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EUA detectam dispositivos não registrados em inversores solares da China e levantam alerta global sobre segurança cibernética

Escrito por Débora Araújo
Publicado em 14/05/2025 às 16:40
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Investigação revelada pela Reuters identifica equipamentos de comunicação ocultos em inversores, levantando temores de sabotagem e espionagem na infraestrutura elétrica dos EUA e Europa.

Autoridades de energia dos EUA encontraram dispositivos de comunicação não documentados dentro de alguns inversores solares fabricados na China, segundo revelou a agência de notícias Reuters em uma reportagem publicada nesta quarta-feira. Esses equipamentos, descritos como “canais remotos não regulamentados”, poderiam permitir o acesso externo aos sistemas elétricos, abrindo brechas para ataques cibernéticos, sabotagens e interferências em redes de energia.

A descoberta acendeu um sinal de alerta não apenas nos Estados Unidos, mas também na Europa, onde os inversores de origem chinesa estão presentes em mais de 200 GW da capacidade solar instalada, o equivalente à produção de duzentas usinas nucleares.

Equipamentos encontrados nos EUA podem contornar firewalls e acessar redes críticas

De acordo com a Reuters, os dispositivos encontrados são capazes de contornar os firewalls usados por concessionárias de energia nos EUA, possibilitando uma comunicação direta entre os inversores e servidores remotos. A suspeita é de que esse canal possa ser usado para controle externo, sem o conhecimento dos operadores de rede locais.

Os inversores solares, considerados o “cérebro” de um sistema fotovoltaico, são responsáveis por converter a energia gerada pelos painéis em eletricidade utilizável na rede. Qualquer vulnerabilidade nesses dispositivos pode comprometer o fornecimento de energia, causar apagões e até danificar infraestrutura crítica.

Ainda segundo a reportagem, dispositivos semelhantes também foram encontrados em baterias de origem chinesa. Os nomes dos fabricantes ou o número total de produtos afetados não foram revelados. Contudo, a empresa de análise Wood Mackenzie informou que as fabricantes Huawei e Sungrow dominaram mais de 50% do mercado global de inversores solares em 2023.

Europa reage: risco é considerado “sistêmico”

As implicações do relatório se espalharam rapidamente para o outro lado do Atlântico. O Conselho Europeu de Fabricação de Energia Solar (ESMC) afirmou que os riscos identificados nos inversores chineses têm dimensão sistêmica para a Europa. Em postagem nas redes sociais, o órgão solicitou que a Comissão Europeia avalie a possibilidade de sabotagem e espionagem por meio de componentes críticos importados.

O ESMC pediu a criação de ferramentas rigorosas de auditoria, incluindo transparência total no software embarcado dos inversores e uma lista formal de materiais (BOM) com todos os componentes.

SolarPower Europe e DNV já haviam alertado para riscos

No mês passado, um relatório conjunto da SolarPower Europe e da consultoria DNV já apontava riscos acima do aceitável para sistemas de inversores solares. Segundo o documento, um ataque coordenado a apenas 3 GW de capacidade instalada — uma fração do que está hoje conectado à rede — poderia causar instabilidade elétrica generalizada em países da União Europeia.

O mesmo relatório citava a atuação de grupos de hackers ligados a governos da China e da Rússia, identificados pela Agência de Segurança Cibernética e de Infraestrutura dos EUA (CISA), com histórico de ataques a infraestruturas críticas nos EUA e Europa.

Fabricantes e especialistas reforçam preocupações

Durante a Intersolar Europe, realizada na semana passada em Munique, executivos de grandes fabricantes europeus de inversores confirmaram ao portal PV Tech que os riscos cibernéticos são reais e precisam de atenção imediata.

Um dos entrevistados — cuja identidade não foi revelada — comparou o cenário atual à crise do gás natural vivida pela Europa após a invasão da Ucrânia pela Rússia. “Na época, 99% das pessoas não acreditavam que a Rússia cortaria o fornecimento de gás. Mas aconteceu. O mesmo risco existe agora com os inversores”, afirmou.

As empresas SolarEdge e Solargis, que também participaram da feira, relataram crescente pressão do mercado e de reguladores para adotar protocolos de segurança cibernética mais robustos, especialmente em projetos que envolvem inversores digitais conectados à internet.

Medidas após descoberta nos EUA podem incluir restrições a acesso remoto

O ESMC e outras entidades defendem restrições ao acesso remoto por parte de fabricantes estrangeiros classificados como “de alto risco”, entre eles alguns dos principais nomes da indústria chinesa. O objetivo seria evitar que esses dispositivos mantenham conexão ativa com servidores fora do território europeu.

Outra recomendação inclui a validação completa do firmware e da infraestrutura de comunicação dos inversores antes de sua homologação para uso em redes nacionais.

E agora?

A reportagem da Reuters acende um novo capítulo na disputa tecnológica entre China e EUA, agora centrado no setor de energia solar. A investigação não aponta provas de que os dispositivos foram usados de fato para ataques, mas destaca que o simples potencial de uso malicioso já representa um risco crítico.

Autoridades americanas ainda não comentaram oficialmente quais medidas serão adotadas após a identificação dos dispositivos, mas é provável que novas diretrizes regulatórias para inversores importados sejam anunciadas em breve.

Na Europa, cresce a pressão para que a Comissão Europeia exija transparência completa no software e hardware dos dispositivos fotovoltaicos conectados à rede, diante do risco de vulnerabilidades que podem ser exploradas para espionagem industrial ou sabotagem estatal.

As informações citadas nesta reportagem têm como fonte principal a agência de notícias Reuters, responsável por revelar a investigação sobre dispositivos ocultos em inversores solares de origem chinesa.

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Débora Araújo

Débora Araújo é redatora no Click Petróleo e Gás, com mais de dois anos de experiência em produção de conteúdo e mais de mil matérias publicadas sobre tecnologia, mercado de trabalho, geopolítica, indústria, construção, curiosidades e outros temas. Seu foco é produzir conteúdos acessíveis, bem apurados e de interesse coletivo. Sugestões de pauta, correções ou mensagens podem ser enviadas para contato.deboraaraujo.news@gmail.com

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