1. Início
  2. / Agronegócio
  3. / Fruta exótica com flor que só abre à noite fez marceneiro de SC largar o emprego, plantar 450 pés e viver de um sonho que começou como renda extra com a pitaya
Tempo de leitura 4 min de leitura Comentários 0 comentários

Fruta exótica com flor que só abre à noite fez marceneiro de SC largar o emprego, plantar 450 pés e viver de um sonho que começou como renda extra com a pitaya

Publicado em 26/04/2026 às 18:08
Atualizado em 26/04/2026 às 18:12
Pitaya, Fruta, Agricultor
Imagem: Reprodução
  • Reação
  • Reação
  • Reação
4 pessoas reagiram a isso.
Reagir ao artigo

Em São Miguel do Oeste, Vilson Jacó Vogel deixou mais de 20 anos de marcenaria para viver da pitaya, com 450 pés e safras que chegam a seis toneladas, apesar da queda nos preços atuais

A pitaya mudou a vida de Vilson Jacó Vogel, agricultor de 55 anos de São Miguel do Oeste, em Santa Catarina, que deixou a marcenaria após transformar uma renda extra em sustento exclusivo.

Renda extra virou sustento principal

A mudança começou há cerca de nove anos, quando Vilson ainda trabalhava como marceneiro em uma empresa da cidade. Mesmo com salário considerado bom, ele buscava uma alternativa para ampliar a renda.

Foi nesse momento que surgiu a ideia de plantar pitaya. O cultivo começou de forma tímida, dividido com a rotina da marcenaria, profissão que ele exercia havia mais de duas décadas.

Com o avanço da lavoura, a produção aumentou e a procura também cresceu rapdiamente. O que parecia complemento passou a exigir presença constante no campo e atenção às vendas.

Vilson conta que clientes iam até sua casa para comprar a fruta quando ele não estava. Eles pegavam a pitaya deixada sobre a mesa e colocavam o dinheiro no local.

A situação mostrou que a atividade já tinha força para disputar espaço com o emprego fixo. Há cerca de quatro anos, ele decidiu deixar a empresa e viver da produção rural.

Desde então, o agricultor afirma que se sustenta totalmente com a pitaya. A decisão marcou a saída da rotina de oito horas por dia na marcenaria, enfrentada em chuva e sol.

Produção de pitaya chega a seis toneladas

Hoje, Vilson cultiva cerca de 450 pés da fruta. A produção varia conforme o clima, mas fica entre cinco e seis toneladas por safra, com colheita de quatro a cinco meses.

A quantidade obtida depende das condições de cada ano, já que o clima interfere no desempenho das plantas. A comercialização ocorre tanto em mercados da cidade quanto diretamente com consumidores.

Parte da pitaya abastece o comércio local, enquanto outra parte chega a clientes que acompanham a produção. Vilson mantém compradores fixos e até um grupo no WhatsApp para organizar pedidos.

Em uma colheita recorde, São Miguel do Oeste não conseguiu absorver toda a quantidade disponível. Para escoar o excedente, o agricultor negociou com uma empresa de Chapecó.

Clima define o cuidado com a lavoura

O produtor aponta o clima como fator decisivo para o cultivo da pitaya. O cuidado maior ocorre nos primeiros dois anos, fase em que a planta é mais frágil.

Nesse período inicial, a geada pode matar a lavoura. A região onde Vilson vive tem frio, mas apresenta pouca geada, condição que ele considera vantagem para manter a produção.

A fruta não se adapta bem em lugares muito frios. Por isso, a localização da propriedade ajudou o agricultor a seguir com a lavoura, mesmo em uma área catarinense mais fria.

Apesar de ainda possuir estrutura ligada à antiga profissão, Vilson escolheu concentrar a rotina no campo. Ele tem marcenaria, mas afirma que não consegue conciliar as duas atividades.

A escolha consolidou uma mudança completa. A antiga profissão ficou para trás, enquanto a produção familair de pitaya passou a organizar o trabalho, a renda e a rotina diária.

Preço menor muda cenário do mercado

A pitaya já foi vista como uma fruta de alto valor agregado. Vilson lembra que o quilo chegou a custar entre R$ 40 e R$ 50.

O cenário mudou com o crescimento da produção em várias regiões. Atualmente, o agricultor afirma que a fruta pode ser encontrada por R$ 4, R$ 5 ou R$ 6 o quilo.

Em algumas áreas, o valor chega a R$ 3,50 por quilo. Para Vilson, essa queda atinge principalmente produtores maiores, que precisam pagar funcionários.

Ele avalia que, nesse preço, quem depende de mão de obra contratada pode não conseguir sobreviver. A pressão do mercado exige mais cuidado na gestão da produção e das vendas.

Pequena escala ainda compensa

Mesmo com valores menores e concorrência maior, Vilson considera que o cultivo de pitaya ainda pode valer a pena para pequenos produtores. A condição é acompanhar o mercado.

Para ele, a atividade deu certo porque cresceu junto com uma clientela local e direta. A produção passou de tentativa de renda extra para base de sustento depois de anos de trabalho.

Com informações de NSC Total.

Inscreva-se
Notificar de
guest
0 Comentários
Mais recente
Mais antigos Mais votado
Romário Pereira de Carvalho

Já publiquei milhares de matérias em portais reconhecidos, sempre com foco em conteúdo informativo, direto e com valor para o leitor. Fique à vontade para enviar sugestões ou perguntas

Compartilhar em aplicativos
Baixar aplicativo
0
Adoraríamos sua opnião sobre esse assunto, comente!x