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Golpe do falso gerente: golpistas limpam conta de aposentada e levam R$ 700 mil em 3 dias

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Escrito por Fabio Lucas Carvalho Publicado em 31/12/2025 às 01:21 Atualizado em 02/01/2026 às 09:48
Idosa perde R$ 716 mil no golpe do falso gerente. Entenda como criminosos agiram em 3 dias e levaram a herança da família.
Idosa perde R$ 716 mil no golpe do falso gerente. Entenda como criminosos agiram em 3 dias e levaram a herança da família.
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Uma reportagem detalha como criminosos manipularam uma vítima de 64 anos por três dias, limpando sua herança e suas reservas de aposentadoria sob o pretexto de uma “sincronização de contas”.

O Brasil enfrenta uma epidemia silenciosa de crimes financeiros digitais. Embora a tecnologia tenha facilitado a vida bancária, ela também abriu portas para modalidades criminosas cada vez mais sofisticadas.

Um caso recente e alarmante, trazido a público em uma reportagem exclusiva do SBT News (exibida no SBT Manhã), ilustra a crueldade e a eficiência dos estelionatários no país. O caso envolve o chamado “Golpe do Falso Gerente“, uma fraude que, embora não seja inédita, tem feito novas vítimas com abordagens psicológicas refinadas.

Nesta ocorrência específica, uma senhora de 64 anos, cuja identidade foi preservada pela reportagem, perdeu a quantia impressionante de R$ 716.000 em apenas 72 horas. O montante representava não apenas dinheiro, mas a segurança de sua aposentadoria e o legado de sua família.

A Abordagem: Confiança e Engenharia Social

Conforme apurado pela equipe do SBT News, o crime começou com um contato telefônico. Um homem, identificando-se como “André”, apresentou-se como o novo gerente da conta bancária da vítima. O que diferencia este golpe de tentativas mais rústicas é o nível de informação que os criminosos possuíam.

O falso gerente sabia, por exemplo, que a idosa administrava a conta jurídica da empresa de sua filha. Utilizando essa informação como gancho para estabelecer confiança e autoridade, o golpista alegou que precisava realizar um procedimento técnico.

Segundo o relato da vítima à reportagem, o criminoso insistiu que era necessária uma “sincronização” entre a conta de pessoa física (da idosa) e a conta de pessoa jurídica (da filha).

A manipulação psicológica foi intensa. Em áudios, percebe-se a vítima inicialmente confusa, buscando orientação sobre como acessar o sistema pelo Google, enquanto o golpista, com voz calma e prestativa, a guiava passo a passo para a armadilha.

Três Dias de Pesadelo: A Mecânica do Roubo

O aspecto mais perturbador deste caso, destacado pela investigação jornalística, é a duração do crime. O golpista manteve acesso às contas da vítima por três dias consecutivos. Durante esse período, o extrato bancário da idosa acumulou mais de três páginas de movimentações atípicas.

Sob o pretexto de realizar a tal sincronização, os criminosos, na verdade, estavam drenando os recursos. Foram realizados empréstimos, transferências via Pix e diversas outras transações. A estratégia dos bandidos envolveu transferir todo o capital da conta de pessoa física para a conta jurídica, facilitando o escoamento posterior do dinheiro.

A reportagem do SBT ressalta um ponto crítico sobre a segurança bancária: a conta da vítima chegou a ser bloqueada pelo sistema de segurança do banco diversas vezes devido à movimentação suspeita.

No entanto, o falso gerente instruía a vítima e conseguia, de alguma forma, fazer com que os bloqueios fossem revertidos, permitindo que a sangria financeira continuasse. “A conta física bloqueava e eles desbloqueavam”, relatou a vítima, acreditando que tudo fazia parte do processo burocrático de atualização cadastral.

O Despertar e o Desespero

O golpe só foi descoberto quando o suposto gerente, que prestava “apoio” contínuo, desapareceu. Ao perceber o silêncio do outro lado da linha e notar as irregularidades, a idosa foi até a agência física. Lá, a realidade se impôs: além das contas estarem bloqueadas, o saldo estava zerado.

O áudio enviado pela vítima ao golpista, logo após perceber a fraude, revela o tamanho do desespero: “André, de verdade, você devia ter me atendido… Tô devendo mais do que posso… Lascou minha vida”.

O dinheiro roubado tinha uma origem emocional profunda. Segundo o relato concedido ao SBT, a quantia era fruto da venda da casa de sua falecida mãe.

O plano da família era utilizar esses recursos para garantir uma aposentadoria tranquila para ela e o marido, que estava prestes a se aposentar. “Eu vendi a casa pra gente ter uma vida melhor, para não ficar trabalhando muito”, desabafou a vítima, descrevendo a sensação de “vontade de morrer” ao ver o esforço de uma vida desaparecer.

Responsabilidade bancária e Cybersegurança

O caso levanta questões jurídicas importantes sobre a responsabilidade das instituições financeiras. O advogado que representa a vítima, ouvido pela reportagem, argumenta que houve falha na prestação de serviço e na segurança do banco.

O conceito jurídico aplicado aqui é o do “fortuito interno”. Segundo o especialista, o banco foi omisso ao não detectar e impedir movimentações que fugiam completamente ao perfil da cliente, especialmente considerando o volume financeiro e a frequência das transações em um curto espaço de tempo (72 horas).

A defesa sustenta que a instituição deve arcar com os prejuízos devido à fragilidade demonstrada em seus sistemas de cybersegurança, que permitiram que a fraude ocorresse sob o nariz dos sistemas de monitoramento.

Este caso serve como um alerta brutal. Especialistas reforçam que gerentes de banco jamais pedem senhas, tokens ou solicitam que clientes realizem procedimentos de “sincronização” ou testes de transações por telefone.

A recomendação é que, diante de qualquer contato suspeito, o cliente desligue imediatamente e procure seu gerente na agência física ou use os canais oficiais do banco, nunca os números fornecidos na ligação recebida.  energético e industria

As informações contidas neste artigo foram baseadas na reportagem original e exclusiva veiculada pelo SBT News / SBT Manhã.

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Fabio Lucas Carvalho

Jornalista especializado em uma ampla variedade de temas, como carros, tecnologia, política, indústria naval, geopolítica, energia renovável e economia. Atuo desde 2015 com publicações de destaque em grandes portais de notícias. Minha formação em Gestão em Tecnologia da Informação pela Faculdade de Petrolina (Facape) agrega uma perspectiva técnica única às minhas análises e reportagens. Com mais de 10 mil artigos publicados em veículos de renome, busco sempre trazer informações detalhadas e percepções relevantes para o leitor.

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