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Visto do espaço, vulcão submarino entra em erupção no Pacífico, lança fumaça direto do mar, espalha pedra-pomes flutuante e pode estar criando uma nova ilha em uma região tão pouco mapeada que cientistas ainda não sabem exatamente qual estrutura está em erupção

Escrito por Ana Alice
Publicado em 29/05/2026 às 23:44
Assista o vídeoVulcão submarino no Pacífico lança plumas, espalha pedra-pomes e pode formar nova ilha em área pouco mapeada do mar de Bismarck. (Imagem: Ilustrativa)
Vulcão submarino no Pacífico lança plumas, espalha pedra-pomes e pode formar nova ilha em área pouco mapeada do mar de Bismarck. (Imagem: Ilustrativa)
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Erupção submarina no mar de Bismarck expôs uma região pouco mapeada do Pacífico, com plumas visíveis por satélites, pedra-pomes na superfície e dúvidas científicas sobre o relevo que se forma sob a água.

Um vulcão submarino entrou em erupção no mar de Bismarck, ao norte de Papua-Nova Guiné, e passou a ser acompanhado por satélites depois que plumas de vapor, cinzas, água descolorida e faixas de pedra-pomes apareceram na superfície do oceano.

A atividade começou em 8 de maio de 2026 e ocorre em uma área geologicamente complexa, onde cientistas ainda não dispõem de mapas de alta resolução do fundo marinho.

A erupção é associada à região de Titan Ridge, no Pacífico, a cerca de 16 quilômetros ao sudeste do ponto aproximado onde outra erupção submarina foi detectada por instrumentos em 1972.

Ainda não há consenso, segundo a Nasa, sobre qual estrutura vulcânica está em atividade, qual era a profundidade original da abertura eruptiva ou quando essa área teria entrado em erupção pela última vez.

Erupção submarina no mar de Bismarck

A falta de mapas detalhados é um dos pontos centrais para os pesquisadores que acompanham o caso.

Embora satélites consigam registrar alterações na superfície, como plumas, sinais térmicos e mudanças na cor da água, o relevo abaixo do mar ainda depende de levantamentos específicos.

No mar de Bismarck, essa limitação é ampliada pela presença de falhas, zonas de subducção, áreas de expansão do assoalho oceânico, escarpas e estruturas vulcânicas em profundidades que dificultam o mapeamento por sonar de alta resolução.

A Nasa afirma que a região exemplifica uma lacuna conhecida da oceanografia: partes da Lua e de Marte têm mapeamento mais preciso do que grandes áreas do fundo dos oceanos da Terra.

Jim Garvin, cientista-chefe do Centro de Voos Espaciais Goddard, da Nasa, disse que os satélites já em órbita oferecem “enormes oportunidades para explorar e aprender” sobre o evento.

Satélites registram vapor, cinzas e água descolorida

As primeiras pistas da atividade vieram de uma pequena sequência de terremotos registrada em 8 de maio.

Pouco depois, observações por satélite confirmaram sinais de uma erupção submarina no Pacífico.

A partir de 9 de maio, os satélites Aqua e Terra, da Nasa, captaram imagens ópticas de plumas brancas ricas em vapor subindo do oceano.

O satélite PACE, também da agência espacial norte-americana, registrou água descolorida e agitada ao redor do local da erupção.

Imagem: Nasa
Imagem: Nasa

Imagens de maior resolução obtidas pelos satélites Sentinel-2, da Agência Espacial Europeia, e Landsat 9, operado pela Nasa e pelo Serviço Geológico dos Estados Unidos, mostraram detalhes da atividade próxima à superfície.

Em 12 de maio, o instrumento VIIRS, a bordo do satélite Suomi NPP, detectou anomalias térmicas em cerca de sete quilômetros quadrados.

Para Simon Carn, vulcanólogo da Michigan Tech, a quantidade de anomalias térmicas indica presença de material quente perto da superfície.

Segundo ele, esse dado sugere uma abertura eruptiva relativamente rasa, mais próxima da superfície do que indicavam os dados batimétricos disponíveis para a área.

Pedra-pomes flutuante se espalha no Pacífico

Além das plumas, as imagens mostraram grandes manchas de água descolorida e extensas faixas de pedra-pomes flutuante sendo levadas pelas correntes.

A pedra-pomes é uma rocha vulcânica leve e porosa, capaz de permanecer na superfície depois de ser expelida em erupções.

Em grandes concentrações, ela pode formar “jangadas” naturais que se deslocam pelo oceano e representam risco para embarcações.

Relatórios do Programa Global de Vulcanismo, do Smithsonian, com base em informações do Observatório Vulcanológico de Rabaul, indicaram que a atividade continuou nas semanas seguintes, embora com redução na intensidade entre 21 e 28 de maio.

