fora da China e à adoção de incentivos comerciais agressivos.
O iFood afirma que esse modelo já teria afetado empresas locais após a entrada das plataformas em outros países.
Mercados como Hong Kong, Catar e Kuwait foram citados pela companhia como referências de comparação.
Esses exemplos, no entanto, fazem parte da argumentação apresentada pelo iFood e não representam uma conclusão oficial do Cade.
Análise poderá avaliar preços, custos e subsídios
O pedido solicita que o Cade acompanhe detalhadamente as estratégias das plataformas que operam no Brasil.
Entre os principais pontos indicados estão:
- Preços cobrados de consumidores e restaurantes;
- Custos envolvidos nas operações de entrega;
- Descontos concedidos pelas plataformas;
- Subsídios usados para financiar promoções;
- Manutenção de operações com margens negativas.
O monitoramento poderá verificar se existem condutas consideradas predatórias no setor brasileiro de entregas.
A análise também poderá considerar eventuais riscos à sustentabilidade do ecossistema formado por restaurantes, entregadores, consumidores e plataformas.
iFood confirma manifestação enviada ao Cade
Em posicionamento encaminhado por e-mail ao portal Olhar Digital, o iFood confirmou a apresentação do documento.
A empresa declarou que a iniciativa busca contribuir com o monitoramento realizado pelo Cade sobre o mercado de delivery no Brasil.
O material, segundo a plataforma, reúne informações sobre práticas de preços predatórios documentadas em outros mercados.
Algumas dessas estratégias já estariam começando a ser identificadas no país, conforme a avaliação apresentada pelo iFood.
A companhia informou que permanece disponível para fornecer dados, evidências e esclarecimentos técnicos ao órgão.
O que pode acontecer após o pedido?
O Cade poderá solicitar documentos adicionais e aprofundar a avaliação das estratégias comerciais adotadas pelas empresas mencionadas.
Nenhuma conclusão oficial foi divulgada até o momento sobre práticas anticoncorrenciais atribuídas à 99Food ou à Keeta.
A manifestação representa, portanto, uma solicitação de monitoramento e uma possível etapa inicial de análise mais detalhada.
O desafio será garantir uma competição capaz de oferecer preços atrativos sem comprometer a sustentabilidade de restaurantes, entregadores e demais participantes.
Na sua opinião, descontos elevados beneficiam os consumidores ou podem prejudicar a concorrência no longo prazo? Deixe seu comentário!
