Preços mais baixos do etanol mudaram a conta para motoristas de carros flex em várias regiões do país, enquanto a gasolina segue pressionada nos postos. Diferença entre os combustíveis exige atenção ao rendimento do veículo antes de decidir qual alternativa pesa menos no bolso.
O etanol voltou a ganhar competitividade em parte relevante do país e já aparece como opção mais vantajosa do que a gasolina em pelo menos 199 municípios pesquisados pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis.
Na semana de 14 a 20 de junho de 2026, a ANP apurou preço médio nacional de R$ 6,62 por litro para a gasolina comum e de R$ 4,13 para o etanol hidratado.
Com essa diferença, o biocombustível ficou em 62,4% do valor médio da gasolina, abaixo da referência de 70% usada por muitos motoristas para decidir o abastecimento de carros flex.
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Ainda assim, essa regra não substitui a conta individual, porque o consumo varia conforme modelo, manutenção, trajeto e modo de condução.
Etanol ganha espaço nos postos
Nos postos, a mudança aparece em um cenário de movimentos opostos entre os combustíveis.
Segundo a síntese semanal da ANP, a gasolina comum teve alta de 0,15% na revenda, enquanto o etanol hidratado recuou 0,48% no mesmo intervalo analisado pela agência reguladora.
Além da diferença registrada na bomba, o comportamento do etanol também se relaciona ao ciclo da cana-de-açúcar, já que a safra brasileira tende a ampliar a oferta do biocombustível.

A própria síntese da ANP, com base em informações do Cepea, menciona expectativa de oferta elevada ao longo da safra 2026/27, apesar de oscilações pontuais no mercado paulista.
Na decisão de abastecimento, porém, o preço menor por litro não basta para definir a melhor escolha.
Como o etanol costuma render menos do que a gasolina, o motorista precisa comparar quanto cada combustível custa em relação à quilometragem entregue pelo veículo.
Regra dos 70% ajuda na decisão
Para uma estimativa rápida, a referência mais usada consiste em multiplicar o preço da gasolina por 0,7.
Quando o preço do etanol fica igual ou abaixo desse resultado, o abastecimento com o biocombustível tende a compensar financeiramente para muitos carros flex.
Essa conta parte da ideia de que o etanol tem rendimento médio inferior ao da gasolina.
A diferença real, no entanto, não é igual em todos os veículos, porque motores mais modernos podem aproveitar melhor o combustível renovável.
Por esse motivo, o cálculo mais preciso depende do consumo médio do próprio carro.
O motorista pode dividir os quilômetros rodados pela quantidade de litros abastecida, repetindo a medição separadamente para gasolina e etanol.
A partir dessa informação, a comparação deixa de depender apenas da regra geral.
O valor mais importante passa a ser o custo por quilômetro rodado, que mostra quanto o motorista paga para percorrer a mesma distância com cada combustível.
Capitais onde o etanol fica mais vantajoso
Entre as capitais, os dados da ANP indicam vantagem para o etanol em São Paulo, Belo Horizonte, Cuiabá, Campo Grande, Goiânia, Brasília, Salvador e Florianópolis, considerando a referência de até 70% do preço da gasolina.
Na capital paulista, por exemplo, o etanol foi apurado a R$ 3,94 por litro, enquanto a gasolina comum ficou em R$ 6,46.
Essa relação coloca o biocombustível em torno de 61% do preço da gasolina, margem confortável dentro da regra de competitividade.
Belo Horizonte também aparece com relação favorável, com etanol a R$ 3,92 e gasolina a R$ 6,02.
Já em Cuiabá, o biocombustível foi pesquisado a R$ 3,91, ante R$ 6,71 da gasolina comum, segundo os preços médios de revenda por capitais divulgados pela ANP.
A vantagem se repete em Campo Grande, onde o etanol custava R$ 4,01 e a gasolina R$ 6,44.
Goiânia também ficou abaixo da referência, com R$ 4,48 para o etanol e R$ 6,87 para a gasolina, enquanto Brasília registrou R$ 4,24 contra R$ 6,63.
Capitais onde a gasolina ainda compensa
Em outras capitais, a conta muda e reduz a atratividade do biocombustível.
Rio de Janeiro, Curitiba, Fortaleza e João Pessoa aparecem acima da referência dos 70%, o que indica maior vantagem para a gasolina na comparação média de preços informada pela ANP.
No Rio de Janeiro, o etanol foi apurado a R$ 4,83 por litro, enquanto a gasolina ficou em R$ 6,59.
Em Curitiba, a diferença foi mais apertada, mas ainda acima do limite de referência, com etanol a R$ 4,87 e gasolina a R$ 6,94.
Fortaleza registrou etanol a R$ 4,99 e gasolina a R$ 6,75, enquanto João Pessoa teve o biocombustível a R$ 4,69 e a gasolina comum a R$ 6,41.
Nesses casos, a proporção supera 70%, tornando a gasolina a alternativa mais indicada pela regra geral.
A mesma lógica vale para Recife, Natal, Belém, Porto Alegre, Vitória, Palmas, Teresina, São Luís, Aracaju, Manaus, Porto Velho, Rio Branco, Boa Vista e Macapá.
Nessas capitais, a relação entre etanol e gasolina também ultrapassou o patamar de referência usado por muitos motoristas.
Como calcular antes de abastecer
Para quem ainda não sabe o consumo exato do carro, a regra dos 70% funciona como aproximação rápida no posto.
O cálculo exige apenas multiplicar o valor da gasolina por 0,7 e comparar o resultado com o preço do etanol.
Tomando como referência a média nacional, se a gasolina custa R$ 6,62, o etanol precisa estar em até R$ 4,63 para ser competitivo por essa regra.
Como a média nacional apurada pela ANP foi de R$ 4,13, o biocombustível ficou abaixo desse limite no conjunto do país.
Mesmo com esse resultado, o preço médio nacional não reflete todas as realidades locais.
A decisão final deve considerar o valor cobrado no posto escolhido, o rendimento real do veículo e o tipo de uso, especialmente em trajetos urbanos com maior consumo.
Nos carros que exibem autonomia no painel, a comparação pode ser feita observando quantos quilômetros o veículo estima percorrer com cada combustível.
Em modelos sem essa função, a medição manual por abastecimento continua sendo a forma mais segura de avaliar o custo real.
A diferença entre etanol e gasolina, portanto, deixou de ser apenas uma comparação de preço por litro.
Para economizar, o motorista precisa cruzar o valor na bomba com o desempenho do próprio carro e repetir a conta sempre que houver mudança relevante nos postos.