Nesse período, plumas de vapor ainda eram visíveis em imagens de satélite, saindo de duas áreas de abertura e se deslocando para oeste e noroeste.

A pedra-pomes continuava chegando à superfície, mas em concentrações menores, segundo o mesmo relatório.

Possível nova ilha é acompanhada por cientistas

A possibilidade de formação de uma nova ilha passou a ser acompanhada por pesquisadores da Nasa e de outras instituições.

Garvin afirmou que os cientistas aguardavam para ver se uma ilha estaria “prestes a nascer”, um processo que, segundo ele, raramente pode ser observado por satélites enquanto ocorre.

Caso a estrutura alcance e permaneça acima do nível do mar, ela poderá formar um cone de tufo com uma cratera ativa.

Outra possibilidade descrita pela Nasa é que o material recém-formado desmorone ou sofra erosão rápida pela ação das ondas.

A agência também informou que a erupção poderia se tornar mais explosiva se a água do mar alcançasse a câmara magmática rasa associada à estrutura submarina em crescimento.

Até o momento descrito pelos relatórios disponíveis, no entanto, o evento foi menos explosivo que erupções submarinas recentes, como as de Hunga Tonga-Hunga Ha’apai, em 2022, e Fukutoku-Okanoba, em 2021.

Segundo Carn, a menor explosividade provável está relacionada ao contexto geológico da região, que parece envolver uma cordilheira vulcânica próxima à junção de uma falha transformante com uma zona de expansão de fundo oceânico.

“Spreading centers are associated with less explosive activity, while the most explosive eruptions are usually along subduction zones and involve large stratovolcanoes”, afirmou o vulcanólogo.

Riscos para embarcações na área da erupção

Autoridades de Papua-Nova Guiné alertaram navegadores sobre riscos na área, incluindo queda de pedra-pomes, cinzas, ondulações imprevisíveis e correntes turbulentas.

A ABC News, da Austrália, relatou que pescadores observaram a erupção no mar.

Kennedy Masis disse à emissora que procurava atum quando viu “fumaça saindo do mar”.

“It sounds like thunder and the sea smells like metal burning”, afirmou Masis.

Steve Saunders, principal geodetic surveyor do Observatório Vulcanológico de Rabaul, disse à ABC que uma atividade mais explosiva poderia gerar pequenos tsunamis localizados.

Ele acrescentou que a área fica a pelo menos 100 quilômetros da terra mais próxima e que a profundidade do oceano na região varia de cerca de 500 a 800 metros.

O Observatório Vulcanológico de Rabaul informou que, em meados de maio, a atividade ocorria em duas áreas de ventilação separadas por cerca de 2,5 quilômetros.

Também houve registro de um terremoto de magnitude 5,4 em 15 de maio e outro de magnitude 5,7 ao norte do ponto eruptivo em 22 de maio, sem mudança aparente nas características da erupção.

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Duração da erupção ainda é incerta

A duração da atividade ainda não foi definida pelos cientistas.

O evento de 1972 na mesma região geral durou quatro dias, de acordo com a Nasa.

Já outra erupção submarina registrada a cerca de 100 quilômetros dali, no estreito de St. Andrew, começou em 1957 e durou quase quatro anos.

Essa diferença ajuda a explicar por que especialistas evitam previsões fechadas sobre o comportamento do vulcão.

Erupções submarinas podem diminuir rapidamente, manter baixa intensidade por semanas ou meses ou mudar de padrão conforme o magma interage com a água do mar e com a estrutura que se forma abaixo da superfície.

Garvin e pesquisadores de outras instituições acompanham o desenvolvimento do caso com dados de satélite.

Segundo a Nasa, ele pretende analisar informações de radar da missão NISAR, parceria entre Nasa e a agência espacial da Índia, e da constelação RADARSAT, do Canadá, para mapear eventuais porções de terra emergida e acompanhar mudanças de formato ao longo do tempo.

Se uma ilha permanente se formar, Garvin também vê possibilidade de estudos de campo sobre colonização por plantas e animais, chuva, intemperismo químico e outros processos erosivos.

A Nasa compara esse tipo de acompanhamento ao que ocorreu após a erupção de Hunga Tonga-Hunga Ha’apai, quando cientistas estudaram a transformação de uma ilha vulcânica recém-formada.

No mar de Bismarck, o episódio reúne atividade vulcânica submarina, observação espacial e incertezas sobre uma área pouco mapeada do Pacífico.

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Ana Alice

Redatora e analista de conteúdo. Escreve para o site Click Petróleo e Gás (CPG) desde 2024 e é especialista em criar textos sobre temas diversos como economia, empregos e forças armadas.

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