Levantamento técnico revela efeitos da mineração e da queima de carvão na saúde pública, com dados entre 2017 e 2025 e projeções futuras para o setor energético.
Além disso, um estudo inédito sobre o uso do carvão mineral em Candiota, no Rio Grande do Sul, será apresentado à imprensa em 25 de março de 2026.
Assim, a pesquisa indica que, entre 2017 e 2025, a atividade esteve associada a 430 mortes, o que corresponde a 4% da população local.
Além disso, também foram identificados 180 casos de partos prematuros, bem como aumento de doenças respiratórias, especialmente asma em crianças.
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Pesquisa reúne instituições de referência internacional
Nesse sentido, o levantamento foi desenvolvido pelo Centro de Pesquisa sobre Energia e Ar Limpo (CREA).
Ao mesmo tempo, o estudo contou com a participação do Instituto Internacional Arayara.
Além disso, houve apoio do Painel Transdisciplinar em Saúde Planetária do ILEA/UFRGS, do grupo Medicina em Alerta e do Observatório do Carvão Mineral.
Portanto, a análise reúne instituições reconhecidas na avaliação dos impactos da poluição do ar.
Candiota concentra emissões e impactos regionais
Por outro lado, a pesquisa se concentra em Candiota, município que abriga usinas termelétricas movidas a carvão mineral.
Assim, a cidade lidera as emissões de gases de efeito estufa no Rio Grande do Sul.
Além disso, os impactos não se limitam ao território local.
Ou seja, os efeitos são transfronteiriços, atingindo também Argentina, Uruguai e Paraguai.
Dessa forma, o estudo evidencia que a exposição contínua a poluentes ocorre em todas as etapas, incluindo extração, manuseio, transporte e queima do carvão.

Produção nacional e estrutura energética do polo
Além disso, o estado do Rio Grande do Sul concentra 53% da produção nacional de carvão mineral.
Nesse cenário, Candiota se destaca como principal polo produtivo.
Assim, a operação envolve as minas de Candiota e Seival Sul.
Ao mesmo tempo, também operam as usinas termelétricas Candiota III e Pampa Sul.
Portanto, juntas, essas unidades somam cerca de 700 MW de capacidade instalada.
Projeções indicam aumento de impactos até 2040
Além disso, o estudo apresenta projeções para o futuro do polo carbonífero.
Assim, caso as operações sejam mantidas até 2040, poderão ocorrer 871 mortes prematuras adicionais.
Ao mesmo tempo, os custos econômicos associados à saúde podem atingir R$ 6,6 bilhões.
Portanto, esses impactos são considerados evitáveis, segundo a análise apresentada pelas instituições envolvidas.
Debate sobre transição energética ganha destaque
Por fim, o estudo também traz posicionamentos sobre o cenário energético nacional.
Nesse contexto, Juliano Bueno de Araújo, diretor técnico do Instituto Internacional Arayara, afirma que o país precisa avançar.
Assim, segundo ele, é necessária uma Política de Transição Energética Justa e Sustentável.
Além disso, a proposta inclui inclusão dos trabalhadores, recuperação de passivos ambientais e planejamento para descomissionamento das usinas.
Ao mesmo tempo, ele destaca que não se deve manter subsídios a empreendimentos fósseis até 2040 ou 2050.
Diante desse cenário, os dados apresentados reforçam a relação entre carvão mineral, saúde pública e planejamento energético no Brasil.

