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Startup quer lavar sua louça, limpar banheiro e organizar geladeira de graça, mas com funcionários usando câmeras na cabeça para transformar a bagunça da sua casa em dados capazes de treinar a próxima geração de robôs domésticos com inteligência artificial

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Escrito por Ana Alice Publicado em 29/06/2026 às 23:48 Atualizado em 29/06/2026 às 23:50
Assista o vídeoStartup oferece limpeza grátis em Nova York e grava tarefas domésticas para treinar IA e robôs, levantando dúvidas sobre privacidade. (Imagem: Ilustrativa)
Startup oferece limpeza grátis em Nova York e grava tarefas domésticas para treinar IA e robôs, levantando dúvidas sobre privacidade. (Imagem: Ilustrativa)
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Uma startup de IA passou a testar um modelo que transforma tarefas domésticas em dados para robótica, com gravações feitas dentro de residências durante serviços de limpeza gratuitos em Nova York.

A startup de treinamento de inteligência artificial Shift passou a oferecer limpezas domésticas gratuitas em Nova York, nos Estados Unidos, mediante autorização para gravar o trabalho feito dentro das residências.

A iniciativa, divulgada no fim de maio de 2026, prevê o uso de câmeras presas à cabeça dos profissionais para registrar, em primeira pessoa, tarefas como lavar louça, esfregar banheiros, passar pano no chão, organizar cozinhas e dobrar roupas.

Segundo a empresa, os vídeos captados durante os atendimentos serão usados para treinar sistemas de IA e robôs domésticos capazes de executar tarefas de casa no futuro.

No site da Shift, a proposta é apresentada com a frase “Your home. Cleaned for free.”, em referência ao serviço de limpeza sem cobrança direta ao morador.

Como funciona a limpeza gratuita da Shift

A Shift afirma que conecta moradores de Nova York a profissionais independentes de limpeza.

O agendamento ocorre pela plataforma da empresa, e o morador precisa estar presente no início do atendimento para receber os profissionais, explicar o que deseja limpar e autorizar a gravação da sessão.

A lista de serviços divulgada pela companhia inclui tarefas de rotina, como retirada de lixo, aspiração, limpeza de superfícies, organização de geladeira, arrumação de armários, limpeza de pia, fogão, banheiro e chuveiro.

A plataforma também menciona troca de roupas de cama, organização de despensa, limpeza de espelhos e pequenos serviços de arrumação.

A gratuidade está ligada ao uso dos dados gerados no atendimento.

Segundo a Shift, as imagens registradas durante a limpeza têm valor comercial para treinamento de IA e robótica, o que permite oferecer o serviço sem cobrança direta por tempo limitado.

Nos termos publicados pela empresa, a autorização para gravação é condição para que o morador receba o preço preferencial, que pode ser gratuito ou com desconto, dependendo da reserva.

A Shift também informa que o valor de cada atendimento aparece antes da confirmação do agendamento.

De acordo com o site da companhia, os profissionais levam suprimentos básicos, mas a empresa recomenda que o morador disponibilize produtos próprios caso tenha preferências específicas.

A Shift também solicita dados de pagamento em algumas situações, como quando o morador não está presente na chegada dos profissionais ou recusa o serviço depois do deslocamento da equipe.

Imagem: Reprodução/Shift
Imagem: Reprodução/Shift

Dados domésticos no treinamento de IA

O interesse da Shift está nos registros de tarefas físicas feitas em ambientes reais.

Diferentemente de bases de texto ou imagens estáticas usadas no treinamento de modelos de IA, esse tipo de gravação mostra movimentos, objetos, superfícies e sequências de ações dentro de uma casa.

A empresa afirma que ambientes de limpeza mais desafiadores podem ser úteis para esse tipo de treinamento.

Ainda assim, segundo a própria Shift, os profissionais podem recusar tarefas específicas caso não se sintam confortáveis em executá-las.

Na prática, atividades simples para humanos, como lavar uma xícara, dobrar uma camiseta ou limpar uma bancada, exigem que sistemas automatizados reconheçam objetos, ajustem movimentos e lidem com diferentes condições do ambiente.

É esse tipo de registro que a empresa diz buscar ao gravar as sessões de limpeza.

O modelo se soma a um mercado em expansão de coleta de dados para IA.

