Frango vivo ganha poder de compra em São Paulo com ração mais barata, enquanto o preço do ovo recua diante da demanda enfraquecida em junho.
O poder de compra dos produtores de frango vivo no estado de São Paulo acumulou o terceiro mês seguido de crescimento, impulsionado pela redução nos custos de produção no decorrer de junho de 2026. Em contrapartida, o preço do ovo apresentou trajetória descendente nas principais regiões pesquisadas pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea).
A desvalorização no setor de postura concentrou-se na segunda metade do mês, pressionada por um recuo na demanda de consumo, cenário considerado comum para o período. Para manter as mercadorias circulando e evitar estoques parados, as granjas aplicaram descontos nas vendas, enquanto o segmento de corte obteve vantagens com grãos mais baratos.
Custos de ração em queda e o mercado de corte em São Paulo
A retração dos compradores de grãos em pleno período de safra foi o fator preponderante para derrubar o valor de comercialização do milho.
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No mesmo sentido, o farelo de soja registrou perdas em suas cotações devido à expansão da oferta do subproduto. Essa combinação aliviou significativamente as despesas operacionais dos avicultores de corte paulistas.

Com os insumos mais em conta e a valorização do animal vivo, a capacidade de troca dos criadores em junho atingiu patamares elevados.
De acordo com os dados consolidados pelo Cepea, a venda de um quilo de frango vivo permitiu reverter-se em insumos nas seguintes proporções:
- 4,82 quilos de milho: Um aumento de 3,9% na comparação direta com as médias registradas em maio.
- 3,06 quilos de farelo de soja: Um crescimento de 3,7% frente ao mês anterior, consolidando o melhor resultado de compra desde novembro de 2025.
Em termos de cotação nominal, o quilo do frango vivo no mercado paulista manteve a média de R$ 5,12 nas negociações computadas até o dia 24 de junho.
Esse patamar representou uma evolução de 1,1% perante os índices de maio, embora o ritmo de ganhos tenha desacelerado na reta final do mês em função de uma procura sutilmente menor por novos lotes de aves.
Demanda enfraquecida pressiona o preço do ovo
A calmaria do lado do consumidor final reverteu a estabilidade de preços que o setor de ovos vinha sustentando na primeira quinzena do mês. O enfraquecimento das compras na segunda metade de junho elevou a pressão sobre as tabelas das granjas, dificultando a manutenção dos patamares anteriores.

Agora, as atenções do mercado de postura estão integralmente voltadas para o início do recesso de férias escolares, momento que, historicamente, costuma esvaziar a procura pelo alimento no país.
Planejamento de descarte para tentar estabilizar as cotações
Como resposta preventiva e na tentativa de barrar novas perdas financeiras, criadores de diferentes polos produtivos começaram a organizar ações práticas de controle do volume interno de mercadorias.
A estratégia central consiste na aceleração e agendamento do descarte de lotes de poedeiras em idade avançada. A intenção das granjas com a retirada dessas aves de circulação é enxugar a oferta de produtos no atacado.
Assim, o setor produtivo busca readequar o volume de caixas disponíveis à realidade de consumo temporariamente mais baixa, com o intuito de dar sustentação para o preço do ovo nas próximas semanas.
Fonte: Agro em Campo
