Camila Miglhorini ouviu “não” de todo mundo quando apostou na marmita saudável. Sem dinheiro, vendeu o único bem que tinha, um carro de R$ 40 mil, para abrir o negócio. Hoje ela comanda a Mr. Fit, franquia com 880 lojas em três países, que fatura R$ 200 milhões por ano.
Uma ideia rejeitada por todos virou uma das maiores redes de comida saudável do Brasil. A empreendedora Camila Miglhorini apostou na marmita fitness quando quase ninguém acreditava nesse mercado e construiu a Mr. Fit, hoje uma franquia gigante. A história foi contada pelo site Seu Dinheiro.
O ponto de partida do negócio não poderia ter sido mais arriscado. Para levantar capital, Camila vendeu o único bem que possuía, um carro avaliado em R$ 40 mil na época, e investiu tudo na primeira loja. Era apostar alto em uma ideia que o mercado teimava em ignorar.
A teimosia, no entanto, deu muito certo. Mais de uma década depois, a Mr. Fit soma cerca de 880 lojas no Brasil, em Portugal e no Paraguai, e fatura em torno de R$ 200 milhões por ano. A seguir, veja como ela transformou uma marmita saudável em um império de franquia.
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Quem é Camila Miglhorini, a fundadora da Mr. Fit

Ao contrário do que parece, Camila não era uma leiga no mundo dos negócios. Formada em administração de empresas, ela estagiou na área de franchising durante a faculdade e chegou a atuar como consultora de redes de franquia. Ou seja, antes de empreender, já entendia por dentro como funciona o modelo que usaria na Mr. Fit.
Foi justamente essa vivência que a ajudou a enxergar uma lacuna no mercado. Preocupada com a própria alimentação, Camila sentia falta de opções práticas e acessíveis de comida saudável no dia a dia. “Sempre me preocupei em ter uma alimentação saudável, mas percebia a ausência de opções rápidas, acessíveis e práticas”, contou ela ao Seu Dinheiro.
A partir dessa percepção, ela tratou a ideia com método. Para transformar o conceito de marmita saudável em um produto vendável, Camila chegou a consultar cerca de oito nutricionistas, ajustando o cardápio para unir sabor, equilíbrio e preço acessível. Não era só vontade, era um projeto pensado para dar certo como negócio.
A primeira unidade nasceu no interior paulista. Em 2011, a Mr. Fit abriu as portas em Paulínia, em São Paulo, começando de forma modesta, com a venda de saladas. Daquele pequeno ponto de partida surgiria, anos depois, uma das maiores redes de alimentação saudável do país.
A ideia que ninguém quis e a venda do carro

O mais curioso é que a ideia da Mr. Fit quase não saiu do papel por falta de interessados. Como consultora, Camila chegou a sugerir o conceito de fast food saudável para redes com quem trabalhava, mas ninguém topou seguir adiante. O mercado simplesmente não acreditava que comida saudável e rápida pudesse virar um grande negócio.
Diante da rejeição, ela decidiu apostar em si mesma. Em vez de esperar que alguém comprasse a ideia, Camila resolveu tocar o projeto por conta própria, mesmo sem capital sobrando. Foi aí que veio a decisão mais ousada de toda a história da franquia.
Para bancar o sonho, ela se desfez do que tinha de mais valioso. Segundo as reportagens sobre o caso, Camila vendeu o único bem em seu nome, um carro avaliado em cerca de R$ 40 mil, e usou o dinheiro para abrir a primeira loja de marmita saudável. Era tudo ou nada.
Esse tipo de aposta explica por que a história ganhou tanta repercussão. Trocar o carro por uma ideia que todos rejeitaram é o tipo de risco que costuma dar errado, mas que, no caso da Mr. Fit, virou o alicerce de uma rede com centenas de lojas. O “não” do mercado acabou se transformando em combustível.
O que é a Mr. Fit e o conceito de fast food saudável

A proposta da Mr. Fit é resolver um problema comum do dia a dia. A rede vende comida saudável no formato de fast food, com marmita e pratos práticos, pensados para quem quer comer melhor sem perder tempo nem gastar muito. É a tentativa de unir dois mundos que costumavam andar separados: saúde e conveniência.
O cardápio foi se ampliando com o tempo. Além da marmita fitness, a rede passou a oferecer sanduíches, wraps, sucos, sobremesas e até opções low carb e veganas, ampliando o público. Essa variedade ajuda cada loja a atender desde o cliente fitness até quem só quer um almoço mais leve no dia a dia.
