A guerra do Irã ampliou a tensão no Oriente Médio após Trump ameaçar retomar bombardeios, Teerã negar ataque a um navio sul-coreano no Estreito de Ormuz e Israel matar um comandante da força Radwan do Hezbollah nos arredores de Beirute
A guerra do Irã voltou a concentrar tensão diplomática e militar nesta quinta-feira, após Donald Trump afirmar que um acordo para encerrar o conflito era “muito possível”, mas avisar que Washington retomaria os bombardeios caso as negociações fracassassem. No mesmo cenário de escalada regional, o Irã negou ter atacado um navio cargueiro sul-coreano no Estreito de Ormuz, enquanto Israel matou um comandante sênior da força de elite do Hezbollah nos arredores de Beirute.
O ataque israelense ocorreu na quarta-feira, nos subúrbios do sul da capital libanesa, primeira ação do tipo na área em quase um mês. Uma fonte próxima ao Hezbollah afirmou, sob condição de anonimato, que Malek Ballout, comandante de operações da força Radwan, foi morto na ofensiva.
Pelo menos outras 11 pessoas morreram em ataques no sul e no leste do Líbano, de acordo com o Ministério da Saúde libanês. O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, declarou que as forças armadas de Israel alvejaram “o comandante da força Radwan do Hezbollah”.
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Guerra do Irã eleva pressão sobre negociações e segurança no Estreito de Ormuz
A tensão no Estreito de Ormuz ganhou novo capítulo depois que Teerã negou ter atacado o navio HMM Namu, cargueiro sul-coreano de bandeira panamenha. A embarcação pegou fogo na segunda-feira enquanto navegava pela via estratégica com 24 tripulantes a bordo.
A embaixada do Irã em Seul afirmou que “rejeita veementemente e nega categoricamente” as alegações de que forças armadas iranianas estariam por trás da explosão. A declaração ocorreu após Trump dizer que o Irã havia “disparado alguns tiros” contra a embarcação.
Trump também pediu que a Coreia do Sul se juntasse aos esforços liderados pelos Estados Unidos para restabelecer a navegação pelo estreito. Depois da fala, Seul informou que “revisaria sua posição” sobre a participação nas operações americanas de escolta de navios.
Coreia do Sul recua em revisão após suspensão de operação americana
A revisão sul-coreana perdeu força após a suspensão do programa de escolta chamado “Projeto Liberdade”. O Conselheiro de Segurança Nacional, Wi Sung-lac, afirmou na quarta-feira que a interrupção do programa tornou desnecessária uma mudança de posição naquele momento.
A guerra do Irã também passou a ser marcada por mensagens contraditórias de Washington sobre negociações. Trump afirmou haver “grande progresso”, mas também disse que era cedo demais para novas conversas diretas.
A ameaça de retomada de bombardeios manteve a pressão sobre Teerã em meio às acusações envolvendo o Estreito de Ormuz. A negativa iraniana, por sua vez, buscou afastar responsabilidade direta pela explosão no cargueiro sul-coreano.
Ataque israelense atinge reduto do Hezbollah em Beirute
No Líbano, a Agência Nacional de Notícias informou que aviões de guerra israelenses lançaram um ataque contra Ghobeiri, nos subúrbios do sul de Beirute. A área é considerada um reduto do Hezbollah e já vinha sendo afetada pelo deslocamento de moradores.
Um correspondente da AFP viu um prédio coberto de escombros depois da ofensiva. Pessoas deixavam o local levando seus pertences, em meio aos danos provocados pelo ataque.
Uma fonte de segurança libanesa afirmou, sob condição de anonimato, que o alvo foi um apartamento onde líderes da força Radwan estavam reunidos. A morte de Malek Ballout reforçou o peso militar do ataque dentro da estrutura do Hezbollah.
Muitos moradores dos subúrbios do sul já haviam deixado a região depois que o Hezbollah arrastou o Líbano para a guerra do Oriente Médio em março. Mesmo com a trégua em vigor desde 17 de abril, parte deles não retornou.
O episódio em Beirute ampliou o impacto regional da guerra do Irã, que agora combina ameaças americanas, negativa iraniana sobre o Estreito de Ormuz, revisão diplomática sul-coreana e novos ataques israelenses contra o Hezbollah.

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