A Guerra Irã EUA reacende temores no Oriente Médio, impacta o Preço do petróleo e provoca forte volatilidade nos Mercados financeiros.
A nova Guerra Irã EUA, deflagrada após ataques conjuntos dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã neste fim de semana, deixou mais de 200 mortos em cidades iranianas e já provoca forte apreensão nos Mercados financeiros globais.
O conflito, liderado pelo presidente americano Donald Trump e pelo primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu, ocorre no Oriente Médio e reacende o temor de interrupções no fornecimento de energia.
Como consequência, investidores reagem com cautela, elevando o Preço do petróleo e buscando ativos considerados mais seguros. O motivo central é o risco de escalada militar e seus impactos diretos na economia mundial.
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Nem mesmo o fim da ‘montanha russa’ descrita pelo preço do petróleo tipo Brent (principal referência global) – que saltou de uma cotação de US$ 72 para US$ 120, até baixar ao patamar de US$ 76 o barril – devido ao acordo de paz recente firmado entre os EUA e o Irã, foi suficiente para aliviar a economia brasileira de pressões inflacionárias.
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Logo nas primeiras horas após os ataques, analistas passaram a projetar volatilidade nas bolsas, no câmbio e nos juros internacionais.
Além disso, cresce a preocupação com pressões inflacionárias, especialmente em países dependentes da importação de energia.
Preço do petróleo deve subir com avanço da Guerra Irã EUA
O principal termômetro do conflito é o Preço do petróleo.
Historicamente, crises no Oriente Médio elevam as cotações da commodity, já que a região concentra grande parte da produção global.
Para Gustavo Cruz, estrategista da RB Investimentos, a reação inicial tende a ser intensa.
“O mercado vai adotar o modo pânico. Acredito que a tendência é o petróleo subir bastante, assim como ouro, prata, dólar e a curva de juros futuros”, afirma.
Segundo ele, em momentos de incerteza, investidores migram para ativos considerados mais seguros, como o dólar e o ouro.
Esse movimento é conhecido como “flight to quality”, quando há uma busca por proteção diante de riscos elevados.
Por outro lado, há quem veja um impacto menos dramático.
O economista Simão Silber, professor da Universidade de São Paulo (USP), pondera que o aumento pode ser limitado.
“Claro que vai afetar o preço e o gerenciamento de petróleo no mundo, mas o efeito deverá ser menor pelo crescimento da produção da Rússia e o controle dos EUA sobre a produção da Venezuela”, explica.
Estreito de Ormuz pode definir rumo dos Mercados financeiros
Apesar da alta recente do petróleo — que já acumula valorização próxima de 20% desde o início do ano — o consultor André Perfeito avalia que ainda não é possível cravar pânico imediato.
Segundo ele, o ponto central está no Estreito de Ormuz, passagem estratégica no Golfo Pérsico responsável pelo escoamento de quase um terço do petróleo mundial.
Caso haja bloqueio da rota, o cenário pode mudar rapidamente.
“Não sei se haverá algum pânico. A questão é se o Irã fechar o Estreito de Ormuz.
Aí, vai haver uma estressada maior no petróleo”, explica Perfeito. “O impacto no preço do barril do petróleo pode ser relevante e isso traz implicações ao nível de atividade global”, acrescenta.
Portanto, enquanto o conflito permanece restrito a ataques pontuais, o mercado tende a reagir com cautela.
Contudo, qualquer sinal de interrupção logística pode amplificar a turbulência nos Mercados financeiros.
Balança comercial brasileira pode ser beneficiada
Embora o cenário internacional seja de incerteza, o Brasil pode ocupar uma posição relativamente confortável.
Isso porque o país é exportador líquido de petróleo e derivados, o que fortalece a Balança comercial brasileira em momentos de alta no Preço do petróleo.
De acordo com André Perfeito, o superávit do setor se aproxima de R$ 30 bilhões, representando cerca de 43% do saldo comercial no período analisado.
Em outras palavras, a elevação das cotações pode ampliar as receitas externas.
“O Brasil, nesse cenário, pode se beneficiar fortemente, uma vez que simplesmente o país é superavitário na balança de petróleo e derivados.
Dito de outra forma, bem ao gosto de um financista, estamos ‘hedgeados’ (protegidos). Se o preço do petróleo explode, o preço da gasolina importada sobe, mas o petróleo que o país exporta sobe também”, afirma Perfeito.
Ele vai além e sugere que o real pode até se valorizar frente ao dólar caso o fluxo cambial favoreça o país.
“Provavelmente, o Brasil vai ganhar por WO, depois de décadas de esforço do próprio Brasil”, aposta.
Conflito pode durar semanas e manter volatilidade
A duração da Guerra Irã EUA ainda é incerta.
No entanto, o avanço do processo de sucessão do aiatolá Ali Khamenei adiciona um componente político delicado ao cenário interno iraniano.
Para Perfeito, não há indícios claros de que os Estados Unidos busquem uma mudança imediata de regime.
“O objetivo da parte dos EUA não está claro, afinal, não haverá queda de regime facilmente uma vez que a Guarda Revolucionária iraniana é uma instituição espraiada na sociedade daquele país.
Logo, parece que Trump quer apenas um ‘caos’ para tentar atingir objetivos mais voltados à dinâmica doméstica dos EUA”, afirmou.
Assim, enquanto persistirem as incertezas, os Mercados financeiros devem operar sob tensão.
O Preço do petróleo continuará sendo o principal indicador a ser monitorado, sobretudo diante de qualquer movimentação no Estreito de Ormuz.
Para o Brasil, o desafio será equilibrar os efeitos inflacionários internos com o possível fortalecimento da Balança comercial brasileira.
Em um cenário global turbulento, o país pode encontrar uma rara oportunidade de vantagem econômica — desde que a crise não escale para proporções ainda maiores.
Veja mais em: Clima nos mercados deve ficar mais tenso após ataques dos EUA ao Irã – Blog da Rosana Hessel