O cardápio gira em torno de refeições equilibradas e acessíveis. Em vez de lanches calóricos, o cliente encontra opções como marmitas fitness, saladas e pratos com controle de calorias, vendidos a preços que competem com o fast food tradicional. A ideia é que comer bem não precise ser caro nem complicado.
Esse posicionamento ajudou a marca a se destacar em um setor concorrido. Ao se apresentar como uma rede de alimentação saudável de massa, e não de nicho, a Mr. Fit mirou o público amplo que quer praticidade no almoço e no jantar. Foi assim que a marmita saudável deixou de ser exceção e virou um negócio escalável.
Com o tempo, a empresa passou a se posicionar como líder no segmento. A Mr. Fit se apresenta como uma das maiores, senão a maior, franquia de alimentação saudável do Brasil, justamente por ter levado o conceito a centenas de cidades. O que começou com saladas em Paulínia virou referência nacional.
880 lojas em 3 países e R$ 200 milhões por ano
Os números atuais mostram o tamanho que o negócio alcançou. Hoje, a Mr. Fit soma cerca de 880 lojas, espalhadas pelo Brasil e também por Portugal e pelo Paraguai. De uma única unidade no interior paulista, a marca virou uma operação presente em três países.
Para dimensionar o feito, vale a comparação. Sair de uma única loja, em 2011, para cerca de 880 unidades em pouco mais de uma década é um ritmo de expansão acelerado mesmo para os padrões do franchising. Poucas redes de alimentação no país crescem tão rápido partindo de um negócio tão pequeno.
O faturamento acompanha esse crescimento. Segundo o Seu Dinheiro, a rede fatura em torno de R$ 200 milhões por ano, com a meta de crescer cerca de 20% e chegar a R$ 240 milhões em 2025. São cifras que colocam a marmita saudável no mesmo patamar de grandes redes de alimentação.
Boa parte desse resultado vem do delivery. A empresa afirma que cerca de 80% das vendas acontecem por aplicativos de entrega, o que faz sentido para um produto como a marmita, comprada para o almoço ou o jantar do dia a dia. Apostar forte no delivery foi uma decisão alinhada ao comportamento atual do consumidor.
E os planos de expansão não param por aí. Além da operação já consolidada em três países, a Mr. Fit estuda avançar para mercados ainda maiores, como os Estados Unidos. Se concretizar, a rede de lojas que nasceu de um carro vendido pode ganhar escala internacional ainda maior. Seria o próximo capítulo de uma franquia que nasceu contrariando todas as expectativas do mercado.
Da microfranquia ao ponto físico: como entrar no negócio
Um dos segredos do crescimento da Mr. Fit está no modelo acessível de franquia. A rede oferece formatos variados de investimento, de modo que tanto quem tem pouco capital quanto quem quer abrir um ponto maior consiga entrar no negócio. Essa flexibilidade ajudou a multiplicar o número de lojas.
Na ponta mais barata está a microfranquia. Nesse modelo home office, o franqueado investe a partir de cerca de R$ 6 mil, trabalha basicamente com a entrega de marmita e é inserido nos aplicativos de delivery, sem precisar de um ponto comercial. É uma porta de entrada de baixo custo para empreender.
Para quem quer mais estrutura, existem as lojas físicas. Esses formatos exigem investimentos a partir de algo em torno de R$ 50 mil, incluindo pontos de rua, quiosques e operações maiores, com mais cardápio e atendimento presencial. O valor varia conforme o tamanho e a localização da loja.
Essa escada de modelos é parte da estratégia da marca. Ao permitir começar pequeno e crescer aos poucos, a Mr. Fit atrai muitos empreendedores de primeira viagem, o que explica a rápida multiplicação de franquias. A acessibilidade do investimento é, em si, um motor do negócio.
Por trás dessa expansão há uma estrutura de apoio ao franqueado. A rede costuma oferecer treinamento, central de compras e padronização de cardápio, o que reduz o risco de quem nunca tocou um negócio. Esse suporte é parte do que faz uma franquia se espalhar rápido, já que diminui as chances de a loja fracassar.
A recusa de vender a Mr. Fit
O sucesso da rede chamou a atenção de quem queria comprá-la. Anos depois da fundação, com a marca já consolidada, Camila recebeu uma proposta para vender a Mr. Fit. Para muita gente, seria a hora de embolsar o lucro e sair, depois de tanto risco no início.
