Porto de Hamilton usou dragagem ambiental e uma estrutura de contenção para isolar sedimentos contaminados no Lago Ontário. A caixa de 6,2 hectares recebeu 615 mil metros cúbicos de lama tóxica. A cobertura final da obra está prevista para 2027. O projeto mostra como a poluição industrial antiga exige soluções longas e cuidadosas.
O Canadá construiu uma caixa de engenharia de 6,2 hectares dentro do Porto de Hamilton, no Lago Ontário, para conter 615 mil metros cúbicos de sedimentos contaminados. A lama tóxica ficou acumulada no fundo da água após décadas de poluição industrial.
O problema não aparecia na superfície. A contaminação estava misturada à lama e à areia do leito do porto, onde o material poderia se espalhar caso fosse removido sem controle. Randle Reef, portal do projeto de descontaminação do porto, trouxe as etapas usadas para prender essa poluição dentro de uma área fechada.
A obra foi iniciada em 2015 e já concluiu a fase de contenção dos sedimentos. A cobertura ambiental final ainda está prevista para 2027, o que significa que a recuperação do local continua em andamento.
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A lama contaminada ficou escondida no fundo do Porto de Hamilton por décadas
O que precisava ser tratado não era lixo boiando na água. Sedimentos contaminados são lama, areia e pequenas partículas acumuladas no fundo, capazes de guardar resíduos industriais por muitos anos.
Em Randle Reef, a poluição se formou a partir de atividades industriais iniciadas no século XIX. A área reúne compostos tóxicos chamados hidrocarbonetos policíclicos aromáticos, ligados a riscos para a saúde e para a qualidade da água.

Mexer nesse tipo de lama exige cuidado. Quando o fundo é revolvido, as partículas podem voltar à água e atingir outras partes do porto. Por isso, o projeto canadense não tratou a dragagem como uma retirada comum de terra.
Caixa de 6,2 hectares foi montada dentro da água para conter a poluição industrial
A primeira etapa criou uma estrutura de contenção submersa sobre a área mais contaminada do porto. Ela funciona como um grande cofre construído no próprio fundo da água, preparado para manter a lama perigosa em um espaço fechado.
A estrutura recebeu duas paredes de aço e foi formada por 3.400 vigas de aço, com tamanhos entre 23 e 33 metros. As peças foram fincadas no leito para formar uma barreira capaz de segurar os sedimentos contaminados.
A solução evitou a retirada direta da lama mais perigosa. Em vez de levar esse material para outro lugar, a engenharia fechou a área onde ele já estava acumulado e criou espaço para receber o sedimento removido das partes vizinhas.
Dragagem ambiental no Lago Ontário teve objetivo diferente da dragagem comum
A dragagem ambiental é a retirada controlada de material do fundo da água para impedir ou reduzir a poluição. Ela é diferente da dragagem usada para aprofundar canais e facilitar a passagem de navios.
No Porto de Hamilton, os sedimentos contaminados que estavam ao redor da estrutura foram retirados e colocados dentro da caixa de contenção. O trabalho buscou reduzir o risco de espalhar lama tóxica pela água durante a limpeza.
Parte do material que permaneceu fora da caixa recebeu uma cobertura de isolamento. Essa camada cria uma separação entre a lama contaminada e a água, diminuindo a chance de contato direto.
615 mil metros cúbicos de sedimentos contaminados passaram por controle ambiental
Randle Reef, portal do projeto de descontaminação do porto, detalhou que os 615 mil metros cúbicos de sedimentos contaminados receberam soluções diferentes dentro da área de Randle Reef. O volume inclui lama que já estava no local e material removido das áreas próximas.
A estrutura de contenção recebeu a maior parte do sedimento tratado. A etapa de dragagem ao redor da caixa também foi concluída, e o restante do material contaminado fora dela passou por isolamento no próprio leito do porto.
O resultado não significa que a lama desapareceu. Ela foi contida e separada da água, que é justamente o objetivo de uma obra ambiental desse tipo.
Cobertura final prevista para 2027 ainda completa a recuperação da área
A última etapa do projeto prevê uma cobertura ambiental formada por várias camadas sobre a caixa de engenharia. Essa proteção reforça o isolamento dos sedimentos e ajuda a impedir que a lama volte a entrar em contato com a água.

A cobertura final está prevista para ser concluída em 2027. Ainda há necessidade de ajustes estruturais para apoiar essa fase da obra, que fecha o trabalho de recuperação física da área.
Depois da conclusão, o local deverá passar por monitoramento de longo prazo. Esse acompanhamento é importante porque resíduos industriais antigos podem continuar exigindo atenção mesmo após a instalação das barreiras.
Porto ganha chance de recuperar espaço sem espalhar lama tóxica
A contenção abre caminho para que a área possa ter novos usos portuários no futuro. O ganho não vem apenas da retirada da lama ao redor, mas da criação de um local seguro para manter o material contaminado sem deixálo circular pela água.
O caso de Hamilton mostra que um porto contaminado não se recupera apenas com máquinas retirando barro do fundo. É preciso identificar o material, construir barreiras, dragar com cuidado e acompanhar a área por muitos anos.
A obra canadense reuniu engenharia, dragagem ambiental e controle de poluição industrial para lidar com um problema deixado por mais de um século. A caixa de 6,2 hectares passou a guardar 615 mil metros cúbicos de lama tóxica em uma área controlada do Porto de Hamilton.
A cobertura final prevista para 2027 será decisiva para reforçar a proteção do Lago Ontário. O projeto mostra que recuperar um porto exige impedir que o problema apenas seja levado de um ponto para outro.
Você acredita que portos com poluição industrial antiga deveriam priorizar obras de contenção antes de ampliar canais e áreas de navegação? Deixe sua opinião nos comentários e compartilhe esta publicação.
