Estudo publicado em 22 de abril de 2026 mostra que um exame de sangue de rotina pode revelar o risco de Alzheimer anos antes dos primeiros sintomas — e o marcador é algo que médicos já medem há décadas sem saber do potencial
Um exame de sangue que milhões de brasileiros fazem todo ano no check-up pode estar escondendo uma informação que ninguém sabia interpretar.
Pesquisadores publicaram em 22 de abril de 2026, na revista Alzheimer’s & Dementia, um estudo que associa níveis elevados de neutrófilos — células de defesa que aparecem em qualquer hemograma — a uma probabilidade significativamente maior de desenvolver demência por Alzheimer anos antes dos primeiros sintomas.
Em outras palavras, o seu próximo exame de sangue de rotina pode já conter um alerta que nenhum médico leu até agora.
-
Perigo da Hiperestimulação tecnológica: especialistas da USP alertam que o uso intenso de múltiplas telas e estímulos digitais pode reduzir gradualmente capacidades cognitivas essenciais, enquanto cientistas analisam como a sobrecarga tecnológica afeta memória, concentração e desempenho intelectual ao longo dos anos
-
No quintal do Brasil: a Tesla, de Elon Musk, anuncia operação oficial no Uruguai, onde os elétricos já são 20% dos carros novos mas ainda deixa de fora o maior mercado da região
-
Este veículo explorador de Marte poderá finalmente revelar se já existiu vida em Marte.
-
Depois de três anos morando em van, casal comprou casa histórica abandonada e precisou encarar mofo, encanamento danificado, guaxinins e limpeza pesada antes da mudança
O que o exame de sangue revela sobre o Alzheimer — e por que ninguém percebia
Neutrófilos são as células imunes mais abundantes no sangue humano. Além disso, participam da primeira linha de defesa do corpo contra infecções.
Em um hemograma comum, o laboratório já conta e reporta a quantidade de neutrófilos. Porém, até agora, níveis elevados eram interpretados apenas como sinal de infecção ou inflamação aguda.
O que o novo estudo demonstra é que neutrófilos persistentemente elevados podem ser um sinal de algo mais profundo: uma inflamação crônica no cérebro que precede o Alzheimer.
Dessa forma, o exame de sangue mais comum do mundo ganha uma camada de interpretação que a medicina nunca havia explorado para demência.

Os números por trás da descoberta
O estudo, publicado na Alzheimer’s & Dementia, identificou que pacientes com níveis elevados de neutrófilos apresentavam uma probabilidade significativamente maior de desenvolver demência anos depois.
Consequentemente, a descoberta se soma a outros avanços recentes na detecção precoce do Alzheimer.
Por exemplo, um estudo paralelo da Universidade da Califórnia em San Diego analisou 2.766 mulheres entre 65 e 79 anos ao longo de até 25 anos de acompanhamento. Os pesquisadores descobriram que outro marcador sanguíneo — a proteína p-tau217 — consegue prever o risco de demência até 25 anos antes do aparecimento dos primeiros sintomas.
Na Espanha, a Universidade Complutense de Madrid testou o p-tau217 em cerca de 200 voluntários acima de 50 anos e alcançou uma taxa de acerto de 94,5% na detecção precoce do Alzheimer.
- Estudo neutrófilos: publicado em 22/abr/2026 na Alzheimer’s & Dementia
- Estudo p-tau217 UCSD: 2.766 mulheres, predição até 25 anos antes
- Estudo p-tau217 Espanha: ~200 voluntários, 94,5% de acerto
- Teste FDA aprovado: Lumipulse, 91,7% acerto em positivos, 97,3% em negativos
- Estimativa: 42% das pessoas >55 anos nos EUA podem desenvolver demência
A FDA já aprovou o primeiro exame de sangue para Alzheimer
A descoberta dos neutrófilos chega em um momento crucial. De fato, a FDA — agência reguladora dos Estados Unidos — já aprovou o primeiro teste sanguíneo comercial para detecção do Alzheimer.
O teste, chamado Lumipulse G pTau217/β-Amyloid 1-42 Plasma Ratio, mede a proporção de proteína tau fosforilada e beta-amiloide no sangue de adultos acima de 55 anos com sintomas.
Segundo dados da aprovação, o teste acerta em 91,7% dos casos positivos e em 97,3% dos negativos, comparado com PET scan e punção lombar — exames invasivos e caros.
“Os biomarcadores sanguíneos estão remodelando a forma como identificamos e entendemos a doença de Alzheimer”, declarou Carrillo, pesquisador associado à aprovação.
A empresa responsável é a Fujirebio Diagnostics. No entanto, o teste ainda não está disponível no Brasil — a Anvisa não se pronunciou sobre aprovação equivalente.
O que muda para quem faz exame de sangue todo ano no Brasil
O impacto potencial dessa linha de pesquisa é enorme. Para ter uma ideia, o hemograma é o exame de sangue mais solicitado no Sistema Único de Saúde (SUS).
Milhões de brasileiros já têm dados de neutrófilos armazenados em laboratórios. Além disso, o custo do hemograma é uma fração do que custam PET scans cerebrais ou punções lombares.
Na prática, se a associação entre neutrófilos e Alzheimer se confirmar em estudos maiores, o Brasil teria uma ferramenta de rastreamento populacional pronta para uso — sem precisar de equipamentos novos ou treinamento especial.
Para quem tem histórico familiar de Alzheimer, a possibilidade de antecipar o diagnóstico por anos — ou décadas — usando um exame de sangue que já faz parte da rotina é algo que muda completamente a perspectiva.
Essa descoberta se conecta a outras pesquisas sobre o corpo humano que revelam funções antes desconhecidas, como a de que médicos cortaram por séculos um tecido sem saber que era um órgão.

Além disso, a pesquisa sobre detecção precoce de doenças via biomarcadores avança em várias frentes. Por exemplo, outro estudo recente mostrou que um remédio para insônia preservou 40% do hipocampo e reduziu a proteína Tau — justamente a proteína que o teste FDA agora consegue detectar no sangue.
Em outras palavras, os avanços na prevenção do Alzheimer estão convergindo de múltiplas direções: do hemograma rotineiro aos medicamentos que já existem.
As ressalvas que os pesquisadores fazem questão de destacar
Apesar do entusiasmo, os cientistas recomendam cautela na interpretação dos resultados.
Em primeiro lugar, neutrófilos elevados indicam risco probabilístico, não diagnóstico definitivo. Ou seja, nem todas as pessoas com neutrófilos altos vão desenvolver Alzheimer.
Além disso, o estudo não prova causalidade — apenas associação estatística. Portanto, ainda é necessário investigar se a inflamação medida pelos neutrófilos contribui diretamente para a neurodegeneração ou se apenas acompanha o processo.
Da mesma forma, os estudos existentes focaram predominantemente em mulheres (como o WHIMS da UCSD) e em populações específicas da Europa e dos Estados Unidos. Consequentemente, validações em populações mais diversas — incluindo brasileiros — ainda são necessárias.
Mesmo assim, a convergência de três linhas independentes de pesquisa — neutrófilos, p-tau217 e o teste FDA Lumipulse — aponta numa direção clara: em breve, um simples exame de sangue pode ser a primeira barreira contra o Alzheimer.
Será que o hemograma que você faz todo ano já contém a informação que pode mudar o rumo da sua saúde — e ninguém está lendo?
De acordo com a CNN Brasil, a aprovação do teste pela FDA marca o início de uma nova era na detecção precoce do Alzheimer — e o hemograma pode ser o próximo passo.
