Ex-produtor de banana de Corupá, Valdemir relatou calotes, perda de fazenda com 50 mil pés e mudança aos Estados Unidos com US$ 28. Em Massachusetts, começou ajudando em obras, aprendeu instalação, abriu empresa de pisos e reconstruiu segurança familiar após deixar caminhões, transporte e riqueza no Brasil em nova fase.
O produtor de banana Valdemir, natural de Corupá, em Santa Catarina, contou que perdeu patrimônio após calotes no Brasil e chegou aos Estados Unidos com apenas US$ 28. Hoje, vive em Massachusetts, onde reconstruiu a vida no setor de construção e abriu uma empresa de pisos.
Em vídeo divulgado pelo canal Tiago Skoll, a história foi relatada em entrevista gravada nos Estados Unidos, onde ele vive desde 2011. Antes da mudança, Valdemir disse ter tido fazenda com 50 mil pés de banana, caminhões para transporte pelo Brasil e vendas ligadas a mercados como Curitiba e Argentina.
Fazenda em Corupá chegou a ter 50 mil pés de banana

Valdemir cresceu em Corupá, no Norte de Santa Catarina, região conhecida pela produção de banana. Segundo ele, a família tinha origem alemã, e o português só passou a fazer parte de sua vida escolar depois dos 7 anos.
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Na fase de maior prosperidade, o produtor de banana afirma que mantinha cerca de 50 mil pés plantados. Além da lavoura, tinha cinco ou seis caminhões usados no transporte da produção, levando banana para diferentes regiões do Brasil e também para fora do país.
Caminhões levaram a produção para longe de Santa Catarina
A operação não se limitava à plantação. Valdemir disse que transportava mercadorias pelo Brasil inteiro e citou ligações comerciais com a Argentina, além de vendas em centros como Curitiba.
Essa estrutura mostra que o negócio havia passado do cultivo para uma cadeia maior de distribuição. O produtor de banana não dependia apenas da roça: ele também operava caminhões, negociava cargas e lidava com compradores de diferentes regiões.
Calotes começaram a derrubar o negócio

A virada negativa veio com uma sequência de inadimplências. Valdemir relatou que recebeu muitos cheques sem fundo e enfrentou prazos longos de pagamento, em alguns casos de 60 ou 90 dias.
Ele também citou calotes ligados a cargas enviadas para a Argentina. A queda não aconteceu de uma vez, mas aos poucos, como ele mesmo descreveu: o dinheiro foi sumindo enquanto as cobranças não se transformavam em recebimento real.
Perda da fazenda marcou o fim de uma fase
Depois dos prejuízos, a estrutura que sustentava a vida confortável no Brasil começou a se desfazer. A plantação, os caminhões e o padrão de vida construído ao longo dos anos foram ficando para trás.
Valdemir descreve esse período como uma quebra gradual. O produtor de banana que havia sido considerado milionário em sua região passou a enfrentar o fundo do poço financeiro, sem conseguir recuperar o que tinha a receber.
Curitiba virou tentativa de reorganização

Antes de sair do Brasil, Valdemir foi para Curitiba, cidade que já conhecia desde jovem por causa do comércio de banana na Ceasa. Segundo ele, havia ligação com aquele mercado desde os 18 anos.
A mudança para Curitiba foi uma tentativa de continuar no ramo e reorganizar a vida depois das perdas em Santa Catarina. Mas a ligação antiga com a venda de banana não foi suficiente para devolver a estabilidade que ele havia perdido em Corupá.
Tentativa de abrir negócio em São Paulo terminou em trauma
Valdemir também contou que cogitou abrir uma livraria em São Paulo. A ideia era mudar de Curitiba para a capital paulista, onde já teria ponto encaminhado para iniciar o novo comércio.
O plano acabou abandonado após um assalto. Segundo o relato, criminosos colocaram arma em sua cabeça, levaram dinheiro, relógio e quase levaram sua aliança. Depois do episódio, ele disse ter passado a buscar segurança para a família, especialmente por causa dos filhos.
Estados Unidos surgiram como plano temporário
A ideia inicial não era uma mudança definitiva. Valdemir afirmou que queria levar os filhos aos Estados Unidos por um período, para que aprendessem inglês, e depois seguiria outro caminho, possivelmente na Europa.
Mas a trajetória tomou outro rumo. Em 2011, ele saiu do Brasil sozinho, com passagem dada por um amigo pastor e apenas US$ 28 no bolso. O ex-produtor de banana chegou sem dinheiro, mas com a decisão de começar de novo.
Primeiros dias foram na instalação de pisos
Nos Estados Unidos, Valdemir foi recebido por um amigo em Miami e começou a trabalhar no dia seguinte. O primeiro serviço foi como ajudante na instalação de cerâmica e pisos.
Segundo ele, após poucos dias já estava executando trabalhos na área. O início foi pesado e exigiu humildade. Tudo o que ele havia aprendido como empresário no Brasil precisou ficar em segundo plano diante de uma profissão nova, manual e exigente.
Flórida ficou para trás e Massachusetts virou destino

