O Governo Federal está se preparando para anunciar uma série de medidas de incentivo para a indústria automotiva, incluindo a volta dos carros populares em sua primeira etapa.
Segundo informações do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), o objetivo é lançar um plano de incentivo para toda a cadeia industrial, com medidas que incluem linhas de crédito para o setor fabril, reduções tributárias, aumento do índice de nacionalização de bens manufaturados e um programa de financiamento para veículos.
As medidas têm como foco principal os carros de entrada, com o objetivo de reduzir os preços iniciais de modelos compactos com motor 1.0 para uma faixa entre R$ 50 mil e R$ 60 mil. O anúncio oficial está previsto para o dia 25 de maio, data que celebra o Dia da Indústria.
Com a iniciativa, o governo espera fortalecer o setor automotivo brasileiro, que vem enfrentando dificuldades nos últimos anos
O setor teve que se adaptar a normas mais severas de segurança e controle de emissões, o que elevou o preço dos veículos e afetou o volume de vendas. Além disso, a crise econômica e a pandemia fizeram as empresas apostar em modelos mais rentáveis, deixando de lado os modelos menos lucrativos, como os carros populares.
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Com a medida, a expectativa é que haja redução de preços e financiamento de longo prazo, mas sem a obrigação de atingir um valor abaixo de R$ 60 mil para se ter acesso a benefícios tributários. Um dos critérios usados para essa seleção pode ser a eficiência energética, o que beneficiaria modelos menos poluentes. Há também a possibilidade de os incentivos incluírem estímulos à produção local de carros híbridos e elétricos.
A medida vai além das montadoras e busca incentivar toda a cadeia industrial
Por isso, discute-se a possibilidade de linhas de crédito para o setor fabril e a redução de tributos, além de um programa de financiamento para veículos. A expectativa é que o pacote seja anunciado na sede da Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo).
Para as marcas que não oferecem modelos de baixo custo, a ideia é criar formas de reduzir os preços dos automóveis já existentes, sem retirar o mínimo possível de equipamentos. Isso porque, segundo representantes das montadoras, o carro depenado, sem conteúdo, não vai de encontro ao que o brasileiro quer.
Por outro lado, as empresas que já possuem modelos mais acessíveis, como a Renault, tem interesse em aderir ao plano e adequar seus modelos. Hoje, o carro mais barato da marca no Brasil é o Renault Kwid na versão Zen, produzido em São José dos Pinhais (PR). O veículo custa em média R$ 69 mil e é equipado com direção elétrica e ar-condicionado.
A ideia do plano de incentivo é reduzir o preço dos carros populares e ampliar o acesso ao mercado
O setor financeiro, por sua vez, precisa oferecer taxas atraentes para pessoas físicas, sem que isso implique em riscos de crédito. Uma das ideias para contornar o problema é a utilização do FGTS como garantia. Dessa forma, o dinheiro não seria usado efetivamente para a compra do carro, mas poderia ser acessado pelos bancos em caso de inadimplência.
Todas as medidas têm como objetivo estimular as vendas no varejo, mas é provável que os carros mais simples acabem em frotas de aluguel de carros. Esses modelos seriam demandados, por exemplo, pelos motoristas de aplicativo que aderem aos programas de assinatura de longo prazo. Segundo dados da Associação Nacional das Empresas Financeiras das Montadoras (Anef), os atrasos de pagamentos com mais de 90 dias chegaram a 5,9% dos contratos, o que representa um aumento de 1,5% em relação a 2021.
A indústria automotiva é um dos setores mais importantes da economia brasileira e tem grande representatividade no mercado internacional. Com o plano de incentivo do governo, espera-se que o setor volte a crescer e contribua para a recuperação da economia brasileira. O anúncio oficial será feito no dia 25 de maio, na sede da Fiesp.

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