Em um ano, pesquisadores da Bioplan-UEM e do Lafieco-USP conseguiram um aumento impressionante de 120% na produção do etanol à base de cana.
O biólogo Wanderley Dantas dos Santos (foto) supervisionou a aplicação de três compostos naturais nas plantas: um contendo ácido metilenodioxicinâmico (MDCA), outro com ácido piperolínico (PIP), e um terceiro com daidzin (DZN). Esses compostos foram especificamente projetados e aplicados a cana-de-açúcar, soja e braquiária para aproveitar suas características e propriedades únicas.
Segundo Santos, o MDCA, o PIP e o DZN são inibidores da lignina, molécula que confere rigidez à parede celular das plantas. “Em geral, o composto que desenvolvemos altera o metabolismo da lignina. Isso ajuda a entrar na parede celular da planta, onde está a celulose. Então há potencial para produzir mais açúcares, mais carboidratos.”
O experimento foi publicado em um artigo na revista Biomass and Bioenergy. O projeto é apoiado pelo Centro de Pesquisa em Inovação em Gases de Efeito Estufa (RCGI), Centro de Pesquisa em Engenharia (CPE) formado pela FAPESP e pela Shell no Instituto Politécnico (Poli-USP).
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Aumento de produção do etanol
No caso da cana-de-açúcar, a descoberta pode auxiliar a ampliar e encolher a produção do chamado etanol de segunda geração, concluído a partir do resíduo da biomassa vegetal (bagaço). A principal produtora desse álcool é a joint venture Raízen, da Cosan e da Shell, no interior de São Paulo, responsável por 1,5% da produção nacional.
Atualmente, a indústria é financeiramente cara para realizar o chamado pré-tratamento, que remove a lignina para tornar os carboidratos fáceis de digerir esses polissacarídeos e produzir enzimas que podem fermentar os açúcares para gerar etanol de nova geração.
A biomassa da cana pode ser melhor aproveitada com a aplicação de compostos desenvolvidos pelos pesquisadores. Os pesquisadores também testaram os compostos em animais braquiais usados para alimentar o gado.
A soja contendo lignina modificada também pode ser utilizada como ração animal. Hoje, o gado é frequentemente alimentado com suplementos de milho e proteína. A soja pode substituir parcialmente este suplemento proteico. À medida que o composto é aplicado, ele se torna nutricionalmente mais palatável e deixará o animal satisfeito com porções menores de ração.
Produção brasileira de etanol de milho cresce mais de 1.000% em seis anos
A produção de etanol de milho, comum nos Estados Unidos, ganhou ritmo no Brasil em menos de uma década e deve consolidar um aumento de 1.000% em relação à safra de seis anos atrás. Segundo a União Nacional do Etanol de Milho (Unem), a previsão de crescimento é atribuída ao aumento da capacidade de produção de milho, bem como à expansão e à adoção de tecnologia no setor industrial.