Valdemir passou pela Flórida, mas não se adaptou ao calor. Depois, recebeu convite de um conhecido para trabalhar em Massachusetts, fez teste na área de pisos e acabou aprovado.
A mudança levou também a família, após um período em que ele ficou sozinho nos Estados Unidos. A reconstrução deixou de ser apenas sobrevivência individual e passou a ser projeto familiar em um novo estado.
Humildade virou palavra-chave do recomeço
Ao comparar a vida no Brasil com a chegada aos Estados Unidos, Valdemir destacou a necessidade de baixar a cabeça e aprender. Ele disse que observava tudo o que os outros faziam para dominar a nova profissão.
Esse ponto é central na história. O antigo produtor de banana, dono de fazenda e caminhões, precisou aceitar trabalho pesado, longas jornadas e uma rotina muito diferente da que tinha no Brasil.
Trabalho em pisos virou empresa de instalação
Com o tempo, Valdemir abriu uma empresa de instalação de pisos. Segundo o relato, chegou a ter várias equipes trabalhando, com vans e funcionários atuando em obras.
Um contrato maior ajudou a mudar o tamanho da operação. Ele contou que passou a fornecer e instalar pisos para projetos residenciais, incluindo casas em empreendimentos nos Estados Unidos. A experiência prática virou base para entrar também no comércio de materiais.
Loja surgiu após contratos com construtoras
A loja de pisos nasceu da necessidade de atender clientes que escolhiam materiais para casas em construção. Valdemir explicou que o comprador do imóvel ia ao showroom para definir o que seria instalado.
Segundo ele, a empresa começou nesse formato em 2017 e depois mudou para um espaço maior, com mais coleções. A loja se tornou extensão natural da instalação: quem vendia o serviço passou também a fornecer o produto.
Empresa em Massachusetts vende pisos e materiais

Na entrevista, Valdemir aparece ao lado da empresa em Massachusetts, ligada ao ramo de pisos, cerâmicas, gabinetes e materiais de construção. Ele relata trabalhar com diferentes coleções e fornecedores de vários países.
Mesmo com a loja, afirma preferir acompanhar obras e contratos fora do balcão. A reconstrução não veio apenas por abrir um comércio, mas por manter a presença no trabalho de campo e nos projetos de instalação.
Segurança pesou mais que saudade do Brasil
Valdemir afirmou que não pensa em voltar ao Brasil para morar. Ele disse conhecer quase todos os estados brasileiros, mas considera que sua vida e sua família estão hoje nos Estados Unidos.
A palavra segurança aparece como um dos motivos mais fortes para a permanência. Depois de perder patrimônio, enfrentar violência e recomeçar do zero, ele associa a nova vida à chance de trabalhar, conquistar e dormir com mais tranquilidade.
Planos incluem crescer em outro estado
Mesmo depois da recuperação, Valdemir afirma estar em fase de investimento. Ele menciona vontade de abrir outra filial em outro estado, embora trate o plano como possibilidade futura.
A história, portanto, não termina apenas na sobrevivência. O produtor de banana que chegou com US$ 28 passou a enxergar novas etapas de crescimento no setor de construção, especialmente em pisos, banheiros, cozinhas e materiais para obras.
Da banana ao piso, uma virada de vida
A trajetória de Valdemir mostra a queda e a reconstrução de um produtor de banana que saiu de Corupá, perdeu uma fazenda com 50 mil pés, deixou caminhões para trás, enfrentou calotes e chegou aos Estados Unidos com apenas US$ 28.
Nos Estados Unidos, começou como ajudante em pisos, aprendeu uma nova profissão e construiu uma empresa em Massachusetts. Você acha que a segurança e a possibilidade de recomeçar compensam deixar para trás uma vida inteira no Brasil? Comente sua opinião.


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