Em 2013, o engenheiro galês James Howells jogou fora por engano o HD com a chave de 8.000 bitcoins, o que equivale na cotação atual, mais de R$ 4,4 Bilhões. Após 12 anos de buscas e disputas legais perdidas, uma série documental de 2025 pode reacender a caçada e atrair apoio para abrir o aterro em Newport (País de Gales).
Em meados de 2013, Howells descartou o disco rígido errado, que guardava a chave privada de sua carteira de bitcoin, no aterro de Docksway, em Newport. À época, os bitcoins valiam relativamente pouco, hoje, o montante de 8.000 BTC equivale a mais de 4,4 Bilhões de reais na cotação atual da criptomoeda.
Desde então, ele buscou autorização para escavar o local, mobilizou especialistas e investidores e propôs custear a operação sem dinheiro público. O Conselho de Newport resistiu, alegando custos, riscos e impacto ambiental. A disputa virou um caso-limite sobre propriedade de resíduos e acesso a ativos digitais perdidos.
A batalha jurídica culminou em 9 de janeiro de 2025, quando a High Court do Reino Unido rejeitou o pleito de Howells no processo Howells v Newport City Council [2025] EWHC 22 (Ch), afirmando que a pretensão “não tinha perspectiva realista de sucesso”.
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O entendimento reforçou o poder do município sobre o que entra no aterro e afastou a tese de direito de busca do reclamante.
Em fevereiro de 2025, diante da iminente desativação do aterro e de planos para instalar uma usina solar na área entre 2025 e 2026, Howells passou a avaliar comprar o sítio para viabilizar a escavação por conta própria. A ideia surgiu após a derrota na Justiça e mantém a história sob os holofotes das criptomoedas e da regulação ambiental.
A virada de 2025: série “The Buried Bitcoin” e novos patrocinadores
Em abril de 2025, a empresa americana LEBUL anunciou a aquisição dos direitos exclusivos para desenvolver e produzir a série “The Buried Bitcoin: The Real-Life Treasure Hunt of James Howells”, prometendo linguagem de docudrama e foco técnico na busca. A produção pretende combinar narrativa cinematográfica, tecnologia blockchain e soluções de inovação ambiental.
A LEBUL e publicações do setor informaram que a série deve acompanhar a trajetória do engenheiro, reconstituir o erro de 2013 e detalhar estratégias de escavação e triagem em um aterro ativo, um tema sensível por envolver licenças ambientais e manejo de resíduos.
A expectativa é atrair streamings, patrocinadores e especialistas capazes de financiar uma operação complexa e, possivelmente, convencer autoridades a liberar etapas controladas de busca.
Para Howells, a exposição global pode mudar a percepção pública e mostrar que o resgate é tecnicamente factível com mitigação de risco. Ainda que o roteiro prometa tensão de “caça ao tesouro”, o sucesso depende de fatores fora da TV: permissões oficiais, planos de engenharia e compliance ambiental.
O que disse a Justiça e o que ainda está em jogo
O acórdão da High Court em 2025 é didático: faltavam fundamentos jurídicos consistentes para impor ao município a liberação do aterro.
A corte aceitou, em linhas gerais, que o dispositivo descartado passara ao controle do poder público e que os riscos operacionais e ambientais não justificavam a intervenção. O juízo também criticou a viabilidade jurídica do pleito e a proporcionalidade da medida.
Esse entendimento cria uma barreira regulatória à escavação, mesmo com a série no horizonte. O município, por sua vez, já planejava encerrar e “capear” o local e avançar com um projeto solar, o que tornaria qualquer tentativa posterior ainda mais difícil. Daí a estratégia paralela de adquirir o terreno com investidores privados, discutida por Howells após a sentença.
Em termos práticos, a série pode não abrir portas legais por si só. Mas pode influenciar opinião pública, capital privado e soluções técnicas que, em bloco, tornem mais palatável um plano faseado de varredura e triagem com monitoramento ambiental sob supervisão de autoridades. O direito e a licença ambiental continuarão sendo o gargalo.
Quanto vale o “tesouro” e quais são os riscos técnicos
O número de moedas citado por James Howells é 8.000 BTC. Em valores de 2025, a conta gira em centenas de milhões de euros e chega a ser narrada como US$ 750 a 800 milhões em publicações internacionais.
Para o público brasileiro, isso equivale a 4,4 bilhões de reais, variação dependente da cotação do bitcoin e do câmbio. É dinheiro que muda destinos, mas sujeito à volatilidade extrema.
Do ponto de vista técnico, o HD estaria enterrado sob dezenas de milhares de toneladas de resíduos e terra, em camadas depositadas ao longo de meses de 2013. Mesmo que encontrado, resta a dúvida crucial: a mídia física suportou doze anos de compressão, umidade e corrosão?
É importante destacar que, sem chave privada íntegra, não há recuperação dos 8.000 BTC.
Equipes já aventaram uso de robôs, IA, sensores e triagem mecânica para localizar setores onde o HD poderia estar, reduzindo o volume a processar e os danos ambientais.
Ainda assim, qualquer operação exigiria protocolos de saúde e segurança, contenção de lixiviados e gestão de emissões, elementos que pesam na decisão das autoridades e ajudam a explicar a resistência do município.
Você acha que o poder público deve autorizar uma escavação controlada em nome de um possível “tesouro digital” ou o risco ambiental é alto demais? A série pode influenciar a decisão das autoridades ou será apenas entretenimento? Se fosse no Brasil, sob nossas regras ambientais, você seria a favor ou contra uma operação semelhante?

