Com temperaturas mais altas no verão, Mafra, no Norte de Santa Catarina, vê escorpiões aumentarem e pressionarem a Vigilância Epidemiológica. Em 2025, foram 98 amostras enviadas ao laboratório, quase o triplo de 2024. Centro I, Centro II, Jardim Moinho e Vila Nova lideram capturas, com pico em novembro e dezembro.
A presença de escorpiões em Mafra, no Norte de SC, deixou de ser um relato isolado e passou a virar rotina para moradores e equipes de saúde, especialmente com o avanço do calor. A Vigilância Epidemiológica do município entrou em alerta após observar um salto expressivo nos registros e um padrão de aumento concentrado no fim do ano, justamente quando as temperaturas ficam mais altas.
Os dados oficiais divulgados pelo órgão mostram que, em 2025, 98 amostras de escorpiões foram encaminhadas ao laboratório de entomologia ao longo do ano. O volume representa quase o triplo do registrado em 2024, quando apenas 37 exemplares haviam sido catalogados, reforçando que o município vive um cenário de crescimento acelerado.
O que os números revelam sobre Mafra
As amostras encaminhadas ao laboratório não vieram de um único tipo de ocorrência. Parte chegou por demandas espontâneas da população, quando moradores encontraram o animal em casas, quintais, calçadas ou áreas de serviço e acionaram o serviço público.
-
O anfiteatro romano do século I que resistiu quase intacto na Croácia com quatro torres laterais, muralhas externas preservadas e arena para 23 mil espectadores
-
Matemáticos especializados cravam campeão da Copa do Mundo após 10 mil simulações feitas; e o Brasil?
-
Mulher vê gente sem casa chorando por não conseguir tomar banho e transforma ônibus velhos em chuveiros móveis: projeto “Lava Mae” levou água quente, banheiro limpo e dignidade sobre rodas para milhares de pessoas vivendo nas ruas
-
O Google quer soltar 32 milhões de mosquitos na Califórnia e na Flórida e pediu autorização oficial ao governo americano para isso. Parece pesadelo, mas os insetos são machos esterilizados criados para exterminar os mosquitos que matam milhões de pessoas por ano
Outra parcela foi reunida em ações de campo realizadas pelas equipes de saúde, que buscam identificar pontos de maior risco e mapear onde a presença está se repetindo.
Embora os registros indiquem locais com maior concentração, a Vigilância ressalta um ponto crucial: os números refletem apenas os casos oficialmente comunicados à Secretaria de Saúde.
Na prática, isso significa que a presença pode estar subnotificada e que a ocorrência não se limita aos bairros com registros formais, podendo aparecer em qualquer região da cidade, inclusive em áreas que ainda não concentraram capturas no relatório.
Onde os escorpiões mais aparecem na cidade
O mapeamento por bairros indica um avanço que chama atenção por atingir áreas de circulação intensa e zonas residenciais consolidadas.
Os bairros com maior incidência de capturas foram Centro I e Centro II, que juntos somaram 34 escorpiões.
Logo atrás, Jardim Moinho registrou 32 ocorrências e Vila Nova teve 20.
Já Vila Formosa e Restinga apresentaram seis amostras cada, mostrando que o problema não se concentra em um único ponto, mas se distribui em diferentes regiões.
Esse recorte por bairros ajuda a dimensionar o fenômeno, mas não deve ser interpretado como um mapa definitivo de risco.
A própria orientação técnica reforça que, mesmo em locais com menos registros, a presença pode existir e ser detectada a qualquer momento, dependendo de condições ambientais e de oportunidades de abrigo e alimento.
Verão e fim do ano: por que o pico preocupa
O comportamento dos registros ao longo do ano acendeu um sinal de alerta por um motivo simples: o crescimento não foi gradual e discreto.
O pico de ocorrências foi registrado nos últimos meses, com novembro concentrando 54 capturas e dezembro somando 21 registros.
Esse padrão, associado às temperaturas mais altas, reforça a percepção de que o verão funciona como um período crítico, quando a chance de avistamentos aumenta e a atenção precisa ser redobrada.
Além das capturas, há um dado que amplia a gravidade: o Sinan (Sistema Nacional de Agravos de Notificação) contabilizou 13 acidentes com escorpiões em Mafra em 2025.
Esse número também deve ser lido sob a lógica do registro formal, ou seja, ele representa os casos notificados dentro do sistema e evidencia que o avanço não é apenas estatístico, mas tem impacto direto na saúde.
Os “5 As” e as falhas urbanas que favorecem a proliferação
As equipes de saúde apontam que a proliferação está diretamente ligada a condições ambientais favoráveis, conhecidas como os 5 “As”.
Na prática, isso se traduz em um conjunto de fatores que, quando se somam, criam o cenário perfeito para os escorpiões se instalarem perto das pessoas.
O primeiro elemento é o Abrigo, que surge quando há entulhos, pilhas de madeira e materiais acumulados, criando esconderijos fáceis e protegidos.
Em seguida vem o Ambiente, especialmente quando há locais quentes e úmidos, condição comum em períodos de calor e em pontos com pouca ventilação.
O Acesso também pesa: frestas, ralos e entradas facilitam a passagem do animal para dentro das casas.
O Alimento entra na equação quando há presença de insetos, como baratas, que sustentam a permanência do escorpião.
Por fim, a Água aparece na forma de fontes de umidade disponíveis, que mantêm áreas favoráveis à permanência do animal.
Por isso, a recomendação do serviço de saúde se concentra em ações de rotina: manter os ambientes limpos, reduzir pontos de umidade, vedar possíveis acessos e evitar o acúmulo de materiais que possam funcionar como abrigo, especialmente em áreas externas, depósitos e locais onde objetos ficam parados por longos períodos.
O que fazer ao encontrar escorpiões e por que a resposta precisa ser rápida
Diante de um cenário de crescimento, a orientação é tratar qualquer encontro com escorpiões como um alerta doméstico e de saúde pública.
Em caso de picada, a recomendação é procurar imediatamente o Pronto Atendimento, já que o envenenamento pode ser grave, com atenção redobrada para crianças e idosos, que podem apresentar evolução mais delicada.
Quando houver avistamento de escorpiões em Mafra, a população deve entrar em contato com a Vigilância pelo telefone (47) 9233-0307.
A captura pode ser feita com segurança desde que haja cuidado: o animal deve ser acondicionado em um recipiente rígido com tampa e levado junto ao atendimento, quando necessário.
A Vigilância reforça um ponto que não admite improviso: nunca capture o escorpião com as mãos, nem mesmo usando luvas comuns, porque isso aumenta o risco de acidente e não substitui um procedimento seguro.
O avanço dos escorpiões, a concentração em bairros centrais, o pico de capturas em novembro e dezembro e os 13 acidentes registrados no Sinan desenham um quadro que exige vigilância contínua.
Não se trata apenas de um incômodo, mas de um problema que envolve prevenção urbana, cuidados dentro de casa e resposta rápida do sistema de saúde, especialmente quando o calor aumenta e o risco de encontro cresce.
Na sua rua ou no seu bairro, você já viu escorpiões aparecerem com mais frequência nos últimos meses?

-
-
-
4 pessoas reagiram a isso.