Mas a fundadora decidiu seguir no comando. Convencida de que a franquia ainda tinha muito a crescer, ela recusou a oferta e preferiu continuar à frente do negócio. A aposta foi de que o melhor da história ainda estava por vir.
Essa escolha revela a confiança dela no próprio projeto. Recusar uma venda exige acreditar que a rede de lojas vale mais no futuro do que o cheque oferecido no presente. Foi a mesma convicção que a fez vender o carro lá no começo, agora aplicada em um momento de maturidade da empresa.
O tempo, até aqui, deu razão à decisão. Com a marmita saudável faturando centenas de milhões e a expansão internacional no radar, manter o controle da Mr. Fit se mostrou uma aposta acertada. A consultora que ninguém quis ouvir virou dona de um dos maiores negócios do setor.
Por que a marmita saudável virou um grande negócio
O sucesso da Mr. Fit acompanha uma mudança no comportamento das pessoas. Nos últimos anos, cresceu muito a busca por alimentação saudável, com mais gente preocupada em controlar calorias, comer melhor e manter a forma. Esse movimento abriu espaço para produtos como a marmita fitness.
O mercado de alimentação saudável virou um dos mais aquecidos do setor. Movido pela busca por bem-estar, ele cresce ano após ano e atrai grandes investimentos, do supermercado ao delivery. Foi nessa corrente que a Mr. Fit se posicionou cedo, quando a marmita saudável ainda era vista com desconfiança pelo mercado.
Ao mesmo tempo, o delivery explodiu no Brasil. A popularização dos aplicativos de entrega mudou a forma como as pessoas almoçam e jantam, favorecendo justamente quem vende refeições prontas. Uma franquia de marmita que aposta no delivery surfa diretamente nessa onda.
Há ainda a questão do preço e da praticidade. Ao oferecer comida saudável a valores competitivos e com entrega rápida, a Mr. Fit elimina duas das maiores barreiras desse mercado: o custo alto e a falta de tempo. Foi essa combinação que transformou um nicho em um negócio de massa.
Por fim, o modelo de franquia acelerou a expansão. Em vez de abrir tudo sozinha, a empresa usou franqueados para chegar a centenas de cidades rapidamente, multiplicando as lojas com investimento dividido. A união entre tendência de consumo e modelo de franquia explica boa parte do crescimento.
O que isso tem a ver com o Brasil
A história da Mr. Fit se encaixa em um país apaixonado por franquia. O Brasil é um dos maiores mercados de franchising do mundo, com milhares de marcas e um setor que movimenta centenas de bilhões de reais por ano. Casos como o de Camila mostram por que tanta gente sonha em ter o próprio negócio sob uma marca conhecida.
Os números do setor reforçam esse cenário. Segundo a Associação Brasileira de Franchising, o país tem milhares de marcas franqueadas e centenas de milhares de lojas, gerando milhões de empregos. Em meio a esse universo, a Mr. Fit é um exemplo de como um negócio nascido pequeno pode escalar pela via da franquia.
O caso também ilumina o empreendedorismo feminino. Em um ambiente de negócios ainda dominado por homens, ver uma mulher construir uma rede com centenas de lojas a partir de um carro vendido serve de referência. A trajetória dela dialoga com milhares de brasileiras que tocam pequenos e médios empreendimentos.
Há ainda a forte ligação com a cultura da marmita e do delivery. No Brasil, a marmita é um hábito profundamente popular, do trabalhador que leva comida de casa ao cliente que pede pelo aplicativo. A Mr. Fit soube transformar esse costume em um produto padronizado e escalável.
Por fim, fica a lição sobre acesso ao empreendedorismo. Modelos de microfranquia, que começam com poucos milhares de reais, mostram um caminho possível para quem quer abrir um negócio sem grande capital. Em um país com tanta gente buscando renda extra, a fórmula da Mr. Fit tem apelo evidente.
A trajetória de Camila Miglhorini mostra como visão de mercado e coragem podem virar um grande negócio. Ela vendeu o carro de R$ 40 mil, ignorou o “não” de todos e construiu a Mr. Fit, uma franquia de marmita saudável que hoje soma cerca de 880 lojas em três países e fatura R$ 200 milhões por ano, de olho em mercados ainda maiores.
E você, teria coragem de apostar tudo em uma ideia que todo mundo rejeitou? Conta aqui nos comentários o que achou da história da Mr. Fit e se você acredita que a marmita saudável ainda tem muito espaço para crescer como negócio no Brasil.
