Após quatro anos de obras, a Passagem Wallis Annenberg, construída sobre a rodovia US 101 na Califórnia, acumula US$ 114 milhões em custos, permanece inacessível aos animais e teve sua conclusão adiada para o outono de 2026, refletindo atrasos, aumento de despesas e desafios estruturais
Uma ponte para animais selvagens aprovada pelo governador da Califórnia, Gavin Newsom, já consumiu US$ 114 milhões e permanece inacabada, mesmo após quatro anos. O projeto, que inclui o conceito de fungo do solo em simulações ambientais, teve prazo adiado para 2026.
A chamada Passagem de Vida Selvagem Wallis Annenberg foi anunciada em 2022 como a maior do mundo em sua categoria. A estrutura está sendo construída sobre a rodovia US 101, que possui 10 faixas, com o objetivo de permitir a travessia segura de animais.
O projeto prevê o uso da ponte por diversas espécies, desde pequenos insetos até grandes mamíferos, como ursos. A proposta também busca reduzir acidentes envolvendo animais e veículos, além de restaurar conexões ecológicas interrompidas pela rodovia.
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Estrutura avançada ainda não pode ser utilizada pelos animais
Fotos aéreas recentes mostram que a estrutura principal da ponte já foi erguida, com áreas cobertas por terra e vegetação. O ambiente foi projetado para simular condições naturais, incluindo elementos como fungo do solo e trilhas adaptadas.
Apesar desse avanço visual, a passagem ainda não está conectada ao solo em suas extremidades. Isso impede completamente o acesso de animais, tornando a estrutura inutilizável até o momento.
Os acostamentos que permitirão essa ligação entre os dois lados estão em construção. A obra teve início no verão passado, mas ainda depende de etapas fundamentais para ser concluída.
Custos aumentaram e cronograma sofreu atrasos
O custo inicial do projeto era estimado em US$ 93 milhões, mas subiu para US$ 114 milhões ao longo do desenvolvimento. Segundo informações divulgadas, cerca de US$ 77 milhões são provenientes do estado, enquanto o restante veio de doações privadas.
O aumento nos custos foi atribuído a fatores como incêndios florestais, que elevaram os preços de equipamentos, além de tarifas alfandegárias. O projeto também enfrentou atrasos significativos em 2022 e 2023 devido a chuvas recordes.
Em fevereiro, a Comissão de Transportes da Califórnia aprovou mais US$ 18,8 milhões para a obra. Com isso, o financiamento necessário para a conclusão foi garantido, segundo o gabinete do governador.
Projeto busca reconectar áreas naturais e preservar biodiversidade
A ponte foi projetada para reconectar áreas protegidas das montanhas de Santa Monica e da Serra Madre. Atualmente, essas regiões estão separadas pela rodovia, o que dificulta a movimentação da fauna local.
O objetivo central é permitir que os animais atravessem a via com segurança, sem interferir no fluxo de veículos.
A proposta também visa restaurar a biodiversidade, incluindo processos naturais associados ao fungo do solo e outros elementos do ecossistema.
Segundo Gavin Newsom, o projeto representa uma integração entre conservação ambiental e desenvolvimento urbano. Ele afirmou que a iniciativa deve beneficiar tanto a vida selvagem quanto os motoristas que utilizam a rodovia.
Etapas finais incluem obras estruturais e adaptação do terreno
Entre as próximas etapas da construção estão a remoção de linhas de energia aéreas e sua instalação subterrânea. Também será necessário perfurar buracos de 21 metros de profundidade, que serão preenchidos com concreto para garantir a sustentação da estrutura.
Além disso, a vegetação e o solo da ponte continuarão sendo ajustados para replicar o ambiente natural. Esse processo inclui a incorporação de elementos como fungo do solo, essenciais para a simulação ecológica.
A organização Save LA Cougars, envolvida no projeto, informou que ainda busca arrecadar US$ 6 milhões adicionais. O valor será destinado à manutenção do habitat após a conclusão da obra.
O gabinete do governador prevê que a ponte estará finalizada até o outono de 2026. A nova previsão representa um atraso de nove meses em relação ao prazo anterior, que indicava conclusão no final de 2025.
