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Governo do Brasil toma decisão drástica para evitar alta do combustível enquanto mercado teme impacto no preço da Petrobras e no frete do agronegócio após petróleo superar US$ 100

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Escrito por Alisson Ficher Publicado em 12/03/2026 às 12:53 Atualizado em 12/03/2026 às 12:55
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Governo zera PIS e Cofins do diesel para conter alta do combustível após petróleo superar US$100 com tensões no Estreito de Ormuz.
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Disparada do petróleo após ataques no Oriente Médio pressiona custos globais do diesel e leva governo brasileiro a zerar tributos federais para tentar conter impacto imediato no preço do combustível no país.

O governo federal decidiu zerar as alíquotas de PIS e Cofins sobre a importação e a comercialização do diesel para tentar conter o avanço do combustível no país, em meio à disparada do petróleo no mercado internacional.

A medida foi anunciada nesta quinta-feira (12), no Palácio do Planalto, em resposta à volatilidade provocada pelo agravamento do conflito no Irã e aos efeitos imediatos dessa tensão sobre o custo do barril no exterior.

A iniciativa busca reduzir parte da pressão que já começou a alcançar o mercado brasileiro em um momento sensível para a economia, sobretudo para setores que dependem intensamente do diesel, como transporte de cargas, agricultura e logística.

Embora o Brasil seja um grande produtor e exportador de petróleo bruto, o país ainda precisa importar uma parcela relevante do diesel que consome, o que torna o abastecimento doméstico vulnerável às oscilações do mercado internacional e ao custo do produto importado.

Alta do petróleo e tensão no Estreito de Ormuz pressionam mercado global

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Nos últimos dias, o petróleo voltou a operar acima de US$ 100 por barril, depois de ter se aproximado de US$ 120 no início da semana, segundo relatos do mercado internacional.

A alta ganhou força após novos ataques a embarcações nas proximidades do Estreito de Ormuz, uma das rotas mais estratégicas para o transporte global de petróleo.

Esse movimento reacendeu o temor de interrupções no fluxo marítimo em uma área decisiva para o comércio mundial de energia.

O Estreito de Ormuz concentra parte relevante do escoamento global de petróleo, e qualquer ameaça à navegação na região costuma ter efeito quase imediato sobre os preços.

Com a nova escalada, agentes do setor passaram a monitorar com mais atenção o risco de encarecimento do diesel no Brasil, especialmente porque a diferença entre o preço interno e o custo do produto importado já vinha sendo observada por distribuidoras e importadores.

Dependência de importações torna diesel mais sensível no Brasil

A preocupação maior recai sobre o diesel porque esse é o derivado em que o país apresenta dependência externa mais visível.

Dados e análises recentes do setor mostram que o Brasil importa cerca de 30% das necessidades do combustível, quadro que amplia a sensibilidade do mercado doméstico diante de choques externos.

Em paralelo, a comercialização de diesel no país segue em nível elevado.

Segundo dados divulgados pela Agência Nacional do Petróleo, as vendas de diesel B bateram recorde em 2025, o que ajuda a explicar por que qualquer distorção de oferta ou preço ganha repercussão rápida em toda a cadeia produtiva.

Além disso, o diesel tem peso direto sobre custos de frete, produção agropecuária e circulação de mercadorias, fatores que amplificam o impacto de qualquer aumento no combustível.

Reportagens recentes apontaram que a alta do combustível já aparece como uma das ameaças mais imediatas ao campo brasileiro no atual cenário geopolítico.

Em alguns pontos do mercado, o produto importado já vinha sendo negociado acima do biodiesel, o que intensificou a pressão por alguma resposta do governo para amortecer o choque externo.

Corte de PIS e Cofins tenta reduzir impacto do preço internacional

Ao retirar PIS e Cofins do diesel, o governo tenta criar um colchão tributário para reduzir o repasse da alta internacional ao consumidor brasileiro.

Segundo o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, a decisão anunciada agora não altera a política de preços da Petrobras e não deve produzir impacto fiscal adicional.

A avaliação do governo é que o corte dos tributos federais pode funcionar como instrumento emergencial para diminuir a pressão de curto prazo sobre distribuidoras e revendedores.

A decisão também marca uma mudança em relação ao cenário que vigorava até então.

A cobrança integral de PIS e Cofins sobre o diesel havia sido retomada em 1º de janeiro de 2024, depois do fim da desoneração que vinha do período anterior.

Ou seja, o movimento anunciado agora representa uma nova suspensão desses tributos para enfrentar uma conjuntura específica de choque internacional, e não a continuidade automática de uma política permanente.

Esse ponto é importante porque, ao longo dos últimos meses, circularam publicações que tratavam a reoneração como se fosse uma medida futura, quando ela já estava em vigor desde o início de 2024.

Estrutura das importações reduz dependência direta do Golfo Pérsico

Apesar do impacto do conflito no preço internacional do petróleo, o risco para o abastecimento brasileiro não decorre necessariamente de uma dependência direta dos países do Golfo Pérsico como fornecedores centrais de derivados.

A estrutura das importações de diesel do Brasil é mais diversificada, e o mercado nacional vem recebendo volumes relevantes de outras origens, inclusive de produtores fora daquela região.

Ainda assim, quando o barril sobe com força e o frete marítimo entra em zona de maior tensão, o custo global do produto importado aumenta, mesmo para países que não compram diretamente dos focos mais agudos da crise.

Na prática, isso significa que o Brasil pode sentir o efeito da turbulência internacional sem depender, em larga escala, de derivados embarcados a partir do Golfo.

Foi justamente esse raciocínio que levou o Planalto a agir antes de um repasse mais amplo ao mercado interno, num momento em que a diferença entre o diesel vendido pela Petrobras e o produto importado vinha alimentando tensão no setor.

Nos últimos dias, relatos do mercado apontaram aumento de custos, desequilíbrio entre oferta e demanda e maior disputa por volumes em regiões estratégicas para o agronegócio e o transporte.

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Alisson Ficher

Jornalista formado desde 2017 e atuante na área desde 2015, com seis anos de experiência em revista impressa, passagens por canais de TV aberta e mais de 12 mil publicações online. Especialista em política, empregos, economia, cursos, entre outros temas e também editor do portal CPG. Registro profissional: 0087134/SP. Se você tiver alguma dúvida, quiser reportar um erro ou sugerir uma pauta sobre os temas tratados no site, entre em contato pelo e-mail: alisson.hficher@outlook.com. Não aceitamos currículos!

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