Com investimento de US$ 1 bilhão, equipe de 950 pessoas e lançamento marcado para maio de 2026 via Falcon 9 da SpaceX, a Haven-1 da Vast será a primeira estação espacial totalmente privada a orbitar a Terra — sem participação de governos
Uma startup contratou 950 pessoas e investiu US$ 1 bilhão para lançar a primeira estação espacial privada do mundo em maio de 2026. Sem governo, sem NASA no comando. A Haven-1, desenvolvida pela empresa americana Vast Space, será colocada em órbita por um único foguete Falcon 9 da SpaceX.
Com 45 m³ de volume habitável e capacidade para 4 astronautas, a estação será a maior carga já lançada por um Falcon 9 — cerca de 14 mil kg. A diferença fundamental é o conceito: um único lançamento coloca tudo em órbita, sem montagem espacial como a ISS exigiu ao longo de 13 anos.
“Se seguirmos nosso plano, seremos a primeira plataforma comercial standalone em LEO no espaço com a Haven-1, e isso é um ponto de inflexão incrível para o voo espacial humano”, afirmou Drew Feustel, astronauta principal da Vast e ex-astronauta da NASA, conforme Space.com.
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O que é a Haven-1 em números
- Volume habitável: 45 m³ (~1/8 da ISS)
- Peso: ~14.000 kg (maior carga de um Falcon 9)
- Diâmetro: 4,4 metros
- Capacidade: 4 astronautas por missão
- Duração das missões: 10 a 14 dias
- Missões planejadas: 4 em 3 anos (160 astronaut-days)
- Janela cúpula: 1,2 metro de diâmetro
- Internet: Starlink a bordo
- Investimento: ~US$ 1 bilhão
- Equipe Vast: cresceu de 200 para 950 desde 2023

Lançamento único: como a Haven-1 vai para o espaço
A Haven-1 será lançada inteira, em um único voo, dentro da carenagem do Falcon 9. Não haverá montagem em órbita. Isso reduz custos e complexidade em comparação com a ISS, que exigiu dezenas de missões de montagem entre 1998 e 2011.
A nave Crew Dragon, também da SpaceX, será usada para levar e trazer os tripulantes. A porta de acoplamento da Haven-1 é compatível com o sistema Dragon. Dentro da estação espacial, cada astronauta terá dormitório privado, mesa comunitária retrátil e acesso à internet via Starlink.
Em outubro de 2025, a Vast anunciou a conclusão da solda final da estrutura primária, pintura e início dos testes de pressão em Mojave, Califórnia. O próximo passo são testes de carga antes do envio à SpaceX para integração com o foguete.

A corrida para substituir a ISS
A Estação Espacial Internacional opera desde 1998 e tem aposentadoria prevista para 2030 ou 2031. A NASA criou o programa Commercial LEO Destinations (CLD) para incentivar empresas privadas a construir substitutos comerciais.
A Haven-1 não é a única concorrente. A Axiom Space monta módulos na própria ISS. A Starlab (Nanoracks/Lockheed) planeja lançamento por volta de 2028. A Orbital Reef (Blue Origin/Sierra Space) também está em desenvolvimento. Contudo, a Vast promete ser a primeira a colocar uma estação standalone em órbita.
Os custos operacionais futuros da Haven-1 são estimados em US$ 1 a 2 bilhões por ano — cerca de metade do que custa manter a ISS (~US$ 4 bilhões anuais). Esse diferencial pode democratizar o acesso à órbita baixa para pesquisa científica e turismo espacial.

Ressalvas e riscos
O cronograma de maio de 2026 é ambicioso. Atrasos na integração com a SpaceX ou nos testes podem empurrar o lançamento. A estação espacial ainda precisa de certificações de segurança para voo humano e mitigação de colisões em órbita baixa.
A vida útil inicial é de apenas 3 anos, com 4 missões planejadas. O sucesso depende de clientes dispostos a pagar por estadias de 10-14 dias. A Vast já trabalha na Haven-2, versão modular e candidata ao programa CLD da NASA. Para detalhes, consulte a Geocracia e o Blog da Engenharia.
