Google constrói em Minnesota a maior bateria iron-air do mundo com 300 MW e 30 GWh para armazenar energia por 100 horas seguidas
O Google assinou, em 28 de fevereiro de 2026, acordo definitivo com a Xcel Energy para implantar em Pine Island, Minnesota, a maior bateria iron-air do mundo: 300 megawatts de potência e 30 gigawatts-hora de capacidade, segundo a Fortune. A bateria iron-air pode descarregar energia continuamente por 100 horas — diferentemente do lítio, que dura geralmente 4 horas.
De acordo com o anúncio, a bateria iron-air será pareada com 1.400 MW de energia eólica e 200 MW solar. Em paralelo, o sistema garantirá energia firme para os data centers da Google na região. Conforme cronograma, a primeira entrega da bateria acontece em 2028, com instalação total finalizada entre 2028 e 2031.
O projeto representa avanço significativo na tecnologia de armazenamento de longa duração — categoria conhecida como LDES (Long Duration Energy Storage). Em outras palavras, a bateria pode armazenar energia gerada em dias ventosos para usar em dias parados, ou energia solar do verão para inverno. Por isso, é vista como peça-chave para descarbonização da rede elétrica.
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Como funciona a bateria iron-air e por que dura 100 horas
A bateria iron-air usa princípio químico simples: ferro reage com oxigênio do ar formando ferrugem, liberando energia. Em primeiro lugar, durante a carga, eletricidade reverte a reação, transformando ferrugem de volta em ferro. Em segundo lugar, o ciclo é repetível dezenas de milhares de vezes sem perda significativa de capacidade.
De acordo com a Form Energy, fabricante da tecnologia, cada bateria tem cerca de 0,5 metro de largura por 1,5 metro de altura e contém milhares de pellets de ferro. Da mesma forma, o eletrólito é solução alcalina à base de potássio. Em comparação, baterias de lítio dependem de cobalto e níquel — minerais caros e geopoliticamente sensíveis.
Para entender a escala, 30 GWh de bateria iron-air em Pine Island podem alimentar 3 milhões de residências por 100 horas, ou seja, mais de 4 dias inteiros sem nova carga. Em paralelo, o custo estimado da tecnologia é US$ 20 por kWh — cerca de 10x mais barato que lítio em LDES.

Google e Xcel Energy: a aposta corporativa em energia limpa
O Google é hoje o maior comprador corporativo de energia renovável do mundo. Em primeiro lugar, a empresa contratou mais de 14 GW de renovável globalmente até 2025. Em segundo lugar, a meta é operar 100% com energia limpa “24/7” — ou seja, em qualquer hora do dia — até 2030.
De acordo com a Xcel Energy, o projeto Pine Island se integra à rede da operadora que serve Minnesota, Wisconsin, Dakota do Norte e do Sul. Da mesma forma, a operadora se comprometeu com 80% de redução de emissões até 2030 em sua geração elétrica. Em consequência, a bateria iron-air é peça central da estratégia.
Em paralelo, o Google opera mais de 15 grandes data centers nos EUA, consumindo cerca de 20 TWh/ano de eletricidade — equivalente ao consumo doméstico anual de 1,8 milhão de americanos. Por isso, garantir fornecimento limpo e estável é prioridade. Para ter ideia, isso equivale a metade do consumo elétrico anual de Portugal.
Por que 100 horas mudam o jogo do armazenamento
Baterias de lítio dominam mercado atual com cerca de 95% das instalações. Em primeiro lugar, são ótimas para serviços de curta duração — picos de 1 a 4 horas. Em segundo lugar, são caras para LDES — armazenar energia por dias inteiros ficou inviável com lítio.
Conforme análise do International Energy Agency (IEA), a bateria iron-air resolve o gap de LDES por 3 razões: matéria-prima abundante (ferro), química segura (sem fogo) e custo viável. Da mesma forma, há outras tecnologias LDES competindo: ar comprimido (CAES), gravity storage, fluxo redox, hidrogênio verde.
Em paralelo, projetos de LDES nos EUA receberam mais de US$ 30 bilhões em incentivos federais da Inflation Reduction Act (IRA). Em consequência, há 14 projetos LDES de mais de 100 MW em construção ou licenciamento até 2027. Em comparação com Brasil, o país tem apenas 2 projetos de armazenamento >100 MW (ambos lítio).
- 300 MW — potência da bateria iron-air
- 30 GWh — capacidade de energia armazenada
- 100 horas — duração de descarga contínua
- 1.400 MW eólica + 200 MW solar — pareamento
- US$ 20/kWh — custo estimado iron-air
- 2028-2031 — janela de instalação
Form Energy: a startup que recebeu US$ 850 milhões
A Form Energy é a startup norte-americana que desenvolveu a tecnologia iron-air. Em primeiro lugar, foi fundada em 2017 por Mateo Jaramillo (ex-Tesla) e Bill Joy (Sun Microsystems). Em segundo lugar, recebeu mais de US$ 850 milhões em investimentos da Bill Gates Breakthrough Energy Ventures, ArcelorMittal e outros.
Conforme dados oficiais, a fábrica da Form Energy em Weirton, West Virginia, foi inaugurada em 2024 com capacidade de produzir 500 MW/ano. Da mesma forma, planos de expansão preveem segunda fábrica até 2027 com mais 1 GW/ano de capacidade. Em consequência, a empresa se torna a maior produtora mundial dessa tecnologia.
De acordo com a Forbes, o valuation da Form Energy passa de US$ 1,2 bilhão em 2025. Em paralelo, contratos de fornecimento totalizam mais de 4 GWh em pedido firme. Por isso, a Google escolheu a tecnologia para o maior projeto LDES do mundo.

O que o Brasil pode aprender com Pine Island
O Brasil tem matriz elétrica majoritariamente renovável — 83% de fontes limpas, segundo dados do ONS. Em primeiro lugar, a hidreletricidade ainda responde por 60% da geração. Em segundo lugar, eólica e solar crescem aceleradamente — superaram 20 GW combinados em 2025.
Por outro lado, o sistema enfrenta gargalo de armazenamento. Em períodos de seca prolongada, a hidreletricidade cai e o país precisa acionar térmicas a gás caro. Da mesma forma, em horários de alta produção solar, há excedente desperdiçado. Por consequência, projetos LDES como o iron-air seriam ideais — mas o Brasil ainda não regulamentou armazenamento como serviço auxiliar.
Em paralelo, a Aneel discutiu em 2025 marcos para baterias em LDES. Em comparação, a Califórnia tem 5 GW de bateria estacionária — quase tudo lítio. O Brasil teria potencial enorme para iron-air com sua produção doméstica de minério de ferro (Vale, CSN).

Ressalva sobre desempenho real em escala
Embora a tecnologia iron-air seja promissora, ainda não foi testada em escala industrial completa. Em primeiro lugar, a maior bateria iron-air em operação hoje tem 1 MW (10x menor que 300 MW projetados). Em segundo lugar, há incertezas sobre desempenho em ciclos térmicos extremos do inverno de Minnesota.
Conforme análise da Wood Mackenzie, riscos incluem perda de capacidade em ambientes muito frios e necessidade de manutenção mais frequente que lítio. Da mesma forma, eficiência roundtrip iron-air é 50-60%, contra 85-90% do lítio. Em outras palavras, mais energia se perde no processo. Outras coberturas de transição energética estão no acervo do Click Petróleo e Gás. Será que iron-air vai destronar o lítio em LDES nos próximos 5 anos?
