O balneário Jacob Riis, prédio art déco de 1932 na praia do povo de Nova York, ficou meio século abandonado e ganhou uma reforma de US$ 88 milhões. Agora vai reabrir em fases como Rockaway Ocean Club, com piscina só para sócios que pagam a partir de US$ 1.000 por ano.
Um gigante de concreto que dormia de janelas tapadas há mais de meio século está prestes a acordar, e a forma como ele volta já divide opiniões. O balneário Jacob Riis, construção art déco de 1932 na orla conhecida como a praia do povo de Nova York, vai reabrir transformado em um clube onde boa parte das áreas só recebe quem paga uma anuidade. A história foi detalhada pelo Time Out New York, guia da cidade.
Antes de tudo, um aviso: a volta acontece aos poucos. O balneário Jacob Riis vai reabrir em fases a partir do fim de julho, então o que existe por enquanto é um cronograma, não um corte de fita único. Mesmo assim, depois de 54 anos fechado, ver o prédio renascer já é notícia grande na praia do povo de Nova York, ainda que o novo formato venha embrulhado em polêmica.
Um palácio art déco de 1932 à beira-mar

Inaugurado em agosto de 1932, sob o comando do então poderoso comissário de parques Robert Moses, o balneário Jacob Riis era um dos destinos de praia mais grandiosos de Nova York. O estilo art déco dava ao prédio cara de palácio à beira-mar.
-
Mesmo com calor extremo, políticos trabalham contra o ar-condicionado para salver o meio ambiente
-
Celular molhou: colocar no arroz ou esperar secar? Apple e Samsung alertam que uma reação simples pode soltar partículas, bloquear a recarga e agravar danos na entrada USB após contato com líquido
-
Balsa que podia custar mais de R$ 300 por viagem finalmente perde espaço para uma ponte gigante entre Tocantins e Pará, e moradores que pagavam caro para cruzar de um estado a outro agora veem uma economia que muda a rotina
-
Irmãos criam garra hidráulica, acoplam a trator, e máquina caseira passa a levantar, girar e empilhar até 400 sacos de arroz por dia nos reboques
A escala impressionava na época. O complexo tinha cerca de 10 mil cabines de troca de roupa, salões de dança, restaurante na cobertura e capacidade para atender mais de 8 mil banhistas ao mesmo tempo. Era um equipamento público pensado para a multidão, símbolo de uma praia do povo que pertencia a todo mundo, não a um clube fechado.
54 anos de janelas tapadas
O auge não durou para sempre. O balneário Jacob Riis foi fechado em 1972 e, a partir dali, mergulhou num longo abandono, com a fachada art déco lacrada e as janelas tapadas por tábuas. Por 54 anos, o prédio ficou ali, decadente, à vista de quem frequentava a areia.
Era um contraste melancólico no cenário. Enquanto a praia do povo seguia cheia de banhistas, o antigo palácio de Nova York apodrecia atrás dos tapumes, virando aos poucos uma relíquia esquecida. Esse limbo de mais de meio século é o que torna a reabertura tão simbólica, e também tão delicada.
A reforma de US$ 88 milhões e o Rockaway Ocean Club
A virada veio com muito dinheiro e quase uma década de obras. O balneário Jacob Riis passou por uma restauração de US$ 88 milhões e vai reabrir como Rockaway Ocean Club, um destino híbrido que mistura espaços abertos ao público com áreas exclusivas para membros, além de hotel e local para eventos. Segundo o Gothamist, a abertura será feita em etapas.
Nem tudo será cercado, e esse detalhe importa. O Rockaway Ocean Club vai oferecer parte da estrutura para qualquer visitante, mas reserva as joias da coroa, como uma piscina para 162 pessoas, lounges e um restaurante de frente para o mar, a quem for sócio. É essa divisão entre o aberto e o pago dentro do mesmo balneário Jacob Riis que está no centro do debate.
Quanto custa entrar: US$ 1.000 por ano

No Rockaway Ocean Club, a anuidade começa em torno de US$ 1.000 por ano para moradores da região das Rockaways e sobe para algo perto de US$ 3.500 para famílias de fora da área. A piscina e as áreas mais cobiçadas ficam restritas a quem paga.
Vale um esclarecimento para não exagerar a história. A faixa de areia da praia do povo em si continua pública e gratuita, como sempre foi, já que o que vira pago são as instalações do clube dentro do antigo balneário Jacob Riis. Ainda assim, ver parte de um símbolo coletivo de Nova York virar área de acesso restrito é o que incomoda muita gente.
Por que a reabertura gera polêmica?
O apelido do lugar explica boa parte da tensão. A orla é carinhosamente chamada de praia do povo justamente por sua história de ser aberta, diversa e acolhedora, um refúgio democrático de Nova York por décadas. Para os críticos, introduzir um clube pago ali soa como contrariar a alma do lugar.
A frase de uma frequentadora antiga resume o desconforto. Em depoimento ao New York Times, Mary Farias afirmou que o Jacob Riis Park sempre foi conhecido como a praia do povo e deveria continuar acessível a todos, e não servir de base para um clube privado. Do outro lado, há quem lembre que o balneário Jacob Riis estava caindo aos pedaços e que a reforma art déco ao menos salva o prédio da ruína, mantendo parte dele aberta. As duas leituras convivem, e o público vai julgar quando o Rockaway Ocean Club abrir as portas.
Quando um símbolo do povo reabre com catraca
No fim, a reabertura do balneário Jacob Riis é bonita e espinhosa ao mesmo tempo. Um palácio art déco de 1932, tapado por 54 anos na praia do povo de Nova York, vai voltar à vida graças a US$ 88 milhões, mas parte dele agora pede US$ 1.000 por ano de quem quiser aproveitar o melhor. O renascimento é real, e o preço dele, literal e simbólico, também.
E você, acha justo restaurar um prédio histórico cobrando anuidade para sustentá-lo, ou um símbolo da praia do povo deveria seguir 100% gratuito? Conta aqui nos comentários de que lado você fica nessa discussão.
