Com aumento de R$ 0,38 no diesel após promessa de redução de até R$ 0,64, articulação nacional da greve dos caminhoneiros avança, envolve mais de 1,5 milhão de motoristas e preocupa governo diante do impasse sobre ICMS e frete mínimo
A possibilidade de uma nova greve dos caminhoneiros voltou ao radar do governo federal após aumento no preço do diesel e insatisfação com medidas adotadas. As informações são da InfoMoney, com base em apuração da Folha de S. Paulo.
As lideranças do setor afirmam que já há decisão favorável à greve dos caminhoneiros, embora ainda não exista uma data definida para o início do movimento. A articulação envolve motoristas autônomos e profissionais contratados.
O avanço da mobilização ocorre em meio à combinação de medidas governamentais e reajustes no combustível. Esse cenário ampliou a insatisfação da categoria e elevou o risco de uma paralisação nacional.
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Medidas e reajuste do diesel intensificam crise
O estopim foi a sequência de decisões envolvendo o preço do diesel. No dia 12 de março, a União zerou PIS/Cofins e criou uma subvenção que poderia reduzir o valor em até R$ 0,64 por litro.
No dia seguinte, porém, a Petrobras anunciou aumento de R$ 0,38 por litro no diesel A. A decisão ocorreu sob influência da alta do petróleo no mercado internacional, em meio à guerra no Oriente Médio.
Para os caminhoneiros, o reajuste anulou o efeito prático das medidas anunciadas. A percepção de perda de impacto reforçou a mobilização da categoria.
Reivindicações incluem frete e custos operacionais
A greve dos caminhoneiros também está associada a demandas estruturais. Entre elas está o cumprimento da tabela de frete mínimo prevista na Lei 13.703 de 2018, frequentemente apontada como descumprida.
De acordo com os caminhoneiros, a falta de fiscalização permite operações abaixo do piso estabelecido. Isso comprime a renda e amplia a insatisfação no setor.
Outras reivindicações incluem isenção de pedágio em viagens sem carga e maior previsibilidade nos custos operacionais. Esses pontos são considerados essenciais para a sustentabilidade da atividade.
Governo tenta conter avanço da mobilização
O avanço da greve dos caminhoneiros já preocupa o governo federal, que iniciou diálogo com representantes da categoria. Integrantes da Casa Civil buscam alternativas para conter a escalada do movimento.
O ambiente ainda é marcado por desconfiança entre as partes. Paralelamente, o governo avalia intensificar a fiscalização sobre postos e distribuidoras.
A medida ocorre diante de indícios de que reduções de custos não estão sendo repassadas ao consumidor. Esse fator mantém pressão sobre os preços do diesel.
Impasse com estados amplia risco de paralisação
A crise se agrava com a recusa dos estados em reduzir o ICMS sobre o diesel. Governadores argumentam que já acumulam perdas bilionárias com cortes anteriores e rejeitam novas reduções.
Esse impasse limita o alcance das ações federais e mantém o preço elevado. Com isso, cresce o risco de uma greve dos caminhoneiros em escala nacional.
O país conta com cerca de 790 mil caminhoneiros autônomos e outros 750 mil motoristas celetistas. Um movimento coordenado pode gerar impacto relevante na logística e na atividade econômica.
