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Fósseis com 150 milhões de anos revelam anfíbio jurássico de menos de 5 cm, após microtomografia em Londres, criando a espécie Nabia civiscientrix e chamando atenção da comunidade científica no mundo

Escrito por Flavia Marinho
Publicado em 26/01/2026 às 20:35
New albanerpetontid species (Lissamphibia) from the Late Jurassic in London
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Identificaram um novo anfíbio com base em 468 ossos e milhares de restos para definir Nabia civiscientrix, provocando uma revisão histórica dos albanerpetontídeos e chamando atenção da comunidade científica.

A descoberta aconteceu a partir de fósseis com 150 milhões de anos, encontrados em Portugal, e o resultado surpreendeu porque não se trata de um dinossauro, e sim de um pequeno anfíbio jurássico.

Os restos vieram principalmente da região da Lourinhã, numa área conhecida por gigantes como Lourinhanosaurus e Miragaia. Só que, desta vez, o foco foi outro: um animal com menos de 5 centímetros que vivia sob os pés dos dinossauros.

O detalhe que mais chamou atenção foi o nível de reconstrução anatómica possível a partir de centenas de ossos e técnicas modernas, algo raro para esse tipo de animal extinto.

O que foi descoberto na Lourinhã e por que a nova espécie virou destaque

Os fósseis revelaram uma nova espécie de anfíbio jurássico em Portugal, batizada de Nabia civiscientrix. O material veio da Formação da Lourinhã e inclui 468 ossos.

Além disso, milhares de restos encontrados nos leitos da área da Guimarota, na Formação de Alcobaça, também sustentaram a criação de um novo género e uma nova espécie, reforçando a consistência do achado.

A identificação foi feita por uma equipa internacional com paleontólogos da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade NOVA de Lisboa (NOVA FCT) e do Museu da Lourinhã, em colaboração com especialistas de instituições espanholas e britânicas.

Como 468 ossos e peças raras ajudaram a completar a anatomia do animal

Entre os investigadores, Miguel Moreno Azanza, da Universidade de Saragoça, explicou que alguns ossos eram facilmente reconhecíveis, mas a grande surpresa foi encontrar elementos raros, como os quadrados e os ilíacos.

Essas peças, que não aparecem com facilidade no registo fóssil desse grupo, ajudaram a completar a visão anatómica do animal e a fechar lacunas que existiam há décadas.

O novo material também foi comparado com fósseis da jazida da Guimarota, igualmente jurássica, o que fortaleceu a revisão e mostrou que havia algo diferente do que se pensava.

Revisão do material de Guimarota muda a classificação e derruba a hipótese Celtedens

O principal autor do estudo, Alexandre Guillaume, da NOVA FCT e do Museu da Lourinhã, apontou que os dados analisados confirmam algo importante: o material de Guimarota, há muito reconhecido como pertencente a uma espécie ainda não formalmente definida, não se encaixava no género Celtedens, como era suposto.

A revisão aprofundada levou à definição do novo género e espécie Nabia civiscientrix, descrito como o albanerpetontídeo mais antigo identificado na Península Ibérica e um dos mais antigos do mundo.

Esse tipo de reclassificação chama atenção porque muda a leitura do passado e reorganiza a forma como outros fósseis podem ser interpretados.

Menos de 5 cm, língua balística e pele seca, as características que chamaram atenção

O anfíbio teria menos de 5 centímetros de comprimento, um tamanho que contrasta com os grandes dinossauros do mesmo ecossistema.

O animal apresentava características únicas, como língua balística idêntica à dos camaleões modernos, pele seca e escamosa, pequenas garras e pálpebras.

O estudo também destaca a diversidade de pequenos vertebrados que partilhavam o ecossistema jurássico da Lourinhã, rastejando a seus pés, com presença de albanerpetontídeos.

Microtomografia em Londres e modelos 3D abriram caminho para novas pesquisas

Parte dos fósseis mais bem preservados foi analisada em Londres por microtomografia computadorizada, permitindo criar modelos 3D detalhados dos ossos.

Esses modelos sustentam uma revisão completa da anatomia dos albanerpetontídeos e contribuem para um novo conjunto de dados morfológicos, agora disponível para investigações futuras.

Alexandre Guillaume explicou que, por muito tempo, os estudos ficavam presos a um conjunto limitado de ossos facilmente reconhecíveis, já que faltavam espécimes completos ou articulados, e vários ossos não eram ilustrados e, por isso, não eram identificados.

Como consequência, algumas espécies eram descritas com base apenas em poucos ossos e depois não podiam ser comparadas com espécimes mais completos, justamente porque essas peças estariam ausentes ou mal preservadas.

Guillaume e a coautora Susan Evans, com base no novo material e em outros espécimes pelo mundo, propuseram um conjunto de dados morfológicos atualizado para análises futuras, com implementação de novas características e revisão das anteriores, um dos principais resultados do trabalho.

A investigação integra um projeto de Ciência Cidadã e mobilizou residentes e visitantes. Os resultados foram publicados em janeiro na revista científica Journal of Systematic Palaeontology.

No fim, a descoberta de Nabia civiscientrix em Portugal não só revela um anfíbio jurássico de 150 milhões de anos, como também muda a compreensão de um grupo inteiro de lissanfíbios extintos, abrindo um novo caminho para investigar a vida pequena, e muitas vezes invisível, que coexistiu com os dinossauros.

E você, o que mais te impressionou nessa descoberta, o tamanho do animal, a língua balística ou o fato de 468 ossos terem mudado a história? Deixe seu comentário.

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Flavia Marinho

Flavia Marinho é Engenheira pós-graduada, com vasta experiência na indústria de construção naval onshore e offshore. Nos últimos anos, tem se dedicado a escrever artigos para sites de notícias nas áreas militar, segurança, indústria, petróleo e gás, energia, construção naval, geopolítica, empregos e cursos. Entre em contato com flaviacamil@gmail.com ou WhatsApp +55 21 973996379 para correções, sugestão de pauta, divulgação de vagas de emprego ou proposta de publicidade em nosso portal.

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