Relato de uma engenheira de software de 27 anos da Microsoft mostra como a inteligência artificial mudou a rotina de parte da Geração Z na tecnologia, ao reduzir tarefas repetitivas, ampliar a pressão por adaptação e reforçar que o julgamento humano segue central no desenvolvimento de sistemas.
O uso de inteligência artificial mudou a rotina de uma engenheira da Geração Z na Microsoft, em Redmond, ao transformar parte da programação em desenho de sistemas, revisão e orientação de ferramentas.
Reportagem do Business Insider relata a experiência de Navya Jammalamadaka, engenheira de software de 27 anos que vive em Redmond, Washington. Ela entrou na Microsoft em maio de 2024, após passar por entrevistas iniciadas naquele ano.
Geração Z vê a programação mudar dentro da Microsoft
A trajetória de Navya mostra como a entrada da inteligência artificial no desenvolvimento de software não eliminou a necessidade de engenheiros, mas alterou o tipo de atenção exigido.
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Antes, ela passava de cinco a seis horas por dia programando sem auxílio de ferramentas de IA. Agora, descreve o trabalho como algo próximo ao papel de arquiteta, guiando sistemas automatizados para escrever código.
Essa mudança ocorreu em um ambiente no qual a Microsoft passou a incentivar a adoção de IA. O uso dessas ferramentas por Navya cresceu no início de 2025, quando várias soluções foram disponibilizadas internamente.
Na primeira metade daquele ano, ela testou recursos e entendeu o que a IA poderia fazer. Na segunda, passou a incorporar a tecnologia em fluxos de trabalho, inclusive em revisões de código.
Entre as ferramentas usadas, o GitHub Copilot virou apoio para sugestões de programação e depuração. O trabalho de Navya continua sendo revisado por um engenheiro sênior.
IA ajuda, mas não substitui julgamento técnico
A engenheira afirma que a IA reduziu o tempo gasto em tarefas como navegar por grandes bases de código e escrever estruturas repetitivas. Porém, o maior ganho não está simplesmente em terminar tudo mais rápido.
Usar inteligência artificial de forma eficiente exige julgamento, revisão cuidadosa das respostas e capacidade de decidir quando confiar ou não nas sugestões. O resultado é uma mudança no foco da energia profissional.
Em vez de apenas executar as mesmas tarefas em menor tempo, Navya passou a dedicar mais atenção a problemas de nível mais alto. A tecnologia funciona como apoio, não como substituta da responsabilidade técnica.
Um exemplo citado é o contato com grandes bases de código da Microsoft, algumas existentes há mais de uma década. Para uma profissional recém-chegada à escala dos sistemas da empresa, esse ambiente parecia inicialmente intimidador.
Pressão sobre engenheiros também entrou na discussão
Apesar dos benefícios, Navya afirma que a inteligência artificial nem sempre economiza tempo. A necessidade de revisar resultados e manter critério técnico impede que o ganho seja automático em todas as atividades.
Ela diz não ter sofrido com fadiga de IA, expressão usada para descrever cansaço associado ao uso intenso dessas ferramentas. Mesmo assim, reconhece que muitos engenheiros do setor sentem pressão para cumprir prazos.
Essa pressão também atinge profissionais em início de carreira. Na avaliação dela, ferramentas de IA podem aliviar parte desse peso ao acelerar depuração e compreensão de código, embora não eliminem o desgaste do trabalho.
Caminho até a Big Tech começou antes da vaga
Navya iniciou sua busca por uma vaga em Big Tech em 2023, quando trabalhava como engenheira de software em uma consultoria em Connecticut. O objetivo era alcançar uma meta comum entre profissionais do setor.
Enquanto aguardava respostas de candidaturas maiores, recebeu contato do fundador de uma empresa menor de tecnologia sobre uma vaga em San Francisco. A proposta avançou, foi aceita, e a mudança ocorreu em janeiro de 2024.
Mesmo satisfeita com o novo trabalho, ela continuou interessada em Big Tech. Depois, passou a receber retornos de candidaturas antigas e participou de processos em Apple, Meta e Tesla, enquanto seguia procurando oportunidades.
Em fevereiro de 2024, candidatou-se a uma vaga de engenharia de software na Microsoft. A indicação veio de uma pessoa formada pela New York University, com quem havia se conectado pelo LinkedIn.
O processo avançou rapidamente. Após entrevista com a pessoa responsável pela contratação, soube em um dia que seguiria adiante. Vieram mais quatro entrevistas e a oferta foi recebida e aceita.
A função híbrida exigia presença no escritório de Seattle. Por isso, Navya deixou San Francisco, cidade da qual gostava e onde preferia ficar. A oportunidade, porém, justificou a mudança para Washington.
Conselho para jovens que buscam espaço
Para jovens candidatos, a engenheira recomenda ampliar conexões no LinkedIn. A prática inclui aplicar para uma vaga e depois procurar pessoas da empresa, explicando o interesse e a candidatura enviada.
Ela também defende otimizar o perfil na plataforma, porque recrutadores podem gastar poucos segundos avaliando uma página. Projetos relevantes devem aparecer em uma seção de portfólio, com destaque para os melhores trabalhos.
A mensagem final para aspirantes à engenharia de software é que a função muda rapidamente. Habilidades tradicionais continuam valiosas, mas profissionais precisam estar preparados se o empregador esperar uso de IA.
O que você achou dessa mudança no trabalho dos engenheiros com IA?

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