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Fim de uma era: grande rede de supermercados encerra 100 anos de história após falência e centenas de funcionários são atingidos após dívidas milionárias

Publicado em 28/04/2026 às 08:48
Atualizado em 28/04/2026 às 09:02
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Rede fundada em 1926 em Jaraguá do Sul encerra operações após pedido de autofalência, dívida de R$ 35 milhões, prejuízos mensais de R$ 165 mil e quase um século de presença no varejo catarinense

A rede de supermercados Breithaupt, fundada em 1926 em Jaraguá do Sul, anunciou o encerramento definitivo das operações em 2026 após formalizar pedido de autofalência por inviabilidade financeira irreversivel.

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Autofalência encerra trajetória dos supermercados Breithaupt

O fim das atividades encerra a história de uma das marcas mais tradicionais do varejo catarinense. A empresa chegou ao limite após desgaste financeiro, redução de unidades e perda operacional.

O pedido ocorreu diante de um passivo acumulado de R$ 35 milhões. Mesmo reduzida a três lojas físicas, a rede ainda registrava prejuízos mensais de aproximadamente R$ 165 mil.

A escala insuficiente e a pressão competitiva impediram a manutenção da operação. Com menor poder de negociação junto aos fornecedores, o grupo perdeu condições de competir com redes maiores.

Loja de 35 metros quadrados virou referência

A trajetória começou em 1926, quando os irmãos Walter e Arthur Breithaupt abriram uma pequena loja de secos e molhados em Jaraguá do Sul. O imóvel tinha apenas 35 metros quadrados.

O negócio cresceu atendendo colônias de imigrantes alemães. A loja vendia de açúcar mascavo a louças finas e entrou na rotina comercial do norte catarinense.

Nas décadas seguintes, o grupo ampliou a atuação para o transporte ferroviário de mercadorias entre São Paulo e o Rio Grande do Sul.

Nos anos 80, a sede foi convertida em supermercado de grande porte. A mudança consolidou a marca como referência de consumo para famílias da região.

Recuperação judicial não evitou o colapso

Os primeiros sinais públicos de desgaste apareceram em agosto de 2020, quando o grupo buscou amparo legal para reorganizar suas dívdas. A recuperação judicial virou a tentativa de manter a empresa ativa.

O plano foi homologado pelo TJSC em 2022. Ainda assim, a rede não conseguiu atrair os aportes de capital necessários para recuperar a saúde financeira e sustentar a operação.

A redução para três unidades não trouxe equilíbrio. A empresa seguiu operando no prejuízo, com margens estreitas e pressão de concorrentes maiores.

Em 2013, a venda de parte dos supermercados já havia marcado um desinvestimento estratégico. A medida não bastou para conter o endividamento nem devolver estabilidade à empresa.

Linha do tempo mostra ascensão e queda

Em 1926, surgiu a primeira loja de secos e molhados em Jaraguá do Sul. Em 1970, vieram materiais de construção e brinquedos.

Em 1986, foi inaugurado o supermercado de grande porte na sede principal. Em 1999, o primeiro shopping center do grupo abriu no mesmo terreno original.

A transformação manteve a sede original como centro das operações por décadas.

Em 2025, veio o pedido de autofalência e o encerramento oficial das atividades remanescentes.

Impacto local e legado catarinense

O fechamento atinge funcionários e fornecedores regionais que mantinham laços comerciais com o grupo havia gerações. A marca ainda tinha valor afetivo e histórico em Jaraguá do Sul, Joinville e Timbó.

O caso reflete desafios enfrentados por empresas familiares de médio porte no Brasil. A concentração em grandes redes nacionais e o avanço do e-commerce criaram margens estreitas para negócios com passivos antigos.

Jaraguá do Sul é reconhecida como um polo industrial dinâmico. A queda de um símbolo local como o Breithaupt funciona como alerta para a necessidade de renovação estrutural contínua nos serviços.

Apesar do desfecho melancólico, os supermercados Breithaupt deixam influência cultural e profissional no varejo sulista.

A empresa foi porta de entrada para milhares de jovens catarinenses no mercado de trabalho.

O grupo também ajudou a moldar hábitos de consumo na região. O encerramento fecha um capítulo relevante da história empresarial de Santa Catarina e expõe os limites da longevidade corporativa diante de crises sistêmicas.

Com informações de Esdado de Minas.

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Romário Pereira de Carvalho

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