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Fundador da Netflix compra montanha de 8 mil acres, implanta esqui privado e público e desafia o padrão de operação das grandes estações de neve

Escrito por Alisson Ficher
Publicado em 22/01/2026 às 13:24
Atualizado em 22/01/2026 às 13:54
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Montanha em Utah vira laboratório de acesso híbrido ao esqui, após investimento ligado ao cofundador da Netflix no Powder Mountain, que combina operação pública com área reservada a membros do projeto Powder Haven e infraestrutura exclusiva como teleféricos restritos, clube e regras próprias de circulação.

Uma montanha inteira no estado de Utah, nos Estados Unidos, passou a funcionar como um tipo de laboratório de um modelo raro no turismo de neve: parte do resort segue aberta ao público, enquanto outra fatia é reservada a proprietários e convidados vinculados a um empreendimento residencial.

À frente dessa transformação está Reed Hastings, cofundador da Netflix, associado ao controle do Powder Mountain, uma estação de esqui conhecida por sua grande extensão de terreno e por ficar fora do eixo mais movimentado das montanhas Wasatch.

Powder Mountain e o modelo híbrido de acesso

O caso chama atenção porque não se trata apenas de comprar terras para uma casa de férias.

O que está em jogo é a gestão de um território de uso recreativo, com teleféricos, pistas, áreas de avalanche controlada, serviços de resgate, manutenção diária e decisões que afetam quem pode acessar determinados trechos da montanha.

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A proposta batizada de Powder Haven, ligada ao topo do resort, combina imóveis e um sistema de “esqui privado” que prevê infraestrutura exclusiva, incluindo elevadores de acesso restrito e espaços de convivência destinados a membros.

Powder Mountain fica próximo da região de Eden e se consolidou no mercado por oferecer uma experiência mais espaçada do que destinos famosos do oeste americano.

A montanha ganhou notoriedade por limitar a quantidade de visitantes em alguns períodos e por manter características que atraem praticantes em busca de áreas menos cheias.

O diferencial agora está em como o mapa do resort é reorganizado, com trechos designados para o público geral e outros operados como área residencial privada, algo incomum em estações que tradicionalmente dependem de grande volume de vendas de passes e ingressos.

Powder Haven e a separação prática das pistas

No centro do modelo está a separação prática do acesso.

Em vez de a totalidade das cadeiras e pistas estar disponível para qualquer visitante com bilhete, parte do sistema passa a ser usada apenas por quem tem vínculo com o empreendimento.

Isso muda a logística cotidiana da montanha, desde o controle de embarque nos teleféricos até a alocação de equipes de patrulha, orientação, sinalização e manutenção.

Uma característica frequente em operações de neve é que alterações de fluxo impactam filas, horários de pico, distribuição de público em trilhas e até o planejamento de mitigação de avalanche, especialmente em áreas mais íngremes e expostas.

A proposta de “esqui privado” é apresentada como um serviço de alto padrão para um grupo limitado, associado a lotes e residências na montanha.

Materiais públicos do empreendimento descrevem uma comunidade privada com teleféricos exclusivos e estrutura planejada para uso em múltiplas estações do ano, em uma área ampla de ambiente alpino.

Em paralelo, o resort público continua operando, o que cria uma configuração híbrida: uma mesma montanha com duas camadas de experiência, separadas por regras e infraestrutura.

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Teleféricos, obras e expansão do resort em Utah

A transformação também aparece na lista de obras e expansões discutidas para a região.

Reportagens locais descrevem planos que envolvem a instalação de novos teleféricos e a abertura de áreas adicionais, com parte dos equipamentos voltada ao atendimento da comunidade residencial.

Também são citados projetos de instalações sociais e de apoio, como uma grande sede de clube, associada a serviços e atividades além do esqui, planejada para atender membros e convidados.

Em resorts desse porte, mudanças desse tipo exigem licenças, cronogramas de obra em janelas curtas de clima favorável e negociação com autoridades locais, já que teleféricos e novas áreas de pistas dependem de aprovação, acordos de desenvolvimento e parâmetros ambientais.

Área esquiável, escala territorial e operação na neve

Um ponto que ajuda a explicar por que o Powder Mountain virou vitrine é a escala territorial.

Estações de esqui com milhares de acres costumam ser raras por dependerem de grandes áreas contínuas, topografia específica e um sistema de acessos e lifts que faça sentido operacionalmente.

Essa dimensão, por si só, facilita a existência de “zonas” com perfis distintos sem que a operação pública desapareça.

Ao mesmo tempo, amplia o desafio de comunicar claramente ao visitante o que é público, o que é reservado e como se dá a circulação, já que a experiência na neve envolve mobilidade constante entre cadeiras, pistas e pontos de apoio.

As mudanças na montanha também se conectam a um movimento maior do mercado: a busca por experiências exclusivas em destinos ao ar livre, combinando moradia, serviços e acesso privilegiado a atividades.

Diferentemente de um clube urbano, no entanto, um resort de esqui depende de fatores naturais e de infraestrutura pesada.

Teleféricos exigem investimento alto, manutenção recorrente e inspeções; áreas novas demandam preparo de terreno, sinalização, gestão de riscos e integração com rotas de retorno.

Por isso, qualquer tentativa de dividir a montanha em camadas de acesso tende a ser observada com atenção por quem acompanha a indústria do turismo de neve.

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Impacto local em Eden e a economia do entorno

O impacto não se resume aos visitantes.

Uma estação híbrida influencia trabalhadores sazonais, fornecedores, serviços de transporte e a dinâmica de pequenas comunidades ao redor.

Eden e as áreas próximas, como ocorre em várias regiões turísticas de montanha, convivem com a pressão por moradia, com a valorização imobiliária e com a sazonalidade econômica.

Reportagens sobre o Powder Mountain descrevem a tentativa de equilibrar o apelo de exclusividade com a permanência de uma operação pública, em um contexto em que o resort busca manter viabilidade e realizar melhorias de infraestrutura.

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Alisson Ficher

Jornalista formado desde 2017 e atuante na área desde 2015, com seis anos de experiência em revista impressa, passagens por canais de TV aberta e mais de 12 mil publicações online. Especialista em política, empregos, economia, cursos, entre outros temas e também editor do portal CPG. Registro profissional: 0087134/SP. Se você tiver alguma dúvida, quiser reportar um erro ou sugerir uma pauta sobre os temas tratados no site, entre em contato pelo e-mail: alisson.hficher@outlook.com. Não aceitamos currículos!

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