Reportagens internacionais têm mostrado empresas usando profissionais temporários ou colaboradores pagos para registrar tarefas do cotidiano, avaliar respostas de sistemas automatizados e produzir bases de treinamento para laboratórios de inteligência artificial.

Privacidade em casas gravadas para IA

A gravação dentro de residências exige autorização expressa do morador.

Nos termos da Shift, o usuário declara que tem direito de permitir a captação no imóvel e assume a responsabilidade de avisar outros adultos presentes de que a sessão será gravada.

A empresa afirma que anonimiza as imagens, processa o conteúdo e licencia o material para treinamento de IA e robótica.

Segundo a Shift, o conteúdo não é divulgado publicamente nem usado para publicidade.

A companhia também diz borrar nomes, rostos e outras informações pessoais antes do uso dos vídeos.

A proteção informada pela empresa inclui telas, documentos de identificação, papéis, celulares e outros itens que possam revelar dados pessoais durante a gravação.

Os termos da plataforma indicam que o consentimento pode ser retirado pelo usuário.

No entanto, a própria Shift informa que a remoção de uma sessão pode ser limitada depois que o material tiver sido desidentificado e incorporado a uma base de dados disponibilizada a terceiros.

A empresa afirma ainda que a gravação deve se restringir ao trabalho realizado e ao entorno imediato da atividade.

Os profissionais, segundo os termos da plataforma, são orientados a não registrar menores de idade, situações íntimas ou médicas e identificadores sensíveis.

Profissionais independentes e operação da plataforma

A Shift informa que os trabalhadores enviados às residências são profissionais independentes avaliados por parceiros.

A companhia afirma que eles não são empregados diretos da plataforma.

Nos termos de uso, a empresa se apresenta como uma plataforma de tecnologia que facilita o agendamento e a comunicação entre o cliente e o prestador.

A Shift afirma que não executa diretamente o serviço de limpeza, não atua como empregadora e não funciona como agência de pessoal.

Essa distinção é relevante porque define como a empresa descreve sua participação na operação.

O contrato de serviço, segundo os termos, é formado entre o cliente e o prestador identificado no momento da reserva.

De acordo com reportagem do Business Insider, a Shift é a marca voltada ao consumidor da microagi, laboratório de pesquisa em IA com sede na Alemanha.

O veículo informou que a microagi foi fundada por Bercan Kilic, Yoan Iliev e Anton Poletaev.

A mesma reportagem citou Harry Kilberg, gerente-geral da Shift nos Estados Unidos, ao informar que a empresa opera em 15 países e conta com 14 mil operadores coletando dados do mundo real.

A declaração foi atribuída a Kilberg pelo Business Insider.

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Procura pelo serviço em Nova York

A proposta ganhou repercussão nos Estados Unidos após a divulgação da campanha em redes sociais e em veículos especializados em tecnologia.

Segundo o Business Insider, as primeiras 250 sessões foram reservadas rapidamente, e a empresa registrou milhares de tentativas de agendamento.

A Shift afirma que a limpeza gratuita está disponível por tempo limitado.

O serviço aparece inicialmente concentrado em Nova York, enquanto reportagens internacionais apontam planos de expansão para outras cidades.

The Verge informou que a empresa citou San Francisco, Londres, Zurique e Munique como possíveis próximos mercados.

A reportagem também afirmou que a companhia pretende aplicar o modelo a outras atividades físicas, como cozinha, encanamento e construção.

O avanço desse tipo de iniciativa ocorre em um momento em que empresas de IA buscam dados de tarefas realizadas fora de ambientes digitais.

Em vez de apenas rotular textos ou imagens, parte do setor tenta registrar como humanos executam ações no mundo físico.

Para os moradores, a oferta coloca uma condição objetiva: receber uma limpeza sem pagamento direto em troca da gravação do serviço dentro de casa.

Para empresas de IA e robótica, os vídeos podem compor bases de treinamento voltadas a sistemas que tentam reproduzir tarefas domésticas.

A proposta da Shift, portanto, une um serviço cotidiano a uma forma de coleta de dados para tecnologia.

A decisão de participar depende da autorização do morador e das regras informadas pela empresa sobre gravação, anonimização e uso do material.

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Ana Alice

Redatora e analista de conteúdo. Escreve para o site Click Petróleo e Gás (CPG) desde 2024 e é especialista em criar textos sobre temas diversos como economia, empregos e forças armadas.

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