Mercado doméstico opera com cautela após máximas históricas, enquanto o dólar sobe e investidores monitoram balanços e a decisão da taxa Selic nesta semana
O Ibovespa iniciou a terça-feira, 4 de novembro de 2025, com oscilações leves após fechar o pregão anterior acima dos 150 mil pontos, marca inédita no país.
Às 12h45, o índice da B3 avançava 0,1%, próximo de 150.599 pontos, após nove sessões consecutivas de alta, o que gerou cautela entre os investidores.
No exterior, a instabilidade nas bolsas internacionais limitou o avanço. Investidores reduziram posições diante das preocupações com o setor de tecnologia e das quedas na Europa.
Segundo relatório da Ágora Investimentos, o cenário global tende a estimular realizações de lucros, interrompendo o ritmo de ganhos recentes do mercado.
Enquanto isso, o dólar subia 0,45%, cotado a R$ 5,38, acompanhando a alta global da moeda americana frente a outras divisas.
O Índice DXY ganhava 0,25%, refletindo o maior apetite por segurança no exterior.
Conforme dados do Investing.com, o dólar chegou a cair levemente, mas voltou a subir no fim da manhã.
A variação cambial reforça o impacto direto do cenário internacional sobre o real, que perde força sempre que o dólar se fortalece globalmente.
Foco em balanços corporativos
No cenário doméstico, as atenções se voltam para a temporada de balanços do terceiro trimestre. Após o fechamento desta terça-feira (5), serão divulgados os resultados de Itaú Unibanco, CSN e CSN Mineração.
A Embraer divulgou lucro líquido ajustado de R$ 289 milhões, uma queda de 76,4% em comparação ao mesmo período de 2024.
A Klabin reportou lucro líquido de R$ 478 milhões, redução de 34% sobre o terceiro trimestre de 2024. O resultado ficou em linha com as projeções do mercado.
Para o analista Alison Correia, cofundador da Dom Investimentos, a fase de realização de lucros é natural após uma sequência de recordes. Ele reforçou que esse movimento pode ser saudável para o equilíbrio do mercado.
Expectativa pela decisão do Copom
Os investidores aguardam a reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), marcada para quarta-feira, 5 de novembro, após as 18h30.
O consenso do mercado aponta para a manutenção da taxa Selic em 15% ao ano, conforme levantamento da Agência O Tempo.
A expectativa se concentra no comunicado do Banco Central, que pode indicar o início de um ciclo de cortes futuros.
“A expectativa é que a Selic se mantenha em 15%, mas o comunicado deve mostrar se há espaço para cortes mais rápidos”, afirmou Correia.
A decisão será crucial para definir as projeções do mercado sobre inflação e crescimento econômico nos próximos meses.
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Cenário externo e impacto nas commodities
No exterior, as bolsas ocidentais operavam em baixa, enquanto investidores reavaliavam as perspectivas de crescimento global e os resultados corporativos mais recentes.
Nos Estados Unidos, o mercado reagia à possibilidade de novos cortes na taxa de juros e à prolongada paralisação do governo Trump, que já soma 35 dias, igualando o recorde histórico de 2018–2019.
Além disso, o petróleo recuava cerca de 1%, e o minério de ferro caía 1,71% na bolsa de Dalian, na China, segundo dados da Bloomberg.
De acordo com o economista Silvio Campos Neto, da Tendências Consultoria, “a correção externa e a desvalorização das commodities favorecem ajustes também no mercado local, após um período de forte otimismo”.
Um momento de transição?
Com o Ibovespa em patamar recorde, o dólar em alta e os investidores atentos ao Copom, o mercado brasileiro vive um momento de transição entre confiança e prudência.
Portanto, diante desse cenário, surge uma pergunta inevitável: será que o ciclo de euforia chegou ao fim ou apenas dá lugar a uma pausa estratégica?
