Início Favela do Rio de Janeiro implanta sistema próprio para tratamento de esgoto sustentável a partir de biodigestor, gerando gás encanado, economizando recursos financeiros, menos dependência estatal e vai evitar que 15 milhões de litros de dejetos sejam jogados nos rios.

Favela do Rio de Janeiro implanta sistema próprio para tratamento de esgoto sustentável a partir de biodigestor, gerando gás encanado, economizando recursos financeiros, menos dependência estatal e vai evitar que 15 milhões de litros de dejetos sejam jogados nos rios.

25 de junho de 2022 às 17:44
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Inovação foi criada por um engenheiro moradora da favela e evita o descarte de poluentes nos rios | Foto: Agência o Globo

Moradores da favela adotaram método chinês de biodigestor para evitar que o esgoto seja jogado nos rios sem tratamento

O saneamento básico ainda é um desafio nos grandes complexos de favelas no Rio de Janeiro. Pensando em uma forma de ajudar o meio ambiente, moradores do Vale Encantado, no Rio, resolveram adotar métodos centenários como o biodigestor para tratamento do esgoto. Com esse método eles evitarão que 15 milhões de litros de dejetos desemboquem na Floresta da Tijuca por ano.

O sistema para tratamento de esgoto está funcionando desde o início de junho e atende a 27 casas, com total de 60 famílias, até o momento. Essas residências estão conectadas por um sistema biosustentável que leva os resíduos para um grande biodigestor onde o tratamento acontece sem o uso de qualquer aditivo químico. Quer saber como funciona? Continue a leitura.

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Saiba mais sobre esse feito da favela do Rio de Janeiro com o vídeo abaixo

Esgoto passa por um tratamento natural a partir de bactérias e água sai quase limpa ao final do processo | Reprodução — YouTube: Rede Favela Sustentável

Biodigestor e jardim flutuante são técnicas centenárias para tratamento de esgoto e que os moradores adotaram na favela

Para o tratamento de esgoto ser efetivo, os moradores adotaram as técnicas de jardim flutuante e biodigestor, que já são conhecidas há centenas de anos pelo mundo. A ideia de implementar os modelos partiu de morador da comunidade, o Otávio Barros.

O sistema integra as duas técnicas em duas fases de tratamento do esgoto. Na primeira etapa, os resíduos são coletados das residências pelo sistema de encanamento e vão até um reservatório construído em local estratégico. Nesse reservatório, o material sofre a ação de bactérias presentes no estômago de animais como cavalos e vacas e também no estômago de humanos. Elas deterioram os compostos e geram um gás que pode também ser aproveitado na cozinha.

Em uma segunda etapa, o líquido resultante vai para outro reservatório que contém plantas que se alimentam da carga orgânica da água e assim ajudam na filtração, os chamados jardins flutuantes. Como as plantas ainda estão se desenvolvendo, a limpeza está em 50% da matéria orgânica. No entanto, com o passar do tempo, esse percentual deve chegar a 90%.

O trajeto final do líquido é um sumidouro que destina o restante dos nutrientes na água para o solo, evitando a poluição dos rios da região.

Projeto promete resolver a questão de saneamento básico do Vale Encantado, ou parte dele por meio do tratamento de esgoto sustentável

A adoção dessa medida leva o saneamento básico para algumas residências da favela e evita impactos ambientais e sociais.

O biodigestor funciona como um estômago, o processo é o mesmo que acontece dentro da gente. Já as plantas que usamos nos sistema são de brejo, que vivem na água. Olhamos para a região as plantas que se estabelecem melhor nas beiras de córrego. O tratamento é a redução de carga orgânica e de nutrientes. Nutrientes são nitrogênio, fósforo e potássio que é muito rico no esgoto e é o que causa a eutrofização das lagoas e as deixa verde, por exemplo. Neste sistema a primeira etapa remove a carga orgânica e o jardim filtrante tira os nutrientes“.

Leonardo Adler, engenheiro ambiental e sanitarista responsável pelo projeto (2022)

A primeira parte desse grande projeto foi concluída em 2015, após financiamento da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de janeiro (FAPERJ). Agora em 2022 o projeto conseguiu ver sua expansão por meio da contribuição de órgãos como Organizações Viva com Água, Instituto Clima e Sociedade além de doações internacionais para que as residências fossem conectadas com o biodigestor.

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