Arrecadação federal fecha o terceiro trimestre com recorde histórico, alcançando R$ 679,7 bilhões no período e totalizando R$ 2,1 trilhões no acumulado do ano, com crescimento real acima da inflação e cinco anos consecutivos de alta
Lead: A arrecadação federal de impostos e contribuições atingiu R$ 2,1 trilhões entre janeiro e setembro de 2025, o que representa o maior valor nominal já registrado pela Receita Federal desde o início da série histórica, em 1995. O resultado reflete a quinta alta anual consecutiva, consolidando um ciclo de crescimento que supera até a inflação acumulada do período.
Somente no terceiro trimestre, o governo arrecadou R$ 679,7 bilhões, volume 6,9% superior ao observado no mesmo intervalo de 2024. A performance mantém a trajetória positiva iniciada em 2021, após o impacto da pandemia sobre as contas públicas. O avanço real de 3,49% demonstra que a expansão não se deve apenas ao aumento de preços, mas também a uma recuperação sólida da base tributária e da atividade econômica.
Crescimento contínuo e impulso das receitas tributárias
O resultado confirma o quinto aumento consecutivo da arrecadação, algo inédito desde a criação da série histórica.
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O último recuo foi em 2020, quando a pandemia reduziu a atividade e fez o recolhimento cair para R$ 360,3 bilhões no terceiro trimestre.
Desde então, a curva de arrecadação tem se mantido ascendente, refletindo maior formalização, retomada do consumo e alta na produção industrial.
De acordo com a Receita, a arrecadação vem crescendo de forma ampla, com alta tanto em tributos sobre o lucro e a renda quanto sobre o consumo.
Impostos como IRPJ, CSLL e PIS/Cofins tiveram desempenho acima do previsto, impulsionados pela recomposição de margens empresariais e pelo fortalecimento do mercado interno.
Os setores financeiro, de combustíveis e de energia elétrica também contribuíram significativamente para o saldo positivo.
Inflação controlada e avanço real da arrecadação federal
Embora o crescimento nominal de 8,85% já fosse expressivo, o destaque está no ganho real — 3,49% acima da inflação medida pelo IPCA.
Isso indica que o aumento não se limita ao efeito dos reajustes de preços, mas reflete maior eficiência arrecadatória e elevação da base tributável.
Em setembro, o desempenho foi novamente recorde: R$ 216,7 bilhões em receitas, alta de 6,67% frente ao mesmo mês do ano anterior.
O comportamento das receitas acompanha o ritmo de expansão moderada da economia brasileira, sustentado por programas de incentivo à produção e consumo.
A Receita Federal aponta que o bom resultado é resultado direto de melhoras em fiscalização eletrônica, digitalização de declarações e aumento da conformidade tributária, fatores que ampliam a eficiência do sistema sem necessidade de elevação de alíquotas.
O que explica o recorde histórico e as perspectivas para 2026
A combinação de crescimento econômico, inflação sob controle e arrecadação mais eficiente explica o recorde atual.
Mesmo com redução de algumas renúncias fiscais e manutenção de incentivos setoriais, a base de arrecadação se expandiu.
Para 2026, a expectativa é de crescimento mais moderado, já que parte do avanço recente veio de ganhos não recorrentes, como ajustes de compensações e regularizações extraordinárias.
Ainda assim, especialistas consideram o resultado positivo para o equilíbrio das contas públicas.
Com mais recursos disponíveis, o governo amplia a margem para investimentos e programas sociais, sem recorrer a aumentos expressivos de impostos.
A sustentabilidade, no entanto, dependerá de controle de despesas e de estabilidade nas receitas nos próximos trimestres.
A marca de R$ 2,1 trilhões em arrecadação federal representa mais do que um número recorde: traduz a capacidade de recuperação da economia e a eficiência do sistema tributário após anos de oscilação.
Mesmo com desafios fiscais persistentes, a tendência de alta consecutiva indica um cenário de maior previsibilidade e fortalecimento das contas públicas.
Você acha que o aumento da arrecadação federal deve ser usado prioritariamente para reduzir o déficit público ou para ampliar investimentos sociais?
