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Fechado e com janelas tapadas por 54 anos na praia do povo de Nova York, o balneário Jacob Riis art déco de 1932 vai reabrir como clube de US$ 1.000 por ano

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Escrito por Bruno Teles Publicado em 28/06/2026 às 19:54 Atualizado em 28/06/2026 às 19:56
O balneário Jacob Riis, art déco de 1932 na praia do povo de Nova York, vai reabrir após US$ 88 mi como Rockaway Ocean Club, com piscina a US$ 1.000 por ano.
O balneário Jacob Riis, art déco de 1932 na praia do povo de Nova York, vai reabrir após US$ 88 mi como Rockaway Ocean Club, com piscina a US$ 1.000 por ano.
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O balneário Jacob Riis, prédio art déco de 1932 na praia do povo de Nova York, ficou meio século abandonado e ganhou uma reforma de US$ 88 milhões. Agora vai reabrir em fases como Rockaway Ocean Club, com piscina só para sócios que pagam a partir de US$ 1.000 por ano.

Um gigante de concreto que dormia de janelas tapadas há mais de meio século está prestes a acordar, e a forma como ele volta já divide opiniões. O balneário Jacob Riis, construção art déco de 1932 na orla conhecida como a praia do povo de Nova York, vai reabrir transformado em um clube onde boa parte das áreas só recebe quem paga uma anuidade. A história foi detalhada pelo Time Out New York, guia da cidade.

Antes de tudo, um aviso: a volta acontece aos poucos. O balneário Jacob Riis vai reabrir em fases a partir do fim de julho, então o que existe por enquanto é um cronograma, não um corte de fita único. Mesmo assim, depois de 54 anos fechado, ver o prédio renascer já é notícia grande na praia do povo de Nova York, ainda que o novo formato venha embrulhado em polêmica.

Um palácio art déco de 1932 à beira-mar

O balneário Jacob Riis, art déco de 1932 na praia do povo de Nova York, vai reabrir após US$ 88 mi como Rockaway Ocean Club, com piscina a US$ 1.000 por ano.
Para entender a comoção, é preciso lembrar o que o lugar já foi.

Inaugurado em agosto de 1932, sob o comando do então poderoso comissário de parques Robert Moses, o balneário Jacob Riis era um dos destinos de praia mais grandiosos de Nova York. O estilo art déco dava ao prédio cara de palácio à beira-mar.

A escala impressionava na época. O complexo tinha cerca de 10 mil cabines de troca de roupa, salões de dança, restaurante na cobertura e capacidade para atender mais de 8 mil banhistas ao mesmo tempo. Era um equipamento público pensado para a multidão, símbolo de uma praia do povo que pertencia a todo mundo, não a um clube fechado.

54 anos de janelas tapadas

O auge não durou para sempre. O balneário Jacob Riis foi fechado em 1972 e, a partir dali, mergulhou num longo abandono, com a fachada art déco lacrada e as janelas tapadas por tábuas. Por 54 anos, o prédio ficou ali, decadente, à vista de quem frequentava a areia.

Era um contraste melancólico no cenário. Enquanto a praia do povo seguia cheia de banhistas, o antigo palácio de Nova York apodrecia atrás dos tapumes, virando aos poucos uma relíquia esquecida. Esse limbo de mais de meio século é o que torna a reabertura tão simbólica, e também tão delicada.

A reforma de US$ 88 milhões e o Rockaway Ocean Club

A virada veio com muito dinheiro e quase uma década de obras. O balneário Jacob Riis passou por uma restauração de US$ 88 milhões e vai reabrir como Rockaway Ocean Club, um destino híbrido que mistura espaços abertos ao público com áreas exclusivas para membros, além de hotel e local para eventos. Segundo o Gothamist, a abertura será feita em etapas.

Nem tudo será cercado, e esse detalhe importa. O Rockaway Ocean Club vai oferecer parte da estrutura para qualquer visitante, mas reserva as joias da coroa, como uma piscina para 162 pessoas, lounges e um restaurante de frente para o mar, a quem for sócio. É essa divisão entre o aberto e o pago dentro do mesmo balneário Jacob Riis que está no centro do debate.

Quanto custa entrar: US$ 1.000 por ano

O balneário Jacob Riis, art déco de 1932 na praia do povo de Nova York, vai reabrir após US$ 88 mi como Rockaway Ocean Club, com piscina a US$ 1.000 por ano.
O valor da exclusividade tem tabela.

No Rockaway Ocean Club, a anuidade começa em torno de US$ 1.000 por ano para moradores da região das Rockaways e sobe para algo perto de US$ 3.500 para famílias de fora da área. A piscina e as áreas mais cobiçadas ficam restritas a quem paga.

Vale um esclarecimento para não exagerar a história. A faixa de areia da praia do povo em si continua pública e gratuita, como sempre foi, já que o que vira pago são as instalações do clube dentro do antigo balneário Jacob Riis. Ainda assim, ver parte de um símbolo coletivo de Nova York virar área de acesso restrito é o que incomoda muita gente.

Por que a reabertura gera polêmica?

O apelido do lugar explica boa parte da tensão. A orla é carinhosamente chamada de praia do povo justamente por sua história de ser aberta, diversa e acolhedora, um refúgio democrático de Nova York por décadas. Para os críticos, introduzir um clube pago ali soa como contrariar a alma do lugar.

A frase de uma frequentadora antiga resume o desconforto. Em depoimento ao New York Times, Mary Farias afirmou que o Jacob Riis Park sempre foi conhecido como a praia do povo e deveria continuar acessível a todos, e não servir de base para um clube privado. Do outro lado, há quem lembre que o balneário Jacob Riis estava caindo aos pedaços e que a reforma art déco ao menos salva o prédio da ruína, mantendo parte dele aberta. As duas leituras convivem, e o público vai julgar quando o Rockaway Ocean Club abrir as portas.

Quando um símbolo do povo reabre com catraca

No fim, a reabertura do balneário Jacob Riis é bonita e espinhosa ao mesmo tempo. Um palácio art déco de 1932, tapado por 54 anos na praia do povo de Nova York, vai voltar à vida graças a US$ 88 milhões, mas parte dele agora pede US$ 1.000 por ano de quem quiser aproveitar o melhor. O renascimento é real, e o preço dele, literal e simbólico, também.

E você, acha justo restaurar um prédio histórico cobrando anuidade para sustentá-lo, ou um símbolo da praia do povo deveria seguir 100% gratuito? Conta aqui nos comentários de que lado você fica nessa discussão.

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Bruno Teles

Falo sobre tecnologia, inovação, petróleo e gás. Atualizo diariamente sobre oportunidades no mercado brasileiro. Com mais de 7.000 artigos publicados nos sites CPG, Naval Porto Estaleiro, Mineração Brasil e Obras Construção Civil. Sugestão de pauta? Manda no brunotelesredator@gmail.com

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